F R A N G O
As exportações em janeiro
O setor avícola nacional não pode reclamar da sua atuação junto ao mercado externo neste início de 2001, já que este segmento do agronegócio comercializou nada menos que 77 mil toneladas de carne de frango, com um crescimento de 7% em relação ao volume comercializado no mesmo período do ano passado (71,6 mil toneladas). A receita cambial gerada com as exportações em janeiro foi da ordem de US$ 73,7 milhões F.O.B. (ou seja, 6% superior a apurada em janeiro de 2000).
No segmento dos produtos industrializados de carne de frango observou-se uma melhora sensível na comercialização, com as exportações alcançando 984 toneladas, ou seja, incremento real de 93% acima do volume registrado em igual período de 2000 o qual gerou uma receita cambial de cerca de US$2,5 milhões F.O.B.
Já o preço médio da tonelada da carne de frango cotada no mercado internacional apresentou uma retração da ordem de 1%, atingindo assim a marca de US$ 957,00 por tonelada contra os US$ 966,57 por tonelada registrados em janeiro de 2000.
O mercado do frango inteiro
As exportações brasileiras de frangos inteiros atingiram o volume de 40,8 mil toneladas e apresentaram uma retração da ordem de 6% em relação aos embarques registrados em igual período do ano passado (43,3 mil toneladas). Com relação a receita cambial gerada com estes embarques, a mesma também foi negativa em cerca de 4%, alcançando US$ 36,1 milhões F.O.B.(contra US$ 37,5 milhões F.O.B. em janeiro de 2000), proporcionando com isto um preço médio de US$ 884,00 por tonelada.
A queda nas exportações brasileiras deste segmento foi devido a Argentina que reduziu em 78% suas aquisições através da imposição de uma barreira protecionista ao Brasil. Com esta medida, os embarques brasileiros caíram de 6,4 mil toneladas para as atuais 1,4 mil toneladas.
O mercado dos cortes de frango
Diferentemente do mercado externo de frangos inteiros, os cortes de frango continuaram mantendo o bom desempenho observado ao final do ano passado.
Assim, em janeiro do corrente ano foram embarcadas 36,2 mil toneladas de cortes de frango (volume 27% superior ao observado em janeiro de 2000) que proporcionaram uma receita cambial da ordem de US$ 37,5 milhões F.O.B. ao país (receita 18% maior que a registrada em igual período do ano passado).
Perspectivas
Apesar dos bons resultados apurados pela avicultura nacional neste início de ano, torna-se importante lembrar que é preciso evitar a euforia e buscar sim um constante ajustamento dinâmico entre a oferta e a demanda do setor para que o preço possa proporcionar uma eficiente remuneração e alavancagem de todos os segmentos da cadeia produtiva. Neste sentido, é preciso ficar de olho no mercado e manter o setor unido ao redor de um planejamento estratégico, caso contrário voltaremos a observar o mesmo cenário pessimista que assolou a avicultura nacional no primeiro semestre do ano passado.
Na semana
O preço médio do frango vivo negociado no Estado do Paraná permaneceu estável, apresentando a mesma cotação observada na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,81. Quando comparada com a cotação média de janeiro (R$ 0,83) observa-se uma redução da ordem de 2,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos uma redução de 1,2% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
e-mail:jpadilha@agrárias.ufpr.br
S O J A
Maior produtividade em todo o Estado
Salvo grandes surpresas climáticas nessa reta final de desenvolvimento da safra 2000/2001 de soja, praticamente todas as regiões produtoras do Estado do Paraná obterão maiores produtividades em relação aos anos anteriores.
Isso significa que os produtores de soja fizeram a sua parte com relação à condução das lavouras, que também favorecidas pelo clima, prometem recordes de produtividade em várias regiões do Estado.
Em termos médios, dados da SEAB/DERAL indicam que as lavouras de soja no Paraná devem render cerca de 2.786 quilos por hectare, ou o equivalente a 112,4 sacas por alqueire. Esse desempenho, embora semelhante ao obtido na safra 98/99 (112,1 sacas por alqueire), representa um crescimento de quase 11% em relação à produtividade obtida na safra 99/00 (101,3 sacas por alqueire).
Em termos regionais as melhores médias de produtividades no Estado devem ocorrer pela ordem nas seguintes regiões, conforme mostra o gráfico: região oeste (118 sacas por alqueire), região sul (114 sacas por alqueire) e região norte (111 sacas por alqueire).
Considerando a área de abrangência dos principais núcleos regionais da SEAB/DERAL na produção de soja, as melhores médias de produtividades no Estado devem ocorrer pela ordem nas seguintes microrregiões, conforme mostra a tabela: Cascavel (123 sacas por alqueire), Ponta Grossa (119 sacas por alqueire), Londrina (117 sacas por alqueire), Toledo (113 sacas por alqueire) e Cornélio Procópio e Maringá (111 sacas por alqueire).
TABELA - - PRODUTIVIDADE MÉDIA DA SOJA NAS PRINCIPAIS REGIÕES PRODUTORAS DO ESTADO, SAFRAS 1998/99 A 2000/01.
Em sacas por alqueire
Núcleo Regional da SEAB/PR - 98/99 - 99/00 - 00/01 (*)
CASCAVEL - 121 - 110 - 123 -
PONTA GROSSA - 114 - 119 - 119 -
LONDRINA - 111 - 82 - 117 -
TOLEDO - 121 - 97 - 113 -
C. PROCÓPIO - 105 - 70 - 111 -
MARINGÁ - 117 - 104 - 111 -
C. MOURÃO - 116 - 109 - 109 -
FCO. BELTRÃO - 99 - 107 - 109 -
IVAIPORÃ - 101 - 103 - 108 -
PATO BRANCO - 95 - 104 - 105 -
Média do Estado - 112 - 101 - 112 -
Fonte: SEAB/DERAL
(*) estimativa
Preocupação com os preços
Felizes com a produtividade, mas preocupados com o baixo preço da soja. Esse é o sentimento predominante, nesse momento, para a maioria dos sojicultores do Estado. Principalmente para aqueles: (a) que não fixaram os preços antecipadamente; (b) que se encontram com o fluxo de caixa ‘‘apertado’’ devido a perda da safra de inverno do ano passado; (c) que possuem grandes compromissos financeiros com vencimento no primeiro semestre do ano.
Nos últimos 60 dias, o preço médio da soja no Estado já caiu 13,4%, passando de R$ 19,2 para R$ 16,6 por saca. No curto prazo, a expectativa para os preços indica ligeira queda ou manutenção em relação aos níveis atuais.
José Roberto Canziani - Prof.da UFPR
e-mail: [email protected]
M I L H O
OPÇÕES??
Andaram questionando esta semana se adquirir os Contratos de Opção do Governo é ou não um bom negócio. Vejamos. O preço de exercício dos Contratos de Opção que o governo lançou para o milho até agora é de R$ 9,77/sc para Paraná e outros estados (R$ 9,51/sc para Goiás). O vencimento destas opções é em 1º de outubro com pagamento, pela CONAB, entre 16 e 31 de outubro.
No leilão do dia 15 deste mês foram ofertados 2.222 contratos (27 toneladas ou 450 sacas cada um) para o Paraná e todos foram arrematados. O prêmio mínimo estipulado pelo governo para vender as opções aos produtores e/ou cooperativas era de R$ 21,98/contrato (ou R$ pouco menos de 5 centavos por saca). No leilão, o prêmio médio final foi de R$ 210,10/contrato (ou 39 centavos de real por saca). Além do prêmio, quem comprar o contrato paga uma taxa de R$ 6,50/contrato para registro do mesmo na CETIP.
Quem compra um contrato de opção de venda do governo adquire o direito de vender milho ao governo pelo preço de exercício (R$ 9,77/sc) no vencimento da opção. Mas quem comprar a opção não terá o dever de vender ao governo na data de vencimento. Se, em final de setembro (nas vésperas do vencimento da opção) o produtor observar que o preço de mercado está superior ao da opção ele simplesmente não exerce a opção e vende no mercado. Fazendo isto ele perderá o prêmio que pagou mas, por outro lado, venderá no mercado por um preço melhor do que o da opção.
Se, no vencimento, o preço de mercado estiver abaixo do preço da opção o produtor exerce seu direito e vende ao governo pelos R$ 9,77/sc que é o preço de exercício. A opção é um seguro de preço - um valor garantido a receber dentro de alguns meses.
Vantagens e limitações
A principal vantagem da opção é justamente assegurar um determinado preço para um período à frente (outubro no caso das opções vendidas até o momento) - o produtor saberá que, em outubro, poderá vender seu produto, no mínimo pelos R$ 9,77/sc.
Os contratos leiloados até agora foram disputados, com prêmios muito acima do valor mínimo estabelecido pelo governo (ágio de 855,87%) o que mostra claramente que muitos produtores acham que é um bom negócio. E tem razão - seguro e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
A principal limitação é que a opção é uma boa alternativa para quem não precisa vender o milho agora. Nem todo mundo tem folga de caixa para esperar até outubro. A outra é que nem todos (ao que parece) poderão adquirir os contratos a não ser que o governo não limite a quantidade de contratos que irá vender - o que é muito difícil pois, se os contratos forem exercidos, em outubro o governo terá duas alternativas. A primeira é ficar com o milho (o que geraria um enorme gasto na aquisição do produto para o qual não há orçamento) e a segunda é realizar leilões de PEP para escoar o produto. O PEP implica em subsídio pelo governo e também para este gasto, há limites de recursos. O PEP, por outro lado é a venda pelo preço mínimo. Tem a vantagem de permitir ao produtor vender agora. A desvantagem é ter que se desfazer do produto e não poder esperar.
Semana
A média da semana ficou 5 centavos por saca abaixo da média da semana passada, queda suficiente para tornar o preço médio do Estado abaixo do preço mínimo. Isto está acontecendo em diversas regiões do Paraná e do país - por isso, a necessidade de deslanchar os leilões de Opções e PEP.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]

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