AGROMERCADO
M I L H O
Primeiros números da safra 01/02
Agora em maio o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou os primeiros números da safra 2001/2001. Os números refletem, basicamente, os dados preliminares e expectativas para a produção de milho no hemisfério norte. Já o plantio no hemisfério sul só ocorre no segundo semestre. Portanto, como sempre, este números são apenas indicações e vão mudar certamente ao longo deste ano e início do próximo. Mesmo assim, vale a pena dar uma olhada nas projeções iniciais.
Como se divulgou em abril, deve haver redução na área plantada com milho (4%) e a produção deve ser menor este ano, estimada por enquanto em 243,22 milhões de toneladas ou 4% inferior à produção do ano passado. Para os demais países do mundo a expectativa é de aumento na produção em quase 34 milhões de toneladas, o que levaria a produção mundial para um novo recorde de 608 milhões de toneladas.
A maior parcela do aumento na projeção de produção vem da China, que na safra 00/01 colheu 105 milhões de toneladas e deve produzir 125 milhões de toneladas pela projeção atual. A China produziu quase 133 milhões de toneladas na safra 98/99 e 128 milhões na safra 99/00. Portanto, o ano passado interrompeu a sequência de aumento que vinha ocorrendo na produção chinesa, mas o crescimento deve voltar na próxima safra.
Os outros 10,4 milhões de toneladas de aumento na produção seriam distribuídos entre diversos países como Argentina, África do Sul, México, os países da comunidade européia, Ásia e etc.
Como não há uma projeção de aumento no consumo maior do que na produção, os estoques ficam praticamente os mesmos da safra passada (150 milhões de toneladas), o terceiro maior da história, perdendo apenas para o estoque final das safras 99/00 (174,37 milhões de toneladas) e 00/01 (155,3 milhões por enquanto). Por sinal o USDA fez uma enorme revisão nos estoques finais de milho destas últimas safras - revisão proveniente apenas dos números da China cujos estoques, ao que se sabe agora, são muito maiores do que se tinha conhecimento. Talvez você se lembre que a produção mundial da safra 99/00 foi recorde histórico de 606,74 milhões de toneladas e por isso, os estoques ultrapassaram 170 milhões.
O resumo é que os números da safra 01/02 não são muito bons, pois indicam novo aumento na produção ao invés de redução da mesma ou aumento mais que proporcional no consumo. Isso não permite a recuperação dos preços do milho de forma significativa. Porém, os números são preliminares e o mais importante é a redução esperada na produção americana, que equivale a mais de 40% da produção mundial.
Como a produção mundial da safra 00/01 está estimada em 583,83 milhões de toneladas, a projeção do USDA representa aumento da produção e manutenção dos estoques. Por conta destes números, o preço do milho na Bolsa de Chicago do início do mês até esta semana, está 16% menor do que em maio do ano passado. A cotação média do mês de maio até esta semana é de US$ 80,84/tonelada (segundo vencimento).
Mercado interno
No Paraná, o preço ao produtor voltou a subir pela segunda semana consecutiva alcançando média de R$ 7,37/saca, superando o preço mínimo (já não era sem tempo). Apesar deste lado positivo (aumento do preço nominal), o preço em dólar desta semana é o pior da história. Em moeda nacional o preço do milho no Paraná vem se recuperando desde meados de março, com alta acumulada de 3,8%.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
T R I G O
Chance de preços melhores
Com metade da área plantada no Paraná (estimada em 763 mil hectares), os produtores ficam de olho na expectativa dos preços. Neste período de entressafra e com a desvalorização constante do Real, o preço do produto importado, cotado em moeda nacional, fica cada vez maior, fazendo com que o preço médio ao produtor no Estado esta semana supere 15 reais por saca (R$ 250/tonelada).
Não é de se esperar que os preços de entressafra se mantenham na safra, mas tudo indica preços mais altos este ano quando os produtores paranaenses começarem a colher a produção.
O mercado mundial, representado pelas bolsas internacionais como a de Chicago, começam a se mover em função dos números da próxima safra 01/02, cujo plantio ocorreu em parte no final do ano passado e em parte neste primeiro semestre. No relatório de maio, o USDA divulgou as primeiras previsões para a produção mundial do ano safra 2001/2002.
Para o trigo, os números são animadores (ou pelo menos não são desanimadores). A produção mundial está projetada pelo USDA em 572,35 milhões de toneladas, redução de 1% em relação à safra anterior. O percentual é pequeno mas, ao menos, não há previsão de aumento na produção, apesar dos números serem totalmente preliminares.
O trigo, assim como outros produtos agrícolas, vem de um ciclo de preços baixos que começou em 95 como reação dos produtores mundiais aos altos preços atingidos por este e outros produtos em 1996. Se a previsão se concretizar, será a primeira vez em 7 anos que a produção mundial de trigo ficará abaixo de 580 milhões de toneladas.
Os estoques finais do grão, no entanto, ainda serão bastante altos (139,6 milhões de toneladas). Os americanos andaram descobrindo que os estoques de grãos em poder da China eram muito maiores do que se supunha. As estatísticas foram todas revisadas (para números bem maiores).
Estes estoques maiores tiveram seus efeitos no mercado americano. Em abril o preço do trigo na Bolsa de Chicago foi, em média, 4% superior à média das cotações de abril do ano anterior. Do início do mês até esta semana, a média deste mês de maio já é 3% inferior aos preços em maio do ano anterior - a reação do mercado aos novos números. Mesmo assim, observe que a diferença ainda é pequena e, com o real desvalorizado, o produto nacional tem mais espaço.
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
S U I N O
O desempenho dos índices zootécnicos de produção
A criação de suínos é uma atividade bastante tradicional no Brasil e tem passado por um processo modernizante nas últimas duas décadas, principalmente nas regiões sul e sudeste, onde se concentra a maior parte da produção nacional. A produção basicamente provém de criações intensivas, em propriedades altamente tecnificadas e que utilizam o sistema de integração vertical com os frigoríficos.
O crescimento da produção nacional e o desenvolvimento das exportações são o resultado de um conjunto de diversos fatores como o índice de produção, o processo integrado, a sanidade animal e a qualidade da carne suína. Destes fatores, há que se destacar os índices de produção, que não deixam nada a desejar aos obtidos pelo produtores mais tecnificados do mercado europeu e norte americano.
Os índices de produção do Brasil
Atualmente no Brasil existem cerca de 118 frigoríficos, que respondem pelo abate de cerca de 23,5 milhões de suínos por ano. No Sul do país, a taxa de abate média tem sido de 23 suínos terminados por matriz por ano, que alcançam a média de 100 kg no período de 153 dias. Esses índices de produção e produtividade, além de excelentes, são comparáveis aos obtidos nos EUA, Canadá, Dinamarca e outros países considerados como modelo de produção, conforme pode ser visualizado na tabela.
Tabela - - Comparativo de índices de produção zootécnica da suinocultura entre o Brasil, EUA e Canadá, 2000.
Comparativo de produção - EUA - Canadá - Brasil - BR/EUA (%) - BR/CAN (%) -
Leitões nascidos totais por porca - 11,7 - 11,7 - 10,7 - - 8,6 - - 8,6
Leitões nascidos mortos por porca - 0,77 - 0,65 - 0,50 - - 35,1 - - 23,1
Leitões desmamados por porca - 9,60 - 9,71 - 9,96 - + 3,8 - + 2,6
Leitões desmamados por porca por ano - 21,8 - 23,0 - 24,2 - + 11,0 - + 5,2
Parto por porca por ano - 2,27 - 2,37 - 2,44 - + 7,5 - + 3,0
Fonte: USDA, Abipecs, Porkworld, agroceres PIC e PigCHAMP.
Em quatro dos cinco quesitos escolhidos para esta análise comparativa, o Brasil mostrou-se mais eficiente e competitivo que os EUA e o Canadá. No caso do número de leitões nascidos por porca, o Brasil apresentou o valor de 10,7 animais enquanto que o Canadá e os EUA, 11,7 e, apenas nesta caso, o nosso índice de produção foi 8,6% inferior ao deles. No aspecto do número de leitões nascido mortos fomos 35,1% mais eficientes que os americanos e 23,1% mais que os canadenses, pois a mortalidade nesses países é superior à nossa média. Assim, apesar de termos uma taxa de nascimento menor, nossos animais morrem menos no parto, compensando essa diferença positivamente a nosso favor.
Quando analisamos o aspecto do número de leitões desmamados, conseguimos obter quase 10 animais por porca e somos 3,8% e 2,6% mais eficientes do que os americanos e os canadenses respectivamente. Se extrapolarmos essa informação a nível do número de leitões desmamados por porca por ano, o Brasil atualmente consegue gerar 24,2 animais, enquanto que os americanos geram apenas 21,8 e os canadenses, 23 animais por ano.
No último quesito analisado, ou seja, o número de partos por porca por ano, o Brasil tem obtido o valor de 2,44 partos anuais, o que representa um incremento de 7,5% em relação aos produtores americanos, e 3% quando comparado com o índice dos produtores canadenses.
A Performance Reprodutiva
Além desses dados que comprovam toda a nossa capacidade competitiva e produtiva em relação aos grandes produtores deste mundo globalizado, existem outras informações, segundo a Agroceres PIC e a PigCHAMP, sobre o desempenho médio dos produtores brasileiros em 2000.
No caso da taxa média de parição, a mesma foi de 84% enquanto que os 10% dos melhores produtores nacionais analisados obtiveram um valor de 89,5%. A média de peso ao nascer da leitegada foi de 1,5 kg enquanto que os 10% dos melhores produtores tiveram um valor de 1,3 kg, pois têm uma média de nascidos superior ao estrato médio. O intervalo entre partos médio registrado foi de 144 dias, enquanto que os 10% dos melhores produtores alcançaram o valor de 143 dias.
Analisando esses dados, podemos ter certeza de que a suinocultura nacional, como a avicultura de corte, está caminhando para se tornar uma das potências do agronegócio nacional e uma exportadora líquida de carne e divisas para o Brasil.
Na semana, o suíno
O preço médio do suíno em pé negociado no Estado do Paraná apresentou uma retração da ordem de 4% em relação à cotação observada na semana passada (R$ 1,25), com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,20 nas principais praças produtoras do estado. Quando comparada com a cotação média de maio (R$ 1,24), observa-se uma redução da ordem de 3,2% na mesma ao longo da quinzena. Quando relacionada a atual cotação com o preço médio observado em abril deste ano, registra-se retração de 4% nos preços e, quando comparada com a cotação média nominal praticada no mesmo período do ano passado (maio de 2000), notamos um incremento da ordem de 27,7% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]





