Trigo
Área plantada não reduz no Paraná
O primeiro levantamento de intenção de plantio de trigo no Paraná realizado pelo DERAL em fevereiro indica que a área deve se manter praticamente a mesma do ano passado, ou seja, 760 mil hectares, redução inferior a 0,5%.
O mesmo deve acontecer no Rio Grande do Sul pois, no final das contas, os produtores gaúchos desta vez, se deram melhor do que os paranaenses, seriamente afetados pelas geadas do ano passado. Enfim, é um novo ano e a decisão de utilização da terra no inverno tem que ser tomada. Apesar de todos os pesares o trigo é a principal cultura do inverno e a área plantada no Paraná já está em patamares historicamente baixos, como todos sabem.
Para reduzir ainda mais a área, é preciso uma alternativa melhor - que tem sido milho safrinha, atividade que ocupou parte da área que deixou de ser cultivada no Estado nos anos 90. Como as perspectivas para o preço do milho este ano não são das melhores, não deve haver (até agora) nova transferência de área do trigo para milho. Como sempre, o plantio deve estar associado a um seguro (de preferência, um seguro que pague os sinistros em tempo relativamente curto).
Como o Brasil é um franco importador de trigo, o agricultor que produzir com boa qualidade não enfrentará problemas de achar comprador como ocorria nos anos 80 e início dos anos 90. O preço, como sempre depende do mercado externo.
Neste aspecto, a boa notícia é que as cotações do trigo na Bolsa de Chicago, de janeiro até esta segunda semana de março estão 6% acima dos valores praticados no mesmo período do ano passado. Os preços deste início de ano também superam os valores do mesmo período de 99, em cerca de 2%.
Esta recuperação dos preços do trigo no mercado externo não tem nada de excepcional pois nos dois últimos anos os preços no mercado externo não foram dos melhores. No primeiro trimestre de 1998 a cotação média do trigo na bolsa americana (segunda entrega) foi de US$ 124,80/tonelada e de US$ 136,05 em 1997. Este ano, até o momento, a média é de US$ 104,27/tonelada, bem longe dos valores de 97 e 98. Mas não tão ruins quanto nos dois últimos anos. Menos mal.
Uréia aumenta gasto
O período recomendado de plantio inicia no próximo dia 21 mas os produtores, naturalmente, já efetuaram as compras de alguns (se não todos) os insumos a serem utilizados na lavoura.
Tomando por base os preços coletados pelo DERAL em janeiro, o desembolso na aquisição dos principais insumos do trigo deve crescer 4,1% em relação aos preços destes insumos praticados em janeiro do ano passado. Dois insumos importantes apresentaram aumento de preços no período: semente (16,34%) e uréia (30,8%). Inseticidas, herbicidas e fungicidas (dependendo da marca comercial) apresentaram redução de preço o que impede um aumento ainda maior no gasto com a lavoura.
Francisco C. Guimarães
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Soja
Valendo apenas 8 dólares a saca
O preço médio da soja ao produtor paranaense recuou nessa semana para a casa dos R$ 16,40/saca no mercado de balcão. Ao câmbio de 2,04 reais por dólar, o valor do produto na moeda norte americana é de apenas US$ 8,04 por saca. Isso representa o menor valor da soja em dólares por saca para um início do mês de março da última década.
Na Bolsa de Chicago, os preços da soja também seguem deprimidos em níveis muito abaixo daqueles verificados na mesma época de anos anteriores. Na última quarta feira (07/março), o contrato da soja para entrega em março fechou a 457,50 centavos de dólar por bushel ou o equivalente a US$ 10,09 por saca, também indicando a menor cotação desse período do ano na última década.
É o que mostra o gráfico e a tabela ao lado, que trazem as cotações da soja (em dólares por saca) na Bolsa de Chicago e ao produtor paranaense, para datas selecionadas do primeiro decêndio de março de 1992 a 2001.
Observe, por exemplo, as situações extremas apresentadas no início do mês de março em anos anteriores. Tanto no gráfico como na tabela, pode-se verificar que em 07/março/1997 o valor do produto na Bolsa de Chicago era de US$ 17,78/saca e o valor ao produtor paranaense, na mesma data, era de US$ 14,07/saca. Já em 09/março/1999 o valor do produto na Bolsa de Chicago era de US$ 10,20/saca e o valor ao produtor paranaense, na mesma data, era de US$ 8,12/saca, e assim por diante.
A perspectiva de produção recorde de soja na América do Sul (Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia) representa o principal fator para a desvalorização atual dos preços em todo o mundo. Esse cenário de oferta ampla no mercado mundial não deve se alterar significativamente nos próximos meses, pois a maior parte das lavouras de soja no hemisfério sul já tem praticamente garantida o seu potencial de produtividade. Isso significa que os preços da soja provavelmente devem manter-se desvalorizados, pelo menos até o próximo plantio da safra de soja 2001/2002 nos Estados Unidos que se inicia no mês de maio.
José Roberto Canziani- Prof da UFPr
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Suíno
A Crescente Competitividade da Suinocultura Nacional
No Brasil, para muitos, a suinocultura ainda é vista como uma atividade marginal, onde os animais são criados em condições sanitárias deficientes com resíduos alimentares de baixa qualidade e o produto final em si apresenta várias características que o desaprovam diante do consumidor.
Esta, entretanto, era a visão distorcida de poucos, pois hoje, a suinocultura nacional comemora ser um dos segmentos mais competitivos do agronegócio nacional, produzindo uma proteína de alto valor nutricional em condições de manejo e alimentação excelentes que deixariam muitas pessoas boquiabertas.
Apesar de ter iniciado o seu processo de modernização e adoção tecnológica praticamente 15 anos após o início da avicultura nacional, as grandes transformações estão acontecendo e os produtores nacionais tem buscado constantemente adequar-se à realidade do mercado nacional. Estas grandes mudanças, ou seja, a evolução da competitividade da suinocultura nacional nos últimos 25 anos pode ser observada na tabela.
TABELA - A EVOLUÇÃO DA COMPETITIVIDADE DA SUINOCULTURA NACIONAL, BRASIL, 1975-2000
Item/ano - 1975 - 1980 - 1985 - 1990 - 1995 - 2000 - Var. % (1995/2000)
Peso no abate (em kg) - 94 - 96 - 97 - 98 - 102 - 107 - + 13,8 -
Dias necessários para o suíno atingir 100 kg - 179 - 175 - 172 - 167 - 158 - 153 - - 14,5
Conversão alimentar (kg de ração consumidos por kg de carne produzida) - 3,64 - 3,49 - 3,40 - 3,33 - 2,98 - 2,75 - - 24,5
Porcentual (%) de carne aproveitada na carcaça - 46,0 - 47,5 - 48,5 - 50,8 - 54,0 - 56,0 - + 21,7 -
Fonte: Abipecs, porkworld, Sadia, Anualpec, Agromarket e outros com cálculos do autor.
A evolução entre 1975 e 2000
Nos últimos 25 anos, podemos observar que a suinocultura nacional apresentou um elevado grau de desenvolvimento e estruturação, caminhando de um sistema rudimentar de produção para as atuais integrações verticais totalmente coordenadas.
Durante o período analisado, observou-se um incremento da ordem de 14 % no peso médio de abate dos animais, saindo dos 94 quilogramas em 1975 para os 107 quilogramas atuais, refletindo com isto em uma melhoria sensível nas técnicas de manejo, na genética dos rebanhos e na nutrição dos animais.
Outro aspecto que reforça ainda mais o grande crescimento do setor suinícola nacional é o período de dias necessários para o animal alcançar 100 kg. Em 1975 eram necessários 179 dias para os suínos atingirem este peso enquanto que hoje bastam 153 dias, resultando numa redução de 14,5 % no período de alojamento (quase 30 dias menos de confinamento) e por consequência uma drástica redução nos custos de produção, menor possibilidade de contaminação dos animais e maior giro do rebanho durante o ano.
No caso da taxa de conversão alimentar, a situação foi também bastante positiva, pois, em 1975, os rebanhos nacionais de suínos precisavam comer 3,64 quilogramas de ração em média para ganhar 1 quilograma de peso corpóreo. Hoje, necessitam utilizar apenas 2,75 quilogramas de ração em média para ganhar o mesmo quilograma em peso. Esta redução de quase 25% no consumo de alimentos acaba refletindo em um custo menor de produção já que mais de 70% dos custos totais da suinocultura estão relacionados com a alimentação dos animais.
Com relação ao aproveitamento da carcaça suína, podemos notar uma melhoria da ordem de 21,7% no período analisado. Em 1975, cada suíno abatido em média rendia 46% do seu peso em carne. Atualmente, o mesmo animal fornece um rendimento de carcaça da ordem de 56%.
Diante destes fatos, não existem argumentos, ou seja, a suinocultura nacional hoje é um dos grande segmentos do agronegócio nacional, mas, apesar de toda esta potencialidade é preciso lembrar que torna-se necessário adequar-se ao mercado constantemente (ajustar a oferta à demanda), reduzir as barreiras tarifárias e não tarifárias, buscar novos mercados, reduzir o efeito do custo Brasil no setor além de outras medidas para tornar cada vez mais o segmento competitivo neste mundo globalizado.
Na semana
O preço médio do suíno vivo (raça) negociado no Estado do Paraná permaneceu estável, apresentando a mesma cotação observada na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,02. Quando comparada com a cotação média de fevereiro (R$ 1,09) observa-se uma redução da ordem de 6,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos uma redução de 3,8% nas cotações.
Desde o início do ano, as cotações no Estado do Paraná vem apresentando uma tendência de queda por consequência da redução no consumo da carne suína com o verão e do aumento da produção. Entre janeiro e março deste ano, o quilograma da carne suína já registrou uma retração de 17,7% nas cotações.
Com a proximidade do outono e com um clima mais ameno, aposta-se num aumento sazonal no consumo de carne suína e por consequência preços mais remuneradores aos produtores.
Na Europa, a cada dia agrava-se mais a situação dos rebanhos suínos com a febre aftosa, mas, amplia-se também com isto a possibilidade do Brasil vir a se tornar um dos grande exportadores mundiais do produto.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
E-mail:jpadilha@agrárias.ufpr.br

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