A L G O D Ã O
PODERIA SER MELHOR
Segundo o último levantamento de safras do DERAL, 84% das lavouras paranaenses de algodão estão classificadas como em boas condições, 14% em médias condições e apenas 1% estão classificadas como em condição ruim. Não fossem as chuvas excessivas das últimas semanas, a situação poderia ser ainda melhor. Há registro de perda de qualidade da pluma que será colhida em algumas regiões, o que vai fazer uma diferença importante na hora de vender.
A colheita apenas começou (menos de 1%) nos 65,5 mil hectares plantados com algodão no Paraná nesta safra. A produtividade está estimada entre 345,7 e 384,1 arrobas de algodão em caroço por alqueire, média de 364,87 arrobas/alq - redução de 2,3% em relação à safra anterior.
Em termos de preço, também poderia ser melhor. O gráfico 1 apresenta a evolução dos valores médios mensais do algodão em pluma para três mercados: o indicador do algodão que reflete o preço posto São Paulo; o preço da pluma no atacado paranaense e a cotação na Bolsa de Nova York (transformado de centavos de dólar por libra peso para reais por arroba), nos últimos 5 anos.
O gráfico mostra que os anos de 97 e 98 foram de preços baixos (chegando na casa de 25 reais por arroba), seguidos de preços acima de 30 reais em 99 e um pouco mais baixos em 2000. A média de fevereiro deste ano é maior do que os valores praticados em fevereiro de 97 e 98, mas inferior aos valores de fevereiro de 99 e 2000. No geral o indicador, em fevereiro deste ano foi 1,8% superior à média dos 4 anos anteriores.
O preço em dólar na Bolsa de Nova York está quase 9% inferior à média de fevereiro dos últimos 4 anos mas a desvalorização do Real (especialmente agora em fevereiro) torna os preços internacionais, expressos em moeda brasileira, 30% maiores do que nos últimos 4 anos. Em resumo, os preços aqui dentro estão abaixo da paridade a julgar pela diferença de comportamento dos preços internos e externos.
A safra começa, portanto, sem destaques bons ou ruins de preços ou produção. No Centro-Oeste as lavouras devem produzir muito bem, novamente, com bom retorno para os produtores da região. O alto custo por hectare tem sido largamente compensado pelos preços e pela produtividade na região (e pelo apoio do governo com PEP e Opções).
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A E M I L H O
Ccomo enfrentar os preços baixos
Com as colheitas da safra de verão 00/01 já em andamento em algumas regiões do País, soja e milho iniciam esse mês de março com os preços em níveis muito abaixo da média histórica. Em linhas gerais, a desvalorização atual dos preços no Brasil é fruto da perspectiva de supersafra para as culturas (com recordes de produção e de produtividade) e dos baixos preços dos produtos no mercado internacional.
A condição de maior produção e menor preço não devem comprometer significativamente a renda total das propriedades nesse ano, mas deve dificultar, sobremaneira, o planejamento e a execução do fluxo de caixa nas propriedades rurais, onde a soja e o milho são as culturas mais importantes. As dificuldades com o fluxo de caixa devem ocorrer porque muitos produtores serão forçados (pelas circunstâncias) a venderem seus estoques a baixos preços, para honrarem compromissos financeiros assumidos anteriormente e para manterem o nível de atividade e o funcionamento de suas empresas.
Com o intuito de auxiliar os produtores na comercialização da safra 00/01, trazemos nesse artigo uma série de informações, através de um conjunto de gráficos, sobre os preços de mercado da soja e do milho nos últimos 10 anos. Nesse momento, deve-se lembrar que os produtores rurais individualmente não têm nenhum poder para definir sobre os preços de mercado. Mas eles podem, pelo menos, definir o momento da venda de sua safra. É nesse sentido que o conhecimento do padrão histórico dos preços pode auxiliar no processo de planejamento da comercialização.
O leitor deve observar nos gráficos 2 e 3 que raras vezes os preços de mercado da soja e do milho permanecem por muito tempo em níveis muito baixos ou muito altos, já que a grande variabilidade de preços ao longo do ano e entre anos é uma característica natural dos mercados agropecuários.
Valores em dólar
Quando se considera o atual valor da soja e do milho na moeda norte-americana chega-se a uma situação preocupante. No mercado de balcão, por exemplo, a soja para o produtor vale atualmente 8,22 dólares a saca, contra uma média de 11,31 dólares a saca nos últimos 10 anos. A desvalorização atual do preço da soja em dólar é, portanto, de 27,4 %.
No caso do milho, o preço atual ao produtor paranaense corresponde a apenas 3,59 dólares a saca, o menor valor dos últimos 10 anos. Nesse período, o preço médio é de 6,11 dólares a saca, indicando uma desvalorização dos preços atuais de 41,3 % frente ao valor médio da última década.
Os gráficos 2 e 3 ilustram a atual defasagem de preços dos dois principais produtos (soja e milho, respectivamente) da agropecuária paranaense. Eles mostram a evolução dos preços médios semanais da soja e do milho ao produtor paranaense nos últimos 10 anos. Nos gráficos 2 e 3, a linha mais grossa indica os preços em dólar por saca entre janeiro de 1991 e fevereiro de 2001 e, a mais fina os preços em reais entre julho de 1994 e fevereiro de 2001.
Valores em reais
Para os preços em Reais foram considerados nos gráficos os valores nominais, ou seja, não foi considerada a inflação acumulada desde a decretação do Plano Real em julho de 1994. No caso do milho, a série de preços em Reais indica que o pior momento do produto ocorreu em março de 1995, quando os preços caíram abaixo de R$ 4,5/saca. Os maiores preços do milho em Reais, por sua vez, ocorreram em janeiro de 2000 quando o valor do produto superou os R$ 12/saca.
No caso da soja, a série de preços em Reais indica que o pior momento ocorreu em maio de 1995, quando os preços caíram abaixo de R$ 8,2/saca. Já os maiores preços da soja em Reais ao produtor paranaense ocorreram em outubro de 1999 quando o valor do produto atingiu R$ 19,4/saca.
Relação de preços soja/milho
Apesar da significativa desvalorização atual dos preços tanto da soja como do milho, a situação desse último produto no momento é bem pior que do primeiro. Isso significa que a relação atual de preços entre os dois produtos mostra nítida vantagem da soja sobre o milho. O principal motivo para a melhor situação da soja frente ao milho é a alta cotação do dólar no momento, que favorece ou minimiza principalmente a situação da soja, por ser um produto de exportação.
Nessa semana, o valor de uma saca de soja ao produtor paranaense correspondia ao valor de 2,29 sacas de milho. Uma paridade 22,8% maior frente à média histórica de 1,86 sacas de soja por saca de milho, vigente nos últimos 10 anos.
O gráfico 4 ao lado mostra a evolução da relação de preços soja/milho ao produtor paranaense nos últimos 10 anos. Nesse período, a situação da soja frente ao milho só foi melhor, relativamente à situação atual, durante o ano de 1997, quando uma saca de soja chegou a valer mais de 2,6 sacas de milho.
Interessante destacar, também, que em agosto do ano passado uma saca de soja valia menos de 1,4 sacas de milho, um valor 64% inferior a atual relação de troca de 2,3 para 1.
A arte da comercialização
Com relação à comercialização da produção agropecuária vale destacar os seguintes pontos:
a) não se deve generalizar recomendações de comercialização, pois a melhor opção para um produtor não é a melhor opção para os outros. Isso ocorre porque são muito diferentes os custos de oportunidade do capital vinculado aos estoques de cada agricultor. Para altos custos de oportunidade, normalmente as vendas devem ser antecipadas e, para baixos custos de oportunidade a venda na entressafra normalmente é uma boa opção.
b) o conhecimento dos padrões históricos de preços e a sinalização dos preços nos mercados futuros podem auxiliar os produtores rurais na definição de estratégias de comercialização.
c) a relação de preços entre dois produtos agropecuários é um importante indicador para a definição das vendas alternativas desses produtos ao longo do tempo.
d) a comercialização de produtos agropecuários envolve simultaneamente características de ciência, técnica e arte.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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