AGROMERCADO
S U Í N O
A Evolução da relação de trocas em 2000
A relação de trocas, conforme comentado em edições anteriores, vem a ser um importante indicador da situação de capitalização ou descapitalização que determinado produto do agronegócio nacional apresenta em relação ao principal insumo utilizado na sua produção.
Ao analisarmos a relação de trocas entre a saca de milho e o quilograma do suíno em 2000, no Paraná, alguns aspectos podem ser levados em conta para explicar o comportamento observado ao longo do ano.
No caso do mercado suinícola, a elevada produção (excesso de oferta) estimulada pelas altas cotações do produto no começo do ano, o pequeno volume exportado de carne, a demanda sazonal (consumo maior em períodos de frio) e o elevado preço cobrado do consumidor pelo produto final no varejo (sem repasse ao produtor) fez com que o preço oscilasse bastante ao longo do ano.
No mercado do milho, o baixo estoque de passagem 99/00 (676,6 mil toneladas) e a quebra registrada na safra de verão ocorrido principalmente em importantes regiões produtoras como Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo fez com que o preço do produto apresentasse uma elevada sustentação praticamente ao longo de todo o ano de 2000.
Diante do cenário estabelecido acima, podemos observar então na Tabela 1 como foi a evolução da relação de trocas entre o quilograma do suíno raça e a saca do milho em 2000 no estado do Paraná.
A relação de trocas em 2000
No início de 2000, um suinocultor paranaense necessitava comercializar 9,82 quilogramas de carne suína para poder adquirir uma saca de 60 quilogramas de milho. Com o passar dos meses esta situação piorou para o produtor, pois, o preço do suíno perdeu sustentação forçando então o suinocultor a ter que vender 11,65 quilogramas de carne (18,6% a mais de produto) para adquirir a mesma saca de milho em maio.
A partir de junho observou-se uma melhoria nesta relação em favor dos produtores (elevação na cotação do suíno e leve redução no preço do milho) com a relação de trocas em dezembro sendo a melhor de 2000 (7,17 quilogramas de suíno por saca de milho). Em termos médios, os produtores paranaenses precisaram comercializar 9,92 quilogramas de suíno para adquirir uma saca do insumo no ano de 2000.
No inicio de 2001, observou-se uma piora nas relações de trocas dos produtores. Em janeiro, eram necessários 6,46 quilogramas de carne suína para a compra de uma saca de milho. Em fevereiro este valor passou para 6,72 unidades do produto por unidade do insumo e, em março, o valor desta relação de trocas foi de 6,90, ou seja, uma redução de 6,8% no poder de compra dos produtores em apenas três meses.
Assim, conclui-se que apesar do mercado estar bastante abastecido de milho e a cotação média do mesmo estar ao redor de R$ 7,18 no Paraná, as cotações da carne suína apresentaram retração de 16,1% entre janeiro e março, o que caracteriza desvantagem nesta troca entre produto e insumo, além de menor capitalização da produtor no período analisado.
Na semana
O preço médio do suíno vivo negociado no Estado do Paraná apresentou um incremento da ordem de 6,9% em relação a cotação observada na semana passada com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,09. Quando comparada esta cotação com o preço médio de fevereiro (R$ 1,09) observa-se uma estabilidade na mesma; quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos uma incremento da ordem de 2,8% nas cotações e, quando analisada em relação ao preço médio nominal dos últimos 5 anos apresenta ganho de 17,2%.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
E-mail:jpadilha@agrárias.ufpr.br
M I L H O
SAFRA DE VERÃO ESTIMADA EM 34,49 MILHÕES DE TONELADAS
O último levantamento de safras da CONAB, realizado em fevereiro e divulgado neste mês de março alterou pouco as estimativas para a safra de verão deste ano: 34,49 milhões de toneladas, muito próxima da estimativa anterior que apontava para 34,74 milhões de toneladas de milho.
As produtividades em geral estão sendo superiores à média e também ao ano passado. Diversos Estados devem obter produtividade recorde histórica, a começar pelo Paraná. O DERAL está estimando a produtividade paranaense entre 73 e 78 sacas por hectare (177 e 188 sacas por alqueire).
Apenas em Goiás a produção foi reduzida entre os levantamentos de dezembro e fevereiro. A estimativa atual é de 3,06 milhões de toneladas, 0,5 milhão de toneladas a menos do que no levantamento de dezembro. Nos demais Estados, as estimativas praticamente não foram alteradas. Vem por aí a maior produção da safra de verão da história do Brasil.
O Rio Grande do Sul deve ter a terceira melhor produção da história e a maior produtividade. A produção paranaense também deve ser recorde. Veja os principais números da safra de verão na tabela construída com dados da CONAB para todo o Brasil, exceto para o Paraná, cujos dados são do DERAL.
Preços externos
As exportações de milho estão mesmo acontecendo - a lista de navios atracados na espera e por chegar mostra que volume significativo de milho brasileiro está buscando outros mercados. Ótimo.
Os preços no mercado internacional continuam não ajudando muito. A cotação média do milho de janeiro até esta semana na Bolsa de Chicago (para segundo vencimento) é de 221,57 centavos de dólar por bushel (ou US$ 81,41/tonelada) - esta média é inferior aos valores do mesmo período, dos últimos quatro anos.
Preços
O gráfico mostra que os preços subiram nos últimos seis meses, o que já é um bom resultado. A desvalorização do real que vem ocorrendo desde fevereiro está contribuindo para preços mais altos em real.
No Paraná o preço médio ao produtor esta semana foi igual ao da semana passada - interrompendo novamente a queda de preços (a primeira vez foi há 15 dias). No entanto, o preço médio está abaixo do preço mínimo - sinal de que nem as exportações nem os leilões de PEP e Opções foram suficientes para manter os preços de mercado acima do mínimo.
A colheita de soja começou no Paraná e já cobre perto de 20% da área plantada - isto também deve contribuir para acalmar o mercado de milho já que os produtores, normalmente, suspendem a colheita e comercialização do milho em favor da soja - o que acaba elevando ou mantendo os preços do milho.
Colheita
A estimativa da CONAB é de que, até final de março, pouco mais da metade da produção de milho de primeira safra na região centro-sul (pouco mais de 30 milhões de toneladas), deverá estar colhida. No Paraná a colheita está adiantada em relação aos anos anteriores, com 41% colhidos até a primeira semana de março.
O plantio do milho safrinha também está adiantado em relação aos últimos anos, cobrindo 46% dos 898 mil hectares - que é a área projetada pelo DERAL para a cultura este ano no Paraná.
A redução na área plantada com milho safrinha (por enquanto) é de 20,78% em relação aos 1,13 milhão de hectares plantados no ano passado. Havia expectativa de que a redução na área da safrinha fosse maior. A área que está sendo estimada agora é inferior apenas às áreas plantadas nos últimos dois anos e superior em 61,8% à área média plantada entre os anos de 1991 e 1998 (555,1 mil hectares).
Já que os produtores optaram por manter uma área ainda razoável para o milho, fica mantida por enquanto a expectativa de que a produção total de milho no Brasil pode ultrapassar 38 milhões de toneladas, estabelecendo novo recorde para o País. Da última vez que isto aconteceu, na safra 94/95 os resultados não foram bons. O governo acumulou o maior estoque da história e os preços foram bem baixos.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
COLHEITA RECORDE
É hora de colheita!! Com o sentimento do dever cumprido, os produtores de soja devem intensificar significativamente, nesta segunda quinzena de março, os serviços de colheita da safra 00/01. Será a maior safra de soja da história brasileira. E isso significa que os produtores fizeram a sua parte. Só não existe euforia porque os preços estão extremamente baixos no momento.
A safra de soja 00/01 deve atingir o volume de 34,8 milhões de toneladas, segundo estimativas da CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento. O crescimento é de 7,6% em relação à safra anterior. Na região centro-sul do País, responsável por 93% do total nacional a safra de soja deve atingir 32,4 milhões de toneladas, com crescimento de 7,7% em relação à safra anterior.
Colheita já atinge 7 milhões de toneladas
Desse total, estima-se que até o momento cerca de 7 milhões de toneladas já foram colhidas, o que corresponde a aproximadamente 20% do total nacional ou 22% do total previsto para a região centro-sul.
Até o final de março o volume já colhido deve atingir cerca de 19 milhões de toneladas de soja ou aproximadamente 55% do total nacional. Isso significa que de hoje (17/03) até o final do mês de março serão colhidos, em média, 1 milhão de toneladas ao dia.
No final de abril o volume acumulado de colheita da soja safra 00/01 deve atingir, na região centro-sul, cerca de 31 milhões de toneladas, o equivalente a quase 90% do total nacional.
O gráfico mostra a perspectiva para a evolução da colheita nos principais Estados produtores da região centro-sul, indicando o volume acumulado de colheita para cada um dos Estados ao longo dos meses de fevereiro, março, abril e maio.
Até o final de março a colheita da soja deve atingir os seguintes percentuais nos principais Estados produtores: Mato Grosso (67%); Goiás (64%); Mato Grosso do Sul e Paraná (60%); e Rio Grande do Sul (10%). Até o final de abril a colheita deve atingir os seguintes percentuais: Mato Grosso (99%); Goiás e Mato Grosso do Sul (98%); Paraná (97%) e Rio Grande do Sul (90%). Bom trabalho a todos e mãos a obra ...
José Roberto Canziani- Prof da UFPr
[email protected]





