AGROMERCADO
A L G O D Ã O
MERCADO INTERNO MAIS PRÓXIMO DA PARIDADE
Desde maio do ano passado até março deste ano, os preços no mercado interno brasileiro, representados pelo indicador do algodão ESALQ/BMF, se mantiveram bem abaixo dos preços praticados no mercado externo, representados pela cotação do produto na Bolsa de Nova York, para primeira entrega, como pode ser visualizado no gráfico.
O preço médio no mercado brasileiro chegou a estar 27,4% abaixo da cotação internacional, no mês de outubro do ano passado que também foi um ano caracterizado por diferenças acima da média entre mercado interno e externo. Em outras palavras, os preços internos parecem ter ficado abaixo da paridade com o produto importado pois a diferença cresceu muito.
Agora em abril a diferença diminuiu consideravelmente entre os preços interno e externo. Na média do início do mês até esta semana, o preço no mercado interno foi 8,3% inferior ao do mercado externo, contra 13,8% do mês anterior. Esta é a boa notícia. A má notícia é que ambos os preços estão baixos.
Na Bolsa de Nova York a cotação média do algodão para primeira entrega (que agora em abril e o próximo mês de maio) do início do mês até esta semana é de 45,99 centavos de dólar por libra peso (US$ 15,21/arroba) é o pior preço dos últimos cinco anos. Para os dois próximos vencimentos (julho e outubro) a situação é a mesma. Para outubro deste ano, a cotação média na bolsa até agora é de 49,97 centavos de dólar por libra peso, ou o equivalente a US$ 16,52/arroba.
No mercado interno os preços em dólar também são os mais baixos dos últimos cinco anos, no caso do indicador (cuja série começa em 1996). No mercado paranaense o preço em dólar agora em abril (número parcial) é o pior desde 1982 (ano em que o DERAL começou a acompanhar os preços no atacado).
Cientes destes números, tudo indica que os produtores não estarão com pressa de vender este ano. Até o dia 9 deste mês, 60% da área plantada no Paraná (64,5 mil hectares) já estavam colhidos e 30% da produção havia sido comercializada pelos produtores rurais.
É importante registrar que não é apenas o algodão que apresenta os menores preços em dólar em mais de 10 anos. O milho é outro exemplo e, de forma geral, todos os produtos estão com preços em dólar acima da média. No caso do algodão o que está contribuindo para esta situação é que os preços internacionais também estão baixos no momento.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
M I L H O
PRODUZINDO MAIS E RECEBENDO MENOS
O DERAL apresentou nova estimativa para a produção paranaense de milho na safra de verão, com base em levantamentos do mês de março. A mudança não foi pequena. Até fevereiro a produção do Estado estava estimada entre 8,04 e 8,56 milhões de toneladas, volumes que representariam um aumento entre 36 e 44,8% em relação as 5,93 milhões de toneladas colhidas na safra 99/01.
Pela estimativa de março a produção paranaense passa para o intervalo entre 8,1 e 9,1 milhões de toneladas, um crescimento maior no limite superior do intervalo que agora supera 9 milhões. Na média a estimativa para a produção estadual é de 8,96 milhões de toneladas, aumento de 51,5% em relação à safra anterior. Até o dia 9 de abril, 69% dos 1,84 milhões de hectares plantados com milho haviam sido colhidos. Da área que resta a colher, 76% das lavouras estavam classificadas como em boas condições, 23% em condição média e apenas 1% em condição ruim. A situação das lavouras piorou em relação a classificação de 15 dias atrás, mas o cenário geral ainda é bom.
A produtividade média está estimada agora ao redor de 4.857 Kg/ha (196 sacas por alqueire), 26,7% maior do que no ano passado. Além do Paraná, todos os Estados do Centro-Oeste e também Santa Catarina devem produzir mais de 4 toneladas de milho por hectare, rendimentos recordes em praticamente todos os Estados (exceto Goiás). Com este novo número para a produção paranaense, a produção nacional de primeira safra fica estimada em 35,15 milhões de toneladas.
As exportações brasileiras chegaram a ser citadas no relatório de produção e consumo mundial de grãos do USDA deste mês de abril - fato raríssimo o Brasil aparecer como exportador. A última vez que o Brasil exportou um volume de milho que valeu a pena registrar foi na safra 95/96, quando foram exportadas 607,6 mil toneladas. O maior volume exportado nos últimos 20 anos foi na safra 82/83 com 765,9 mil toneladas.
O ano passado o milho proporcionou rentabilidade positiva para os produtores pois os preços estiveram acima da média histórica. Este ano a situação inverteu: produção e produtividade maiores e preços menores. Será que o aumento na produtividade compensa a queda de preços? Provavelmente não, pois a redução de preços (de fevereiro até esta semana) este ano, comparado ao ano passado (mesmo período), é de 34,7% contra um aumento de produtividade de 26,7%. A expectativa era mesmo de preços menores. O valor da produção estimada pelos preços mencionados este ano e em 2000 é praticamente igual (1% menor). Se a queda de preços era esperada pela produção maior (não tão maior), a melhora na produtividade compensa em parte os preços mais baixos.
A Argentina também deverá produzir mais do que se previa. A produção está estimada agora em 16 milhões de toneladas, um milhão a mais do que na estimativa do USDA de março. É em boa hora que os produtores americanos resolveram reduzir a área plantada.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
F R A N G O
A PRODUÇÃO DE PINTOS DE CORTE EM 2001
A avicultura nacional deu um enorme salto nos últimos 10 anos (cresceu 99,4%), levando o Brasil a ocupar a posição de terceiro maior produtor mundial de carne de frango, logo atrás dos Estados Unidos e da China; e de terceiro maior exportador mundial, perdendo novamente para os Estados Unidos e para Hong Kong.
A evolução no aumento de alojamentos de pintos de corte, importante segmento da avicultura nacional, dá condições de avaliar o comportamento da produção, ou seja, da oferta de aves prontas para o abate em 39 à 42 dias (período médio de alojamento).
A produção em 2000
Segundo a APINCO, a produção brasileira de pintos de corte apresentou um crescimento da ordem de 3,2% no ano de 2000, com o volume de pintainhos produzidos atingindo 3,25 bilhões de cabeças, ou seja, 1,60 bilhão de aves produzidas no primeiro semestre e 1,65 bilhão de cabeças no segundo semestre. Neste contexto, o Paraná novamente mostrou a sua importância, permanecendo como terceiro maior produtor nacional, logo atrás de São Paulo e Santa Catarina.
O atual panorama em 2001
De acordo com o último relatório mensal da APINCO, a produção nacional efetiva de pintos de corte apresentou um incremento da ordem de 1,44% em fevereiro. Comparado com igual período do ano anterior, alcançou o volume de 546,6 milhões de cabeças. No ano passado, o volume produzido apresentou retração de 0,86% indo de 284,9 milhões de cabeças em janeiro para 261,7 milhões de unidades em fevereiro.
A produção potencial do Brasil apresentou retração de 3,7%, variando de 316,0 milhões de cabeças em janeiro para os atuais 304,3 milhões de pintainhos em fevereiro, indicando que o nível de utilização da capacidade produtiva e o potencial de produção está na ordem de 86%. Esta retração é reflexo do excesso de produção que vinha inundando o mercado e colaborando para a manutenção dos baixos níveis da cotação do quilograma do frango na maioria das praças produtoras nacionais.
No atual ranking nacional, São Paulo continua na dianteira com uma participação de 19,3% da produção nacional efetiva de pintos de corte, seguido por Santa Catarina (18,8%) e pelo Paraná (18,0%). Em termos de potencial de produção, ou seja, a produção possível baseada no alojamento de matrizes de corte, esta ordem se altera. O Paraná está em primeiro lugar com 19,5% de toda a capacidade produtiva nacional, seguido por Santa Catarina (18,0%) e por São Paulo (17,0%).
A produção paulista em fevereiro de 2001 foi 50,6 milhões de cabeças e utilizou 98,3% do potencial de produção mensal (51,5 milhões de cabeças), com a produção acumulada no ano atingindo valores da ordem de 108,2 milhões de unidades produzidas.
Neste contexto, o Paraná não fica muito atrás. Em fevereiro, observou-se uma produção efetiva de 49,4 milhão de cabeças, utilizando apenas 83,3% da capacidade produtiva mensal (59,2 milhões de pintos de corte). No acumulado de 2001, a produção paranaense atingiu valores de 102,7 milhões de cabeças, crescendo 5,46% no ano e representando 18,8% da produção nacional.
Na semana, o frango.
O preço médio do frango vivo negociado no Paraná apresentou um incremento de 6,1% em relação a cotação observada na semana passada (R$ 0,82), com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,87 nas principais praças do Estado. Quando comparado o preço atual, com a cotação média observada em março (R$ 0,81) nota-se um ganho da ordem de 7,4% para os produtores. Quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (R$ 0,74) verificamos um incremento de 17,6 % nas cotações.
No mercado, a carne de frango tem conseguido permanecer bastante competitiva em relação às demais proteínas de origem animal. A redução no número de matrizes, observada no final do ano passado e a expectativa de expansão das exportações, têm sido fatores preponderantes para a redução da oferta interna e alavancagem de preços melhores para a avicultura nacional.
João Batista Padilha Junior - Professor da UFPR
e-mail: [email protected]





