AGROMERCADO
M I L H O
MÊS DECISIVO PARA O PLANTIO NOS ESTADOS UNIDOS
O plantio de milho nos Estados Unidos começa em abril e termina na segunda quinzena de junho. É neste mês de maio que se define para valer o tamanho da área a ser plantada com a cultura naquele país. O gráfico mostra o ritmo do plantio de milho e soja nos Estados Unidos, na média dos últimos cinco anos. Na safra passada o plantio foi tão antecipado que toda a área de milho estava plantada antes do final do mês de maio.
Este ano o ritmo está exatamente dentro da média com 28% da área prevista (31,04 milhões de hectares) plantados até o dia 29 de abril. Na safra 00/01 os americanos plantaram 32,2 milhões de hectares e concluíram o plantio bem antes do que nesta nova safra 00/01. Para se ter uma idéia, na mesma data do ano passado, 45% da área já estava plantada.
Como o momento é importante para definir a área exata do milho (que já deve reduzir 4% em relação ao ano anterior), o mês de maio será marcado pelo conhecido weather market ou mercado do tempo, com as cotações do milho e de outros produtos oscilando ao sabor das previsões climáticas para as regiões produtoras nos Estados Unidos. Estas oscilações de curto prazo tem pouca ou nenhuma influência nos preços de cada dia no mercado brasileiro mas, o plantio em maio dará o tom do mercado nos próximos meses e esta tendência de médio prazo é que nos interessa pois estes preços vão definir o preço internacional de milho, que é o parâmetro para os preços internos em economias abertas como o Brasil.
Para o produtor brasileiro de milho o melhor que pode ocorrer é atrasar o plantio nos Estados Unidos. Neste caso, parte da área que seria destinada ao milho passa para a soja e permite preços maiores para o milho (e menores para a soja, infelizmente).
Por enquanto a evolução no plantio não está ajudando em grande coisa para elevar os preços, que chegaram a menos de 77 dólares por tonelada na semana passada (menor preço desde setembro do ano passado quando os americanos colheram a segunda maior safra de sua história). Nos últimos dias a situação melhorou um pouco com a leve recuperação nas cotações do grão na Bolsa de Chicago que chegaram a superar 79 dólares por tonelada no caso do contrato de julho deste ano.
Já é alguma coisa, mas o preço do milho ainda está baixo no mercado internacional. A cotação média na bolsa americana neste mês de abril foi de 205,45 centavos de dólar por bushel (equivalente a US$ 80,90/t), 9,76% abaixo da média de abril do ano passado e 29,3% abaixo da cotação média no mês de abril dos últimos cinco anos.
Mercado interno
De forma geral o preço do milho se manteve estável na última semana nas diversas regiões do País, inclusive no Paraná, onde o preço ao produtor continua abaixo do preço mínimo desta safra estipulado em R$ 7,28/saca. Vende apenas quem precisa fazer caixa.
O plantio da safrinha ocorreu mais cedo este ano, tendo-se encerrado na semana passada com base em levantamento do Deral. No ano passado o plantio de milho safrinha terminou apenas na segunda quinzena de maio. A última vez que o plantio de safrinha terminou em abril foi em 1996, o que também permitiu colher um pouco antes. Em geral a colheita começa mesmo na segunda quinzena de maio mas este ano, deve ocorrer mais cedo. Portanto, produto novo à vista. A produção de safrinha do Paraná está estimada entre 2,77 e 3,05 milhões de toneladas, bem maior do que as magras 1,3 milhão de toneladas que ainda se conseguiu colher depois do clima do ano passado.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
T R I G O
900 MIL HECTARES A MENOS NOS ESTADOS UNIDOS
O levantamento do USDA sobre o plantio de trigo nos Estados Unidos para a safra 01/02 indica que a área a ser plantada será de 24,4 milhões de hectares, 3,6% a menos do que na safra anterior e a menor área plantada desde 1973. Este percentual aparentemente pequeno representa 902,5 mil hectares que deixarão de ser cultivados nos Estados Unidos, país que é o maior exportador mundial de trigo.
A área plantada com trigo de inverno foi de 16,73 milhões de hectares, a menor desde a safra de 1971. Da área total plantada no inverno, 70,5% é do trigo Hard Red, 21,3% do tipo Soft Red e os 8,2% restantes foi plantada com trigo branco. O plantio de primavera deve totalizar 7,67 milhões de hectares, 1,1% a menos do que na safra anterior. Deste total, 1,4 milhão de hectares serão plantados com trigo do tipo durum - área que representa redução de 12% em relação ao ano anterior.
Em Kansas, Estado maior produtor de trigo dos Estados Unidos com 9,47 milhões de toneladas colhidas na safra 00/01, a área deve crescer 2% (área está estimada em 4 milhões de hectares). Em Dakota do Norte, segundo maior produtor com 8,5 milhões de toneladas produzidas na safra 00/01, a área reduziu em 1,08%, devendo ser plantados 4,07 milhões de hectares.
A produção americana vem reduzindo continuamente nos últimos cinco anos (veja tabela). Em escala mundial a produção vem reduzindo desde a safra 97/98 quando foi alcançado o volume recorde de 609,2 milhões de toneladas de trigo. Na safra 00/01 a produção mundial está estimada em 580,67, redução de 4,7% - que parece um percentual pequeno, mas equivale a 30,36 milhões de toneladas.
A redução na produção mundial vai ajudar a recuperar os preços do trigo no mercado mundial. A média das cotações do trigo nos primeiros quatro meses deste ano é 35,8% inferior aos preços praticados em 1996. A média das cotações do trigo neste mês de abril é 3,6% superior à média de abril do ano passado. Já é um começo.
Francisco Guimarães
e-mail: [email protected]
O TRANSPORTE NO BRASIL
Dentro do agronegócio brasileiro, o encaminhamento da produção agropecuária desde as mais distantes propriedades rurais até o consumidor final é proporcionado pelo transporte, gerando com isto a chamada utilidade de lugar. Assim, a função de transporte de fatores de produção ou de produtos cria a possibilidade de que estes bens do agronegócio estejam disponíveis no local, no tempo e na quantidade desejada pelos consumidores, ficando clara a sua importância diante da crescente separação geográfica entre a produção e o consumo que o desenvolvimento econômico, a globalização e outros fatores vem causando no Brasil já a algum tempo.
O transporte, neste aspecto, envolve a escolha de um conjunto de modais (tipos de transporte) e de diferentes rotas que buscam facilitar toda a logística de comercialização, bem como a redução de custos para tornar o produto competitivo.
No Brasil, a pouca eficiência nos sistemas de transporte de cargas tem levado o agronegócio nacional a se deparar com muitas dificuldades no que tange a produzir de forma competitiva, tanto para o mercado interno quanto para o externo, devido a inadequação das estruturas de transporte e logística, conforme já vínhamos comentando em edições anteriores. Este fato pode ser observado, de forma dramática, mais uma vez este ano, com a ampliação de apenas 15% da produção paranaense de grãos (milho e soja), que causou congestionamentos em Paranaguá e problemas em muitas cooperativas e indústrias do Estado, que não estavam preparadas ou programadas para receber este volume maior de produção.
Atualmente, cerca de 60% do transporte de cargas do agronegócio brasileiro é realizado pelo modal rodoviário em aproximadamente 1,7 milhão de veículos, restando 20% do volume de cargas para o transporte ferroviário, 15% para o hidroviário e apenas 5% para o dutoviário e aéreo, conforme pode ser observado na tabela 1. Apesar da distância econômica universal do transporte rodoviário ser de aproximadamente 500 quilômetros, muitos produtos agrícola percorrem distâncias bastante superiores à esta, como é o caso do farelo de soja (555 km), da soja em grão (756 km), do trigo (851 km), do milho (1.603 km) e do arroz (1.653 km), gerando com isto a chamada perda de competitividade e agravamento do Custo Brasil.
Tabela 1 - Evolução e participação percentual (%) no transporte de cargas do agronegócio brasileiro por modal de transporte, 1978-1999.
Além deste grande passeio que os produtos agrícolas sofrem, deve-se lembrar do impacto que o custo do transporte acaba gerando no valor do produto. Para o milho, cerca de 22% dos seu preço reflete o valor do frete, enquanto que para a soja este valor é de 16%, para o trigo 15% e para o café apenas 2%, em média.
Nos EUA, Europa e em outros países desenvolvidos, o volume transportado pelo modal rodoviário não ultrapassa 25% do volume total de cargas, o que gera as já conhecidas vantagens destes países frente ao Brasil.
A infra-estrutura do Transporte
Atualmente, um dos grandes gargalos para o agronegócio nacional vem a ser a infra-estrutura de transportes. Em 1999, o volume total transportado de cargas em toneladas-quilômetro pelos cinco principais modais de transporte utilizados pelo Brasil alcançou o volume de 723,6 bilhões de toneladas-quilômetro.
A chamada malha rodoviária brasileira, que inclui estradas federais, estaduais e municipais dispõe de 1,73 milhões de quilômetros onde apenas 9,5% (164,2 mil quilômetros) são pavimentados. A distribuição desta malha viária pode ser considerada regular com grande concentração na Região Sudeste (29,7%), Região Sul (27,6%) e Região Nordeste (23,5%), transportando em 1999 aproximadamente 447,4 bilhões de toneladas-quilômetro. Os EUA, em termos comparativos, possui 6,2 milhões de quilômetros de estradas (3,6 vezes mais do que o Brasil) apesar do seu principal modal de transporte ser o hidroviário.
No caso do transporte ferroviário, existem atualmente 28 mil quilômetros de estradas, mas, grande extensão das linhas e ramais foram construídas em períodos anteriores à 1930. Em 1999, este modal transportou cerca de 140,8 bilhões de toneladas-quilômetro. Boa parte das ferrovias nacionais estão concentradas em São Paulo (5,42 mil quilômetros), em Minas Gerais (5,33 mil quilômetros), Rio Grande do Sul (3,13 mil quilômetros) e Paraná (2,30 mil quilômetros). Os EUA, neste sentido, possuem cerca de 309 mil quilômetros de estradas de ferro (11 vezes mais do que o Brasil) e transportam em média 1,5 trilhão de toneladas-quilômetro ao ano.
No transporte aquaviário de cargas, o Brasil dispõe de 46 portos com custos e infra-estrutura bastante diferentes. Em 1999, este modal transportou 100 bilhões de toneladas-quilômetro principalmente nos portos de Tubarão (ES), Itaqui (MA), Santos (SP), São Sebastião (SP) e Sepetiba (RJ).
Como resultado deste quadro, o agronegócio nacional paga o custo mais elevado do mundo para o escoamento das safras e dos produtos agro-industriais. Segundo a ABAG, são US$ 400 milhões ao ano na espera de caminhões, US$ 200 milhões na espera de vagões, US$ 250 milhões na espera de navios, que, quando adicionados à outras ineficiências (Custo Brasil) perfazem cerca de US$ 2,0 bilhões ao ano em média.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]
NA SEMANA, O SUÍNO E O FRANGO EM BAIXA
O preço médio do suíno vivo (raça) negociado no Paraná apresentou esta semana uma queda da ordem de 0,8% em relação a cotação observada na semana passada (R$ 1,29) com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,28. Quando comparada esta cotação com o preço médio de abril (R$ 1,25) observa-se um ganho de 2,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos um incremento da ordem de 36,2% nas cotações.
No mercado do frango vivo, o preço médio do quilograma negociado no Estado do Paraná apresentou uma retração de 1,15% (R$ 0,86) em relação à cotação observada na semana anterior, quando o mesmo quilograma estava sendo comercializado a R$ 0,87. Quando comparada com a cotação média de abril (R$ 0,85) observa-se ganho de 1,2% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos um incremento da ordem de 19,4% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]





