S O J A
Alta de 10% em maio
O preço médio da soja ao produtor paranaense subiu expressivos 10% ao longo do mês de maio. Após permanecer estável na casa dos R$ 16,40/saca ao longo dos meses de março e abril, o preço médio da soja ao produtor subiu significativamente nas últimas semanas, encerrando o mês de maio cotado a R$ 18/saca.
Com a recente alta dos preços no mercado interno, o valor atual da soja já supera aquele praticado na mesma época do ano passado, que era de R$ 17,3/saca, conforme pode ser visualizado no gráfico ao lado.
Menor pressão de venda
O principal motivo para a recente alta dos preços é a menor pressão de venda no mercado interno por parte dos produtores rurais. Com a colheita encerrada e o acerto dos compromissos financeiros de curto prazo, os produtores rurais não se mostram tão apressados em vender o produto para fazer caixa a qualquer preço, o que permitiu a recuperação das cotações no mercado interno. Apesar de ainda se observar um grande movimento nos portos de exportação, em função do período de pico de comercialização da soja, não se ouve mais falar em grandes filas de caminhões para desembarcar a soja no porto. Em março de 2001, por exemplo, foram exportadas cerca de 1,3 milhões de toneladas de soja em grão, praticamente o dobro do volume exportado no mesmo período do ano anterior (656 mil toneladas).
Obviamente, o alto valor do dólar (superando a casa dos R$ 2,30) continua dando sustentação aos preços internos da soja. No mês de maio, o valor da moeda norte-americana subiu cerca de 5%, passando de R$ 2,23 para R$ 2,34 por dólar.
É bom salientar que as variações diárias no valor do dólar afeta imediatamente as cotações da soja no atacado (mercado de grandes lotes) e mais lentamente as cotações ao produtor, no mercado de balcão. Nessas ocasiões, amplia-se a margem bruta obtida na comercialização da soja por cooperativas, fábricas de esmagamento, exportadores, grandes cerealistas e outros agentes de mercado que adquirem a soja dos produtores rurais.
Apesar da referida alta nos preços da soja ao produtor durante o mês de maio, o atual preço do produto nas principais regiões do Estado continua abaixo dos míseros US$ 8 por saca, um valor muito abaixo do média histórica para o produto. Ocorre que, enquanto o preço da soja em reais subiu 10% ao produtor desde março, o valor do dólar subiu 16% no mesmo período.
Estados Unidos
Na Bolsa de Chicago, os preços da soja também seguem oscilando muito abaixo de seus valores médios históricos, o que acaba sendo o principal fator de depreciação dos preços em dólar da soja no Brasil. Em maio, apesar do sobe e desce do mercado, o valor do contrato da soja para primeira entrega encerrou o mês praticamente no mesmo nível que começou. Entre 435 e 440 centavos de dólar por bushel.
Nos Estados Unidos, o plantio da soja segue em bom ritmo. Até o último dia 27, cerca de 70% das lavouras naquele país já haviam sido semeadas, contra 64% no mesmo período dos últimos 5 anos.
Até o momento, o comportamento do clima nas principais regiões produtoras de soja e milho dos Estados Unidos vem sendo considerado normal, a exceção de algumas poucas regiões ao leste da principal região produtora, onde os solos apresentam pequena escassez hídrica. Por outro lado, o clima também não é excepcional para as lavouras de soja, a exemplo do ocorrido no ano passado. Isso significa que o comportamento do clima ao longo dos próximos meses nos Estados Unidos continuará exercendo papel fundamental na determinação do nível de preços.
Em 27 maio, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) classificou 61% das lavouras de soja como estando em boas e excelentes condições. No mesmo período do ano passado esse número era bem maior, de 66%.
José Roberto Canziani - Prof.UFPr
e-mail: [email protected]
F R A N G O
Crescimento de 100% nos anos 90
A avicultura de corte vem a ser um dos segmentos mais importantes do agronegócio nacional que, ao longo da década de 90, apresentou um crescimento da ordem de quase 100% e colocou o Brasil na posição de segundo maior exportador de carne de frango do mundo, logo atrás dos Estados Unidos. Apesar da crescente competitividade e barreiras que o mercado mundial impõe ao produto nacional, conseguiu-se ampliar a participação nacional no mercado global (market share) de 14% para atuais 17%.
A receita cambial gerada ao país com a comercialização da carne de frango no mercado mundial foi de aproximadamente US$ 805,7 milhões em 2000, mas o setor produtivo nacional espera esse ano ampliar esse valor para algo em torno de US$ 1 bilhão, impulsionado principalmente pela expansão do comércio mundial e pelos problemas de abastecimento que assolam a Europa, devido ao surto de febre aftosa.
Avicultura, crescimento de 100% nos anos 90
Ao analisarmos alguns dos principais índices da avicultura nacional, observamos a grande evolução que o setor apresentou ao longo de década de 90, apesar de todos os problemas econômicos, políticos e sociais que o Brasil enfrentou neste período, conforme pode ser visualizado na tabela.
Observando o comportamento do consumo interno da carne de frango no Brasil, no período em questão, notamos um significativo incremento da ordem de 115,6%, com a demanda pelo produto variando dos 2,32 milhões de toneladas no começo da década para os 5,01 milhões de toneladas em 2000. Este crescimento registrado deve-se em grande parte ao desenvolvimento tecnológico do setor produtivo, que investiu maciçamente na produção e ofertou ao mercado uma proteína de alta qualidade com preço acessível à população. Outro aspecto interessante que deve ser registrado é que no começo da década, cerca de 88,3% da produção nacional de frangos era voltada ao abastecimento do mercado interno, valor esse que caminhou para os 84,7% da produção total no final do ano 2000, indicando, desta forma, a ampliação das exportações.
Tabela frango - a evolução do consumo, da produção, do alojamento, das exportações e do consumo per capita de carne de frango no Brasil na década de 90
Ano - Consumo (em 106 ton.) - Produção (em 106 ton.) - Alojamento de Pintos de corte (em 109 cab.) - Exportação (em mil ton.) - Consumo per capita (em kg/hab./ano) -
1991 - 2,32 - 2,63 - 1,82 - 307,0 - 15,8
1992 - 2,56 - 2,93 - 1,97 - 368,6 - 17,2
1993 - 2,63 - 3,14 - 2,11 - 509,4 - 17,5
1994 - 2,93 - 3,41 - 2,32 - 480,9 - 19,2
1995 - 3,63 - 4,05 - 2,54 - 424,2 - 23,4
1996 - 3,48 - 4,05 - 2,59 - 568,8 - 22,2
1997 - 3,81 - 4,46 - 2,86 - 649,3 - 24,0
1998 - 4,24 - 4,85 - 2,85 - 612,5 - 26,3
1999 - 4,75 - 5,53 - 3,15 - 770,6 - 29,1
2000 - 5,01 - 5,92 - 3,36 - 906,0 - 30,4
Fonte: CONAB, ANUALPEC, APINCO, ABEF.
Para responder ao consumo crescente, a produção teve que aumentar as taxas elevadas na década. Assim, no início dos anos 90, produzia-se anualmente cerca de 2,63 milhões de toneladas/equivalente carcaças de frango, enquanto que em 2000, este número foi de 5,92 milhões de toneladas, representando um significativo aumento de 125,1% no período analisado.
Para existir a produção de carne de frango deve haver a demanda e, principalmente, o alojamento de pintos de corte, que respondem pela oferta do setor produtivo. Desta forma, no período em questão, observou-se uma expansão da ordem de 84,6% nos alojamentos, com a produção partindo dos 1,82 bilhão de cabeças no início da década para os 3,36 bilhões de cabeças no final dos anos 90.
Expansão de 200% na década
A evolução das exportações de carne de frango na década de 90 também representou um fato bastante significativo para este importante setor produtivo do agronegócio nacional, pois as vendas cresceram 195,1%. No início dos anos 90, o Brasil comercializava com o mercado mundial apenas 300 mil toneladas do produto. No ano 2000, este volume foi de 902 mil toneladas, ou seja, 532,9 mil toneladas em frangos inteiros mais 373,1 mil toneladas em cortes de frango.
No caso do consumo per capita de carne de frango, também observou-se um comportamento bastante favorável ao longo da década, pois a sua demanda cresceu significativos 92,4% no período analisado, partindo dos 15,8 quilos por habitante por ano na início do período e atingindo os 30,4 quilos por habitante por ano ao final dos anos 90.
Mercado na semana
O preço médio do frango vivo negociado no Paraná permaneceu com a cotação estabilizada esta semana no mesmo patamar da anterior, com o quilo sendo comercializado a R$ 0,83 nas principais praças produtoras do Estado. Ao longo de mês de maio, observou-se que o preço do frango recuou 4,6% no Paraná, variando de R$ 0,87 para R$ 0,83. Quando relacionamos a atual cotação com o preço médio observado em abril deste ano (R$ 0,85), registra-se retração de 2,4% nos preços e, quando comparada com a cotação média nominal praticada no mesmo período do ano passado (R$ 0,72), notamos um incremento da ordem de 15,3% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]

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