B O I G O R D O
FRIO E AFTOSA DERRUBAM PREÇOS
Nessa semana, o preço médio do boi gordo ao produtor paranaense recuou expressivos 3,6%, passando de R$ 41,5 para R$ 40 por arroba, nos negócios com 30 dias de prazo para pagamento. O retrocesso nos preços, em relação à semana anterior, foi motivado por dois fatores principais, ambos provenientes do Rio Grande do Sul: a entrada da primeira frente fria de maior intensidade neste outono e a reentrada da aftosa em solo gaúcho.
Nesse momento, o mais importante dos fatores a pressionarem negativamente os preços está relacionado às constatações de focos de febre aftosa no rebanho gaúcho. No curto prazo, essa notícia tem um impacto bastante negativo para o mercado, pelo fato de ser extraordinária e gerar uma reversão de expectativas nos agentes econômicos. Isso ocorre por que um fato extraordinário interfere no emocional de frigoríficos e pecuaristas, trazendo desvantagens a esse último nas negociações diárias de preços. Além disso, nesse momento, as notícias sobre a reentrada da aftosa no Rio Grande do Sul são acompanhadas por notícias sobre paralisações de frigoríficos naquela região e, por notícias sobre possíveis dificuldades futuras que o País pode ter nas exportações brasileiras de carne bovina.
No médio prazo, contida a evolução sul-norte da febre aftosa (o que todos esperamos), os ânimos do mercado devem voltar ao normal, e os preços do boi gordo deverão novamente refletir a oferta e demanda diária do mercado de carnes.
A frente fria, vinda do Sul, também colaborou para o enfraquecimento das cotações do boi gordo nessa semana. Não pela sua intensidade (pois não geou nem mesmo nas baixadas), mas pelo fato de ser a primeira frente fria do ano. O raciocínio básico do mercado é que a chegada do frio compromete as pastagens e, portanto, a capacidade de engorda futura dos animais. Isso incentiva a venda dos animais prontos para o abate aos frigoríficos, aumentando a oferta e derrubando os preços no curto prazo.
Entressafra
Salvo surpresas, os preços do boi gordo devem voltar a subir a partir de junho, quando o frio mais intenso no Sul/Sudeste e o período de seca no Centro-Oeste, passarem efetivamente a comprometer o desenvolvimento das pastagens e dificultar a engorda extensiva dos animais.
No momento, as expectativas do mercado apontam para os seguintes preços do boi gordo, nas principais praças de comercialização do Estado do Paraná: R$ 41 por arroba em junho; R$ 42,5 por arroba em julho; R$ 43 por arroba em agosto; R$ 44 por arroba em setembro; R$ 45,5 por arroba em outubro; R$ 46 por arroba em novembro e R$ 45 por arroba em dezembro.
O gráfico apresenta a referida projeção dos preços médios mensais para o segundo semestre do ano, além da evolução semanal dos preços de janeiro até o presente mês de maio.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
A L G O D ÃO
OFERTA AUMENTA EM JUNHO
No Paraná, 88% dos 67,13 mil hectares plantados com algodão nesta safra, haviam sido colhidos até final do mês de abril. A colheita este ano está acontecendo um pouco mais rápido do que no ano passado (79% no mesmo período) e do que no ano anterior. A produção estadual está estimada em 155,26 mil toneladas, 24,6% a mais do que na safra passada. O aumento na produção veio do aumento de área e não de produtividade, que deve ser igual à da safra 99/00 (373,2 arrobas de algodão em pluma por alqueire).
A previsão da Conab para a região Centro-Sul é de que, ao final deste mês de maio, 30% da produção de algodão da região Centro-Sul, estimada em 772,9 mil toneladas de algodão em pluma, estejam colhidas e disponíveis para comercialização. O forte da safra, que é a produção do Centro-Oeste, começa a ser colhida em junho e termina no começo de agosto.
Ao final do mês de junho, a expectativa é de que 66% da produção da região Centro-Sul esteja efetivamente colhida. Portanto, espera-se para junho (e mesmo em maio) algum recuo dos preços pelo aumento efetivo de produto disponível. A produção nacional está estimada em 858,8 mil toneladas de pluma, a segunda maior safra desde 87/88 (863,6 mil toneladas). O recorde nacional ainda é a safra 84/85 (960,6 mil toneladas de pluma).
É pena que o aumento na produção brasileira ocorra num momento de preços mais baixos no mercado externo. O gráfico mostra os valores médios mensais do indicador do algodão Esalq/BM&F, das cotações para primeiro vencimento na Bolsa de Nova York e o preço praticado no atacado paranaense de maio de 1997 até este mês de maio (primeiras duas semanas do mês). Todos os valores estão em dólar por arroba. Observe que os preços atuais são os menores da série apresentada. Preços maiores no mercado externo permitiriam preços maiores no mercado interno.
Vale uma outra observação quanto aos dados. O indicador do algodão é o preço médio da pluma posto em São Paulo. A média deste início de maio é de R$ 29,27/arroba (88,50 centavos de real por libra peso). O preço mínimo da pluma nesta safra 00/01 é de R$ 28,60/arroba. Portanto, neste início do mês, antes da entrada da produção do Centro-Oeste o preço em São Paulo está apenas 67 centavos acima do preço mínimo. Isto leva à preocupação de que o governo tenha de agir mais fortemente em junho para garantir o preço mínimo aos produtores.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
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F R A N G O
A RELAÇÃO DE TROCAS FAVORECE OS AVICULTORES
Uma análise comparativa real utilizando preços deflacionados (preço sem o efeito da inflação) para níveis de março de 2001 através da utilização do IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna da FGV) entre os cinco primeiros meses de 2001 contra o mesmo período do ano anterior pode traduzir melhor o momento favorável vivido pelos avicultores paranaenses, conforme pode ser visualizado na tabela.
Entre janeiro e março deste ano registrou-se no mercado uma redução da ordem de 2,4% nas cotações do quilograma do frango vivo que voltou a reagir positivamente em abril e maio alcançando, respectivamente, os valores de R$ 0,85 e R$ 0,87 por quilograma. No mês de maio corrente, a cotação do frango apresentou-se 2,3% acima da média da cotação real observada no período analisado (R$ 0,85).
Ano passado, no mesmo período em questão (janeiro-maio), as cotações do frango vivo no Estado do Paraná apresentaram sistematicamente uma tendência de redução de preço da ordem de 16,1%, valendo, em termos reais, R$ 0,93 em janeiro contra R$ 0,78 em maio. Desta forma, a cotação do quilograma do frango está, em termos reais, 11,5% mais valorizada do que em abril de 2000.
No caso do milho, insumo fundamental para a avicultura, observou-se que em 2000 os preços estavam bastante elevados, com a saca sendo negociada em valores reais a R$ 12,24 na média do Paraná (janeiro/maio). Atualmente, a mesma saca de milho está valendo em média R$ 7,40, ou seja, 40% menos que o valor pago pelos produtores no mesmo período do ano passado.
Na relação de trocas (quilogramas de carne de frango necessários para a compra de uma saca de milho) observamos que em 2000 a situação também não foi nada boa para os produtores, pois, necessitavam em média 14,3 quilogramas de carne para a compra de uma saca de milho. Atualmente, esta relação melhorou 37,8% para o lado dos avicultores que precisam, em média, de apenas de 8,9 quilogramas do produto para compra de uma unidade do insumo.
TABELA - RELAÇÃO DE TROCAS ENTRE A SACA DE MILHO E O QUILOGRAMA DO FRANGO NO PARANÁ, 2000-2001, EM R$ DEFLACIONADOS.
item/mês - Jan - Fev - Mar - Abr - Mai - Média Jan/Mai
Preço do kg do frango em 2000 - 0,93 - 0,90 - 0,85 - 0,81 - 0,78 - 0,85 -
Preço real do kg do frango em 2001 - 0,83 - 0,81 - 0,81 - 0,85 - 0,87 - 0,83 -
Variação (%) do preço frango entre 2000 e 2001 - - 10,75 - - 10,00 - - 4,71 - + 4,94 - + 11,54 - - 2,35 -
Preço da saca de 60 kg do milho em 2000 - 13,03 - 12,78 - 11,90 - 11,61 - 11,87 - 12,24 -
Preço da saca de 60 kg do milho em 2001 - 8,04 - 7,33 - 7,14 - 7,21 - 7,27 - 7,40 -
Relação de trocas (milho versus frango 2000) - 14,0 - 14,2 - 14,0 - 14,3 - 15,2 - 14,3 -
Relação de trocas (milho versus frango 2001) - 9,7 - 9,1 - 8,8 - 8,5 - 8,4 - 8,9 -
Fonte: Agromarket com cálculos do autor para o mês de março de 2001.
Entre janeiro e maio deste ano, registrou-se um ganho de 13,4% nesta relação de trocas para o lado dos avicultores, pois, o preço real da saca de milho variou de R$ 8,04 em janeiro para atuais R$ 7,27 (queda de 9,6% no preço) enquanto que a cotação do frango variou de R$ 0,83 em janeiro para R$ 0,87 em maio corrente (incremento de 4,8% nas cotações).
Desta forma, pode-se notar que a situação da avicultura paranaense está bastante favorável aos produtores neste momento.
Na semana, a cotação do frango
O preço médio do frango vivo negociado no Estado do Paraná apresentou um incremento da ordem de 1,2% em relação a cotação observada na semana passada, com o quilograma da ave sendo comercializado a R$ 0,87 nas principais praças produtoras. Quando comparada com a cotação média de abril (R$ 0,85) observa-se um ganho da ordem de 2,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos um incremento de 20,8% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]

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