AGROMERCADO
Soja
O dólar, a bolsa e os preços
Nos últimos trinta dias, duas forças, atuando em sentido contrário, têm mantido em níveis relativamente estáveis os preços da soja no mercado de lotes.
De um lado, a queda nos preços da soja em Chicago atua como fator baixista sobre os preços internos. De outro lado, a desvalorização da taxa de câmbio atua em sentido inverso, gerando pressão para a alta dos preços. Dada a semelhança na magnitude das duas forças (taxa de câmbio e preços em Chicago), o valor da soja no mercado de lotes tem-se mantido, nesse período, em níveis relativamente estáveis.
O dólar
No meio dessa semana, a taxa de câmbio no Brasil atingiu sua maior cotação desde o lançamento do Plano Real, em 1994. Ao longo do mês de março, o principal fator de pressão sobre a taxa de câmbio brasileira foi a crise na economia Argentina, que fez o valor do dólar no Brasil saltar de 2,046 reais, em 28 de fevereiro, para 2,172 reais em 3 de abril. A linha ascendente, no gráfico ao lado, mostra a evolução da taxa de câmbio para o período mencionado, indicando uma valorização acumulada de 6,2% entre o final de fevereiro e o início de abril.
A bolsa
Na Bolsa de Chicago, o contrato da soja para primeira entrega atingiu, na semana passada, sua menor cotação desde julho de 1999, que representa um dos menores valores praticados naquela bolsa ao longo da última década.
Em Chicago, a atual desvalorização dos preços da soja está relacionada ao aumento da produção mundial, agora efetivamente confirmada com o início da colheita na América do Sul.
A linha descendente, no gráfico ao lado, mostra a evolução dos preços da soja entre 28 de fevereiro e 3 de abril. Nesse período, a cotação do produto caiu 5,9%, passando de U$ 4,535 por bushel, em 28 de fevereiro, para U$ 4,303 por bushel em 3 de abril.
Os preços
No mercado interno, os preços da soja em reais mantiveram-se relativamente estáveis ao longo do mês de março. A alta do dólar frente ao real e a desvalorização dos preços do produto em Chicago tiveram seus efeitos compensados entre si, contribuindo para a estabilidade dos preços internos em reais.
No mercado de lotes, por exemplo, o valor do indicador Esalq/BM&F da soja registrou pequena oscilação neste início de comercialização da safra 2000/2001. Em 28 de fevereiro, seu valor era de R$ 17,96/saca e, em 3 de abril, R$ 17,90/saca.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
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Milho
1 milhão de hectares a menos nos Estados Unidos
O primeiro levantamento do USDA sobre a intenção de plantio de milho nos Estados Unidos indica uma área a ser plantada de 31,04 milhões de hectares, 3,6% a menos do que na safra anterior e a menor área plantada desde a safra 95/96. Este percentual aparentemente pequeno representa 1.154,2 mil hectares que deixarão de ser cultivados no país que é o maior produtor de milho do mundo.
As principais razões apontadas pelo USDA para esta redução são: a expectativa de preços baixos (e já foram mais baixos na safra 00/01 para os americanos), o aumento de alguns insumos importantes para o milho e condições adversas em algumas regiões como no sudeste (falta de chuva).
Em Iowa, maior estado produtor de milho dos Estados Unidos, com 44,2 milhões de toneladas colhidas na safra 00/01, a área deve reduzir 3,3% (área está estimada em 4,82 milhões de hectares). Em Illinois, segundo maior produtor com 42,3 milhões de toneladas produzidas na safra 00/01, a redução é menor, da ordem de 1,8%, devendo ser plantados 4,45 milhões de hectares.
Como se sabe, os agricultores americanos colheram 256,2 milhões de toneladas de milho na safra 00/01, 13,66 milhões de toneladas a mais do que na safra anterior e abaixo apenas do recorde de 256,62 milhões de toneladas colhidos na safra 94/95.
O bom desempenho da produção americana e até mundial teve o efeito esperado de reduzir os preços do milho em todo o mundo. A redução na área a ser plantada pelos Estados Unidos que, sozinhos, produziram 43,4% da produção de milho no mundo na safra 00/01, é uma boa notícia ou, pelo menos, não traz a má notícia de novo aumento de área, o que seria desastroso para o mercado.
A produtividade americana na safra 00/01 foi de 8,6 toneladas por hectare (143,4 sacas/hectare ou 286,75 sacas por alqueire), a segunda maior da história, perdendo apenas para o recorde da safra 94/95, quando a média americana foi de 350,9 sacas/alqueire. É sempre bom dar uma olhada nestes números e pensar o quanto a produção brasileira ainda pode crescer.
A redução de área repercutiu nos preços em Chicago de forma moderada - alta de 3,4 a 4,2% dependendo do contrato (maior para maio e menor para setembro). O importante é que os dados de plantio não se mostraram como uma força negativa para os preços do milho - tão importantes para os produtores brasileiros este ano.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
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