AGROMERCADO
R AÇ Ã O
O consumo deverá ser maior em 2001
Organizacionalmente dentro do agronegócio, as indústrias produtoras de rações podem ser consideradas como a categoria responsável por gerar e transmitir energia no estágio inicial do sistema produtivo, ou seja, localizam-se antes da porteira da propriedade rural e suprem todos os demais segmentos à sua frente com este importante insumo.
Historicamente, as primeiras empresas produtoras de ração iniciaram suas atividades no Brasil na década de 40, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, utilizando-se de resíduos das indústrias moageiras de trigo (farelo) que, quando combinados com compostos protéicos e vitamínicos eram utilizados para a alimentação de gado leiteiro.
Até a década de 60, este segmento apresentou pouca expansão, pois, a avicultura e a suinocultura eram tratadas com um manejo muito rudimentar e sem a devida preocupação com a utilização de técnicas mais eficientes de produção.
Em meados da década de 60, com o grande advento da avicultura de corte, começaram então a surgir no Brasil as primeiras empresas multinacionais produtoras de ração.
Na década de 70 (milagre econômico), devido à grande quantidade de crédito disponível para o desenvolvimento da agricultura e pecuária, as indústrias de ração se multiplicaram atingindo o montante de 651 fábricas, bem como a produção de ração (de 5,7 milhões de toneladas para 11,2 milhões de toneladas) acumulou um incremento de quase 100% neste período.
Nos anos 80 (década perdida), o setor produtor de ração sofreu uma abrupta desaceleração causada pela queda da atividade econômica do Brasil, e a produção por consequência foi bastante irregular neste período. Se por um lado foi ruim, por outro teve início a progressiva verticalização da avicultura e suinocultura bem como a integração dos produtores e a agroindustrialização (cadeia produtiva).
Na década de 90, com a estabilização econômica causada pelo Plano Real, o setor produtor de ração continuou em expansão crescendo anualmente a taxas bastante significativas. Em 1990, a produção nacional de ração era de 14,8 milhões de toneladas e em 1999 atingiu o valor de 32,5 milhões de toneladas com um incremento de 119,6% no período analisado.
Crescimento do consumo de ração
Analisando a evolução da produção nacional de ração nos último 3 anos, podemos notar que todos os segmentos que se utilizam deste importante insumo de produção apresentaram um incremento médio na sua utilização da ordem de 7,5% entre 1998 e 2000.
Dentre os segmentos que apresentaram maior grau de crescimento no consumo, destaca-se o setor de ração para peixes com 21,9% seguido pelo pet foods (alimento para animais de companhia) e pelo setor de ração para bovinos com 20,7%. Os setores que menos cresceram no período analisado foram o setor de ração para avicultura de corte com 8,1% e o setor de ração para equinos com 8,3% conforme pode ser observado na tabela.
TABELA - EVOLUÇÃO E PROJEÇÃO DA PRODUÇÃO NACIONAL DE RAÇÕES, 1998-2001, EM MIL TONELADAS.
Atividade - 1998 - 1999 - 2000 - 2001(*) -
AVICULTURA TOTAL - 17.141,0 - 19.236,7 - 20.107,0 - 21.052,4 -
AVICULTURA CORTE - 14.639,3 - 16.139,6 - 17.107,0 - 17.962,4 -
AVICULTURA POSTURA - 2.501,7 - 3.097,1 - 3.000,0 - 3.090,0 -
SUÍNOS - 9.870,8 - 9.425,4 - 10.367,9 - 10.886,3 -
BOVINOS - 1.599,1 - 2.069,6 - 2.317,8 - 2.456,9 -
PET FOODS - 750,0 - 950,0 - 1.100,0 - 1.232,0 -
EQUINOS - 264,2 - 282,0 - 310,0 - 325,5 -
PEIXES - 80,0 - 99,1 - 118,8 - 142,6 -
OUTROS - 397,8 - 444,1 - 450,0 - 456,8 -
TOTAIS - 30.102,9 - 32.506,9 - 34.771,6 - 36.552,5 -
Fonte: ANFAR/SINDIRAÇÕES, ANUALPEC e AGROMARKET com cálculos do autor.
(*) Projeção para o ano de 2001.
Projeção para 2001
Mantidas normais todas as condições de mercado (oferta e demanda) e, apostando-se num aumento das exportações de carne bovina, suína e de frango, numa projeção conservadora, aposta-se num crescimento da ordem de 5% para a produção nacional de rações que deverá atingir um volume de 36,5 milhões de toneladas este ano.
Para o setor de avicultura (corte mais postura) a produção nacional deverá superar os 21 milhões de toneladas mantendo este segmento na posição do maior consumidor nacional do produto. A suinocultura vem logo atrás com uma projeção no consumo de aproximadamente 10,9 milhões de toneladas, seguida pelo setor de bovinocultura de corte e de leite (2,4 milhões de toneladas) e pelo setor de pet foods (1,2 milhão de toneladas).
Na semana
O preço médio do frango vivo negociado no Estado do Paraná apresentou uma leve retração da ordem de 1,2% na cotação esta semana, com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,81. Quando comparada com a cotação média de fevereiro (R$ 0,81) observa-se estabilidade na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos um incremento da ordem de 3,9% nas cotações.
No mercado do suíno, a cotação do quilograma do animal vivo (raça) apresentou um incremento da ordem de 2,7% nas cotações, com o preço do quilograma variando de R$ 1,10 para atuais R$ 1,13. Quando relacionada com a cotação média de fevereiro (R$ 1,09) notamos ganho de 3,7% para o lado dos produtores e quando comparamos nominalmente com o preço praticado em igual período do ano passado registramos incremento de 6,6% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
E-mail:jpadilha@agrárias.ufpr.br
A L G O D Ã O
PREÇOS NO BRASIL DESCOLAM DO MERCADO EXTERNO
O Brasil deve colher a maior safra de algodão dos últimos 13 anos segundo as últimas estimativas da CONAB e do DERAL que projetam a produção brasileira em 844,7 mil toneladas de algodão em pluma, o maior volume desde a safra 87/88.
Este volume representa um aumento de 20,73% em relação à safra passada. A maior parte da produção e do aumento vem da região Centro-Sul, que deve produzir 87% deste total. O Mato Grosso vai colher 53,3% da produção nacional de algodão em pluma (450,1 mil toneladas).
Os principais Estados produtores da região Centro-Sul devem alcançar novos recordes de produtividade, exceto Paraná e São Paulo. A qualidade da pluma também deve ficar acima da média na maioria das regiões.
Importando menos exportando mais
Produzindo mais o Brasil deve importar menos. A estimativa atual é de importações na faixa de 190 mil toneladas, o menor volume desde a safra 91/92. O Brasil também deve exportar mais - cerca de 120 mil toneladas nas contas atuais - o maior volume desde a safra 90/91.
Com este cenário, os produtores brasileiros bem que podiam estar sendo contemplados com preços internacionais mais camaradas. Os preços caíram na Bolsa de Nova York nos últimos quatro meses - a média deste mês de março (até esta semana) é a menor desde dezembro de 1999.
A desvalorização do Real durante este mês também não está ajudando os mercados agrícolas. O algodão, a exemplo de outros produtos, está apresentando preços em dólar, no mercado interno, bem inferiores aos do mercado internacional (como mostra o gráfico).
O valor médio, em dólar, do indicador do algodão ESALQ/BM&F agora em março (até esta semana) é de US$ 14,59/arroba, queda de 6,6% em relação ao mês de março. O preço do algodão em pluma no Paraná (atacado) nas três primeiras semanas de março está em R$ 14,48/arroba, queda de 6,76% em relação ao preço de março.
A valorização da pluma no Paraná que costumava acontecer em março e abril, este ano não está dando sinais de que vá ocorrer. Possivelmente porque parte das beneficiadoras paranaenses foi transferida para áreas de maior produção.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
F E I J Ã O
PRODUÇÃO REDUZ E PREÇO SOBE
Para o feijão o ano 2000 foi o pior em termos de preços tanto para o tipo cores quanto para o feijão preto. Na safra 99/00 o Brasil produziu 1.425,2 toneladas na primeira safra e 3.072 mil toneladas no total (3 safras), o segundo maior volume da história do País, atrás apenas do recorde de 3.157,8 mil toneladas obtido no ano safra 94/95 (com resultados desastrosos para os preços na época).
Pela maior produção os preços no ano passado foram baixos desestimulando o plantio nesta nova safra 00/01. A área plantada com feijão das águas no Paraná reduziu 27,7% e a produção será pouco superior a 330 mil toneladas, o menor volume desde a safra 94/95 no Estado.
Na região Centro-Sul como um todo a área plantada reduziu 21,7%. A produção não reduziu na mesma proporção porque a produtividade será melhor este ano nesta região que deve colher pouco mais de 1 milhão de toneladas, 9,5% menor do que ano safra anterior.
A produção nacional de primeira safra, no entanto, deve somar pouco mais de 1,1 milhão de toneladas pois houve quebra na produção da Bahia. Este total representa redução de 22,2% na produção brasileira de primeira safra e será o menor volume desde a safra 97/98.
A produção menor vem permitindo a recuperação dos preços este ano em comparação ao ano anterior. A tabela mostra os preços médios mensais de janeiro a março deste ano, do ano passado e da média de cinco anos (95 a 99). Os dados deixam clara a recuperação dos preços o que já é um alento aos produtores que continuaram apostando no feijão.
FEIJÃO - PREÇOS MÉDIOS MENSAIS AO PRODUTOR NO PARANÁ, JANEIRO A MARÇO DE 2001, 2000 E MÉDIA DE 5 ANOS, EM R$/SC.
MÉDIA - 2000 - 2001 - 2001/Média (%) - 01/01 (%)
PRETO - - - - - -
JAN - 35,15 - 26,93 - 31,20 - -11,25 - 15,88 -
FEV - 34,05 - 22,65 - 35,14 - 3,21 - 55,13 -
MAR - 34,19 - 22,03 - 37,55 - 9,83 - 70,45 -
COR - - - - - -
JAN - 32,40 - 31,50 - 36,43 - 12,42 - 15,63 -
FEV - 30,69 - 21,68 - 39,33 - 28,16 - 81,43 -
MAR - 31,45 - 21,36 - 45,43 - 44,44 - 112,66 -
FONTE: Agromarket
A primeira estimativa para a produção de segunda safra (seca) em termos nacionais é de 1.466,6 mil toneladas, que seria um aumento de 3% em relação ao ano passado. Mas ainda não há dados detalhados para esta estimativa que pode ser totalmente diferente quando revelar os dados dos estados do Nordeste.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]





