AGROMERCADO
Feijão
Valendo a pena
Depois de um ano amargo, os produtores de feijão estão tendo a oportunidade de comercializar a produção a preços mais altos este ano. Além disso, a produtividade na safra das águas em quase todo o Paraná foi maior do que na safra anterior, crescendo 19,2% na média estadual.
É muito difícil analisar a rentabilidade de uma cultura porque cada propriedade rural tem um custo de produção, que é o resultado direto do tipo de tecnologia empregado para produzir, da estrutura física da propriedade (máquinas, equipamentos, implementos, benfeitorias) e do valor do aluguel dos serviços que o produtor contrata para a lavoura (sejam mecanizados ou manuais), entre outros fatores. Os preços também variam de região para região e a média estadual é apenas um indicador.
Mesmo assim, é possível fazer uma análise geral sobre o negócio feijão, tomando por base os preços médios do Estado e uma estrutura de custo representativa de determinado segmento de produtores. Para este estudo foi considerado o custo de produção de feijão calculado e publicado mensalmente pelo DERAL.
O custo total de produção (variável + fixo) de feijão das águas, com produtividade média esperada de 17 sacas por hectare (41,14 sacas por alqueire) e baseada nos preços dos insumos de fevereiro, é de R$ 36,99/saca. Para o ano passado, o custo total estimado (para quem colheu a produção prevista nesta estrutura de custo), foi de R$ 33,80/saca.
De janeiro até meados de abril do ano 2000, o preço médio do feijão tipo cor ao produtor no Paraná foi de R$ R$ 24,42/saca, quase insuficiente para remunerar o custo variável daquele ano, estimado em R$ 24,21/saca. Estes números são uma razão mais do que suficiente para explicar porque a área plantada com feijão das águas reduziu quase 28% no Estado este ano.
Mas quem apostou no feijão na safra 2001 está se saindo bem melhor. O preço médio para o período de janeiro até esta semana, para o feijão tipo cor, é de R$ 43,67/saca, 78,9% a mais do que no mesmo período do ano passado. Este preço médio maior representa uma rentabilidade também maior, estimada em 18% sobre o custo total. Isto pode ajudar a ampliar novamente a área plantada na próxima safra das águas.
O preço do feijão cor recuou 4,4% esta semana, mas o feijão preto manteve a tendência de valorização com alta de 4,3% na semana. O preço do feijão cor desta semana é 118,8% superior ao preço médio do produto em abril do ano passado. Para o feijão preto, a diferença é de 95,6%.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
S U Í N O S
Momento favorável para a suinocultura paranaense.
Após um longo e tenebroso período desfavorável para a suinocultura nacional, começa a se formar uma conjuntura que talvez seja bastante interessante para todos os produtores. Nos últimos meses, com o crescimento e agravamento da epidemia de febre aftosa na Europa, com a perspectiva do surgimento de novos mercados potenciais, com a desvalorização cambial do real frente ao dólar americano e com o equilíbrio entre a oferta e demanda, observou-se uma retomada das cotações do quilograma do suíno que, associado aos preços razoáveis da saca de milho no estado, tem se convertido em redução de custo de produção e lucratividade aos suinocultores paranaenses.
Para se ter idéia do fato, atualmente os produtores têm recebido, na média do estado, R$ 1,23 por quilograma suíno entregue às indústrias. O custo médio de produção do mesmo quilograma no Paraná está em torno de R$ 1,06, o que resulta em um lucro aproximado de R$ 0,17 por quilograma ou 16% de margem líquida média aos produtores. Perspectivas de mercado indicam a possibilidade de uma maior sustentação das cotações, talvez até o patamar R$ 1,30 por quilograma, associada com pouca variação do custo de produção (R$ 1,06/1,10), caracterizando assim uma situação que será muito bem aceita por todos os produtores.
Comparando 2001 com 2000
Uma análise comparativa real utilizando preços deflacionados (preço sem o efeito da inflação) para níveis de abril de 2001, através da utilização do IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna da FGV) entre os quatro primeiros meses de 2001, contra o mesmo período do ano anterior, pode traduzir melhor o momento favorável vivido pelos suinocultores paranaenses, conforme pode ser visualizado na tabela abaixo.
Entre janeiro e março deste ano registrou-se no mercado uma redução da ordem de 12,1% nas cotações do quilograma suíno, que voltou a reagir positivamente em abril alcançando o valor de R$ 1,22, ou seja, 5,2% acima da média anual da cotação em 2001 (R$ 1,16). Ano passado, no mesmo período, as cotações apresentaram uma redução de 12,8% e em abril, o quilograma da carne suína era negociado a apenas R$ 1,05. Desta forma, atualmente, a cotação está, em termos reais, 16,2% mais valorizada do que em abril de 2000.
No caso do milho, insumo fundamental para a suinocultura, observou-se que em 2000 os preços estavam bastante elevados, com a saca sendo negociada em valores reais a R$ 12,33 na média do Paraná (janeiro/abril). Atualmente, a mesma saca de milho está valendo em média R$ 7,42, ou seja, 40% menos que o valor pago pelos produtores no mesmo período do ano passado.
Na relação de trocas (quilogramas de carne suína necessários para a compra de uma saca de milho), observamos que em 2000 a situação também não foi nada boa para os produtores, que necessitavam, em média, de 10 quilogramas de carne para a compra de uma saca de milho. Atualmente, esta relação melhorou 36% para o lado dos suinocultores, que precisam apenas de 6,4 quilogramas em média para comprar a mesma saca de insumo.
Desta forma, pode-se notar que a situação da suinocultura paranaense está bastante favorável aos produtores este ano.
Na semana, a cotação do suíno
O preço médio do suíno vivo (raça) negociado no Estado do Paraná voltou a apresentar um incremento da ordem de 1,64% em relação à cotação observada na semana passada (R$ 1,22), com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,24 nas principais praças produtoras do estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de março (R$ 1,09), observa-se um ganho de 13,8% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (abril), notamos uma incremento da ordem de 29,2% nas cotações. Na média dos últimos cinco anos, a cotação nominal do quilograma suíno hoje está valendo 36,3% mais.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
Preço estável
A exemplo das semanas anteriores, os preços da soja ao produtor paranaense seguem em níveis relativamente estáveis. Nos últimos dias, os preços da soja no mercado interno mantêm-se influenciados por duas forças em sentido contrário (ver gráfico ao lado). De um lado, os baixos preços da soja na Bolsa de Chicago atuam como fator de desvalorização dos preços internos. De outro lado, a alta taxa de câmbio, do real frente ao dólar, atua em sentido contrário gerando pressão para a alta dos preços. Mantida a semelhança na magnitude das duas forças (taxa de câmbio e preços em Chicago), o valor da soja no mercado interno tem-se mantido em níveis relativamente estáveis.
Comercialização
Na maioria dos casos, a decisão de venda da soja, agora ou no futuro, depende fundamentalmente do custo de oportunidade do capital vinculado aos estoques.
Se o produtor está devendo juros elevados, a venda agora é uma opção interessante. Caso contrário, se o dinheiro empatado nos estoques de soja estão vinculados a dívidas ou aplicações com baixa taxa de juros, esperar para vender no segundo semestre de 2001 parece valer a pena, pois os preços estão extremamente baixos (em dólar) no momento.
Perspectivas
O principal fator, que pode valorizar os preços da soja no médio prazo, está relacionado a problemas com a próxima safra de soja nos Estados Unidos. Lá, o plantio da soja inicia-se em maio e se estende até o final de junho.
Durante a fase inicial de desenvolvimento da soja nos Estados Unidos, o mercado internacional costuma apresentar grandes oscilações de preços, ao sabor das oscilações climáticas naquele país.
É pura loteria (climática). Mas, aqueles que puderem aguardar os acontecimentos climáticos dos próximos meses, talvez possam ter surpresas agradáveis. No médio prazo, pior do que está é pouco provável.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]





