S O J A
OS NÚMEROS DA COMERCIALIZAÇÃO
Estimativa do DERAL - Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Paraná aponta que, até o último dia 16 de abril, cerca de 36% da produção paranaense de soja safra 2000/2001 já haviam sido comercializados pelos produtores rurais. Esse percentual é ligeiramente superior ao observado no mesmo período do ano passado, quando até o dia 17 de abril de 2000, os produtores paranaenses já haviam vendido 30% da soja safra 1999/2000. Isso significa que o ritmo de vendas da soja esse ano é superior àquele observado no ano passado (36% contra 30%).
Para o milho a situação é inversa. Até o dia 16 de abril de 2001, os dados do DERAL apontam para uma comercialização de 33% do volume produzido com o cereal na safra de verão 2000/2001. No ano anterior, até 17 de abril de 2000, cerca de 35% do volume produzido na safra 1999/2000 já haviam sido vendidos pelos produtores paranaenses.
A paridade de preços entre os dois produtos nesse início de comercialização da safra 2000/2001 explica, em parte, essa pequena mudança no posicionamento dos produtores quanto à comercialização da soja e milho. Nesse ano os preços da soja, apesar de estarem em níveis extremamente baixos, ainda se encontram valorizados frente ao milho (que está em uma situação muito pior). Assim, a atual valorização relativa da soja frente ao milho, induz os produtores rurais, que precisam fazer caixa, a darem preferência as vendas de soja em detrimento às vendas de milho.
Situação dinâmica
A comparação, por sua vez, entre os ritmos de comercialização da safra 2000/2001 com o da safra 1998/1999 já mostra uma situação diferente, indicando que o processo de comercialização desses produtos agrícolas é bastante dinâmico e que os produtores rurais respondem, de forma rápida, às variações dos preços de mercado.
Na safra 1998/1999, a comercialização da soja indicava que até o dia 19 de abril de 1999 cerca de 45% da soja já havia sido vendida, contra 30% em 2000 e 36% em 2001. No caso do milho, a comercialização da safra 1998/1999 indicava que até o dia 19 de abril de 1999 cerca de 40% do milho já havia sido vendido, contra 35% em 2000 e 33% em 2001.
Em linhas gerais, a maior rapidez nas vendas em 1999 ocorreu em função dos maiores preços dos produtos (em Reais) naquele ano, relativamente aos anos anteriores, principalmente em função da significativa desvalorização da taxa de câmbio, ocorrida em janeiro/99, quando o País mudou abruptamente seu regime cambial de taxas fixas para taxas flutuantes.
Dólar e Chicago
A exemplo do ocorrido ao longo do mês de março, agora em abril a valorização do dólar frente ao real e a queda nos preços da soja em Chicago, continuam mantendo estáveis as cotações da soja ao produtor paranaense.
O gráfico mostra, para os últimos dois meses, a evolução diária da taxa de câmbio e do preço da soja em Chicago. A linha ascendente indica que a taxa de câmbio valorizou-se 12,2% no período, passando de R$ 2,046 por dólar em 28/fevereiro para R$ 2,296 por dólar em 25 de abril. No outro sentido, a linha descendente indica que o preço da soja em Chicago desvalorizou-se 6,9% no período, passando de US$ 4,54 por bushel em 28/fevereiro para US$ 4,22 por bushel em 24 de abril.
Importante ressaltar os recentes recordes antagônicos que essas duas variáveis na formação do preço da soja têm apresentado: (1) em 25 de abril (quarta-feira), a taxa de câmbio de R$ 2,296 por dólar registrou sua maior cotação desde o lançamento da nova moeda brasileira (o R$) em julho de 1994; (2) na mesma data, em 25 de abril, o preço da soja em Chicago de apenas R$ 4,22 por bushel (contrato para primeira entrega) registrou seu menor valor desde julho de 1999.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA
A frota nacional de tratores está sucateada!
Dentro do agronegócio brasileiro, o setor de máquinas agrícolas vem a ser o responsável pelo fornecimento de bens de produção, além de ser o emissor do progresso técnico dentro da agricultura. Entre os principais benefícios estão os aumentos de produtividade da terra e do trabalho que contribuem para a redução dos riscos da atividade agropecuária como um todo.
Seguindo o mesmo caminho do setor automotivo, em 1959, o Plano Nacional da Indústria de Tratores Agrícolas de Rodas aprovou seis de 20 projetos de fabricação de máquinas agrícolas no Brasil, buscando com isto, reduzir a importação destes produtos e dando sinal verde para a instalação das indústrias em território nacional. O Governo Federal, neste sentido, concedeu incentivos oficiais através da Lei de Similar Nacional, proporcionando vantagens fiscais, cambiais, entre outras, fazendo com que o setor crescesse muito no País.
Entre 1969 e 1976 ocorreu uma forte expansão do mercado, impulsionado pelo crédito farto e barato. Nos primeiros cinco anos da década 70 surgiram vários novos projetos para a implantação de indústrias, bem como a expansão da capacidade produtiva deste setor, que chegou a produzir nada menos que 110 mil unidades em 1979. Nos anos seguintes, a redução do crédito disponível aos agricultores para investirem na mecanização fez com que as indústrias perdessem fôlego aumentando a ociosidade da produção.
Esta produção irregular, então, pode ser utilizada para caracterizar o desempenho produtivo da indústria de máquinas agrícolas no Brasil até o presente momento. No aspecto qualitativo, pode-se dizer que tanto os tratores como as colheitadeiras automotrizes brasileiras estão em um bom estágio de desenvolvimento tecnológico, mais ainda não comparáveis aos modelos produzidos no exterior.
A frota nacional de tratores
Atualmente, a frota nacional de tratores agrícolas de rodas é composta por nada menos que 450 mil unidades. Deste total, segundo Gentil (2000) da UNB, aproximadamente 51,1% (227.974 unidades) é representado por equipamentos sucateados que operam em bases antieconômicas e que possuem entre 11 e 23 anos de idade. Cerca de 405 mil unidades trabalham em lavouras de mecanização mais intensa (soja, milho, trigo, cana-de-açúcar, arroz, feijão e algodão) e 45 mil em outras culturas de pequena área ou baixa mecanização. Destes 405 mil tratores, 206,9 mil são antieconômicos e 198,1 mil econômicos. Se computado em termos monetários o menor rendimento que esta frota de tratores proporciona para a agricultura, o prejuízo anual estimado ultrapassa os US$ 600 milhões.
O Paraná atualmente ocupa a segunda posição no ranking nacional de mecanização, com uma frota de aproximadamente 77.535 tratores ou 17,23% do total, logo atrás de São Paulo, que possui nada menos que 131.445 tratores (29,21%) conforme pode ser observado na tabela 1.
Por faixa de potência, no Paraná, existem atualmente 4.611 tratores com menos de 50 HP; 53.351 tratores com potência entre 50 à 100 HP; 19.501 tratores com potência entre 100 e 200 HP e apenas 72 equipamentos com potência superior à 200 HP.


Observa-se ainda no Paraná, que dos 7,8 milhões de hectares plantados com todas as culturas, aproximadamente 92% corresponde a áreas de alta mecanização. Com relação ao índice de potência por área (HP/ha) todas as culturas no Paraná utilizam em média 0,92 HP/ha, enquanto que a média nacional é de 0,97 HP/ha, o que significa 99,5 hectares trabalhados por um trator. A média nacional é de 115,5 hectares por trator.
Nota-se que metade da frota nacional é composta por tratores obsoletos (baixos rendimentos, depreciados, de tecnologia ultrapassada) que por consequência oneram ainda mais os já elevados custos de produção, reduzindo sobremaneira a sustentabilidade e a competitividade das propriedades rurais frente ao mercado aberto e globalizado que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos.
João Batista Padilha Junior - Professor da UFPR
e-mail: [email protected]
SUÍNOS E AVES
Na semana, o suíno em alta e o frango estável.
O preço médio do suíno vivo (raça) negociado no Paraná apresentou novamente um incremento da ordem de 2,4% em relação a cotação observada na semana passada (R$ 1,26), com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,29. Quando comparada esta cotação com o preço médio de março (R$ 1,09) observa-se um ganho de 18,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal, praticado no mesmo período do ano passado, notamos um incremento da ordem de 34,4% nas cotações.
No mercado do frango vivo, o preço médio do quilograma negociado no Estado do Paraná permaneceu com a cotação estabilizada no mesmo patamar da observada na semana anterior, quando o mesmo quilograma estava sendo comercializado a R$ 0,87. Quando comparada com a cotação média de março (R$ 0,81) observa-se ganho de 7,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado, notamos um incremento da ordem de 17,6% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Professor da UFPR
e-mail: [email protected]

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