T R I G O
ÁREA CRESCE 4,2% NO RIO GRANDE DO SUL
Para os produtores gaúchos a safra 2000 de trigo teve resultados positivos. A produtividade das lavouras gaúchas no ano passado foi de 1.589 Kg/ha (64 sacas por alqueire), um volume relativamente baixo mas que é 8,6% superior à produtividade média no Rio Grande do Sul nos últimos cinco anos. Em termos de preços os resultados foram melhores. Com a quebra da safra paranaense os gaúchos comercializaram mais facilmente a sua produção.
O resultado é o aumento na área plantada com trigo este ano no Rio Grande do Sul. A estimativa da Emater gaúcha é de que sejam plantados cerca de 585 mil hectares, 4,25% a mais do que no ano passado e a maior área desde 1996. A produção está projetada (no momento) em 935,9 mil toneladas.
No Paraná, a estimativa atual é de manutenção da área em 762,9 mil hectares e a produção está projetada em torno de 1,68 milhão de toneladas (quase o triplo das minguadas 569 mil toneladas colhidas em 2000). A produção projetada do Paraná e Rio Grande do Sul totaliza 2,61 milhões de toneladas, 58% acima da produção nacional de 2000. Os números para os demais Estados deverão sair no levantamento de julho da CONAB.
A produtividade esperada no Rio Grande do Sul é de 64,5 sacas/alqueire e no Paraná a estimativa varia entre 84 e 93,2 sacas/alqueire, média de 88,7 sacas/alqueire. As lavouras paranaenses hoje têm plena condição de atingir esta média, o que seria recorde estadual.
Lavoura mais cara
A tabela apresenta um orçamento para um hectare de trigo no Paraná, tendo como base uma produtividade esperada de 45 sacas por hectare (108,9 sacas/alqueire) e preços de insumos do DERAL do mês de abril deste ano e do ano passado. O objetivo é analisar o custo variável nestas condições.
Os dados mostram que, a preços de abril deste ano, o desembolso com a lavoura cresceu quase 15% em relação a abril do ano passado. Os principais itens que motivaram o aumento foram o preço da semente (38,1% mais cara), da uréia (34,2%) e do combustível (22,2%).
O preço de equilíbrio nestas condições (menor preço que iguala o desembolso por hectare) passa de R$ 10,01/sc da safra passada para R$ 11,51/sc este ano. Para aqueles produtores que tiverem um custo variável próximo do que se apresenta na tabela, e com a produtividade dentro da faixa esperada, há chances de que os preços na safra permitam recuperar o valor gasto e gerar sobra.
Estados Unidos
O plantio de trigo de primavera nos Estados Unidos já cobre 78% da área prevista (7,28 milhões de hectares), um ritmo dentro da normalidade e um pouco (4%) acima da média dos últimos cinco anos. O desenvolvimento das lavouras de trigo de inverno também está dentro do ritmo normal.
A situação das lavouras de inverno, no entanto, é pior do que no ano passado. Na avaliação do USDA referente à semana passada (20 de maio), 9% da área está classificada como em situação péssima (6% no ano passado), 18% como ruim (13% ano passado), 35% em condição razoável (contra 29% no ano anterior), 32% em boas condições (contra 41%) e apenas 6% em condição excelente (11%). Para as lavouras de primavera, 6% estão em condição ruim/péssima (6% em 2000), 31% razoáveis (24%) e 63% boas/excelentes (70% ano passado).
No Paraná, a classificação do DERAL da semana passada (com cerca de 60% da área plantada), foi de 7% em situação média e 93% em boas condições. É torcer para que os números continuem bons.
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
S U Í N O
Os grandes números do setor na década de 90
O Brasil hoje pode ser considerado como o 8º maior produtor mundial de carne suína mas, se mantidas as atuais condições, em pouco tempo galgará posições muito mais significativas neste cenário globalizado.
A produção de carne suína estimada para o ano de 2001 é de aproximadamente 2,06 milhões de toneladas e para isto, dispomos de um plantel de 37,7 milhões de suínos além de 2,4 milhões de matrizes. Os abates projetados para este ano são da ordem de 26,1 milhões de cabeças e, destes, 78% possuem Inspeção Federal enquanto que os 22% dos abates restantes são clandestinos (sem CIF), o que compromete a sanidade da carne e atrapalha de forma negativa o mercado.
No agronegócio suíno, aproximadamente 735 mil pessoas dependem diretamente desta cadeia produtiva que disponibiliza renda para cerca de 2,7 milhões de brasileiros.
Com relação ao volume total de carne suína consumida no Brasil, mais de 70% é industrializada, enquanto que os 30% restantes são consumidos ‘‘in natura’’. Para o ano, projeta-se que as exportações brasileiras de carne suína atinjam a quantia de 160 mil toneladas, principalmente para o mercado russo, que tem sido o grande comprador do produto este ano.
Além dos aspectos positivos já comentados, nota-se que o Brasil possui algumas vantagens comparativas em relação aos outros produtores mundiais de carne suína. Entre elas citamos o grande potencial nacional em produzir o milho e soja (que são os insumos básicos de alimentação), a disponibilidade de áreas para a ampliação do plantio em mais de 100 milhões de hectares, bem como a capacidade para a implantação de novos projetos nas regiões de expansão agropecuária.
Os indicadores do setor
Ao analisarmos os principais indicadores da suinocultura nacional, podemos notar a grande expansão que o setor apresentou ao longo de década de 90, conforme pode ser visualizado na tabela.
Quando verificamos o comportamento do consumo de carne suína no Brasil notamos que o mesmo apresentou um incremento da ordem de 78,6% na década, saindo dos 1,03 milhão de toneladas em 1990 para os 1,84 milhão de toneladas em 2000.
No caso dos abates suínos, os números também são significativos, pois, no início da década abatia-se anualmente cerca de 19 milhões de animais enquanto que em 2000, este número foi de 26,1 milhões de suínos, representando um incremento de 29,7% no período analisado.
Para a produção de carne suína, os resultados na década também não são diferentes, pois, a mesma apresentou o fantástico incremento de 96,2%, representando com isto todos os esforços do setor produtivo para alcançar os mesmos níveis de produtividade e eficiência apresentados pela avicultura de corte brasileira. Desta forma, a produção partiu dos 1,05 milhão de toneladas no início dos anos 90 para algo em torno de 2,0 milhões de toneladas no final da década.
Crescimento de quase 1.000%
A evolução das exportações de carne suína na década de 90 também representaram um fato bastante importante para este setor produtivo do agronegócio nacional, pois, conseguiram apresentar um inacreditável incremento da ordem de 874,7% no período analisado em um mercado cada vez mais globalizado e cercado de barreiras tarifárias e subsídios. Para se ter idéia deste fato no início da década os volumes negociados com o mercado externo avultavam 13 mil toneladas enquanto que no ano 2000 atingiram o volume de 127,9 mil toneladas.
As receitas cambiais geradas com estas negociações internacionais também foram fantásticas, apresentando um incremento de nada menos que 679% no período analisado, pois, no começo da década as exportações geravam cerca de US$ 22 milhões, enquanto que ao final do ano passado atingiram mais de US$ 170 milhões.
Apesar das exportações apresentarem incrementos significativos, o preço médio da tonelada de carne suína exportada oscilou bastante na década, atingindo um pico de preço no ano de 1995 com a tonelada valendo US$ 2.500 no mercado internacional. Nos anos seguintes, em termos nominais, a cotação sofreu uma redução significativa atingindo o valor médio de US$ 1.340 ao final do ano 2000.
Finalmente, no caso do consumo ‘‘per capita’’ de carne suína, também observou-se um comportamento bastante favorável ao longo da década, pois, apesar de aparecer sempre como a terceira opção de proteína animal na cesta de consumo do brasileiro, a sua demanda cresceu significativos 50% no período, partindo dos 7,3 quilogramas por habitante/ano no início da década e atingindo os quase 11 quilogramas por habitante/ano ao final dos anos 90.
Mercado na semana
O preço médio do suíno em pé, negociado no Estado do Paraná, apresentou uma retração da ordem de 0,83% em relação a cotação observada na semana passada (R$ 1,20), com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,19 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada com a cotação média de maio (R$ 1,23) observa-se uma redução da ordem de 3,3% na mesma ao longo da quinzena. Quando relacionada a atual cotação com o preço médio observado em abril deste ano, registra-se retração de 4,8% nos preços e, quando comparada com a cotação média nominal praticada no mesmo período do ano passado (maio de 2000) notamos um incremento da ordem de 26,6% nas cotações.


João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]

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