AGROMERCADO
B O I G O R D O
ASSUNTO NACIONAL
A recente suspensão das importações de carne bovina brasileira por parte do Canadá, Estados Unidos e México virou assunto nacional, mobilizando grande parcela de nossa sociedade. As notícias do boicote à carne brasileira foram rápida e amplamente difundidas pela mídia, através de reportagens de capa em importantes jornais e revistas, coberturas pela TV em horários nobres e calorosos depoimentos de ministros e até do presidente da república.
Há muito tempo não se via em nosso País uma mobilização tão expressiva, em torno de uma causa do setor agropecuário. A razão é clara: as medidas contra o Brasil foram políticas, intempestivas e totalmente arbitrárias.
Esse problema específico, no entanto, deve ser resolvido em breve, pois a própria comunidade científica daqueles países (notadamente, do Canadá) vem apontando para o erro técnico de seus governantes. Se isso ocorrer, as perdas comerciais para o Brasil não serão grandes e, provavelmente, a revitalizada união de esforços entre o setor produtivo, lideranças rurais e o governo brasileiro, em busca de melhores padrões sanitários para o nosso rebanho bovino, pode até contribuir, no futuro, para um desenvolvimento mais rápido e sustentável da pecuária corte em nosso País.
Exportações brasileiras
Nos últimos 2 anos, o valor total das exportações brasileiras de carne bovina cresceu cerca de 34%, passando de 587 para 792 milhões de dólares. Nesse período, o destaque foi a ampliação das vendas de carne fresca para o exterior, cujo valor praticamente triplicou, passando de 57 para 169 milhões de dólares, conforme mostra a tabela 1.
O desempenho das exportações de carne bovina, no entanto, poderia ter sido bem melhor, caso não tivesse ocorrido a queda generalizada dos preços internacionais da carne nos últimos 2 anos. Entre 1998 e 2000, o preço médio das exportações brasileiras de carne bovina caiu quase 20%, passando de 2.947 para 2.326 dólares por tonelada (tabela 3). A maior redução percentual de preço (33%) ocorreu justamente com a carne fresca, cujo valor médio passou de 5.271 dólares por tonelada em 1998 para 3.540 dólares por tonelada no ano passado.
Com relação ao volume, as vendas brasileiras de carne bovina ao exterior vem apresentando desempenho favorável nos últimos 2 anos. Entre 1998 a 2000, o volume total cresceu expressivos 70%, passando de 199 para 340 mil toneladas, conforme mostra a tabela 2. Em termos percentuais, merece destaque o crescimento de quase 340% no volume de vendas de carne fresca e, em termos absolutos, o crescimento de quase 70 mil toneladas de carne congelada.
Mercado interno
A referida crise nas exportações brasileiras de carne bovina acelerou, nessa primeira quinzena de fevereiro, a queda nos preços do boi gordo nas principais regiões produtoras do país. No Paraná, o preço médio do animal caiu 3,8%, passando de R$ 39 por arroba no final de janeiro para R$ 37,50 por arroba nessa semana.
No acumulado do ano, a queda no preço do boi gordo chega a 6,3% ou R$ 2,5 por arroba, se comparada a cotação média atual (R$ 37,5/@) e o valor de R$ 40/@ vigente no final de dezembro.
O problema com as exportações, vale ressaltar, não foi o único fator de pressão baixista para os preços do boi gordo nos últimos dias. Também contribui para a queda nas cotações os seguintes fatores: (a) a recente liberação para o trânsito de animais vivos do Estado do Mato Grosso do Sul (que possui o maior rebanho do país) para os demais Estados livres da febre aftosa (principalmente para os Estados do Paraná e São Paulo); (b) a vigência do período de safra com consequente ampliação da oferta; (c) as excelentes condições climáticas para o desenvolvimento das pastagens; e (d) as reduções de preços do suíno e do frango.
Prof. José Roberto Canziani - Prof da UFPr
E-mail: [email protected]
M I L H O
GOVERNO TEM QUE AGIR
Apesar das medidas de apoio à comercialização de milho anunciadas pelo governo, os preços continuam caindo. Esta semana a redução foi de 5 centavos por saca na média do Estado atingindo R$ 7,30/sc - muito perto do mínimo. Se a média está perto dos R$ 7,28 estabelecido como valor mínimo para o milho, é claro que em diversas regiões os preços já estão abaixo do mínimo. Hora de agir!
A necessidade de sustentar o preço do milho acima de um determinado valor tem diversas justificativas. É a segunda (em área) maior cultura do país, plantada por milhares de produtores rurais no Brasil inteiro (pequenos, médios e grandes produtores) e é a base de sustentação da produção animal. Além de benefícios indiretos como a rotação de área com a soja.
Cada vez que o preço do milho chega a patamares decepcionantes a área plantada reduz na safra seguinte, elevando os preços, encarecendo a produção animal e gastando divisas do país para importar. Deve sair mais barato para o país lançar mão de medias eficazes para sustentar o preço - os mecanismos já anunciados de PEP e Opções podem dar conta do recado.
É bom lembrar, ainda, que em ocasiões como esta os prejuízos tendem a ser maiores para os pequenos produtores que não dispõe da mesma estrutura financeira dos médios e grandes e acabam vendendo no pior momento. Mais uma razão para a urgência - afinal, 3,67 dólares por saca de milho não é preço que se apresente, ainda mais com a chuvarada sobre as lavouras.
Mercado externo
Devagar e sempre, os preços do milho vão se recuperando no mercado internacional. Este recuperação não é de curto prazo, ou seja, não estou me referindo aos preços desta semana em relação à anterior ou nos últimos 30 dias. A análise é de longo prazo. De janeiro até esta semana, a média das cotações diárias do milho na bolsa de Chicago é de 222,69 centavos de dólar por bushel (US$ 87,67/tonelada) - por enquanto está média é superior à média do ano 2000 (2,84% acima) e do ano de 99 (2,26% acima). Já é alguma coisa pois estes dois últimos anos apresentaram os preços mais baixos dos últimos 10 anos.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
F R A N G O
RELAÇÃO DE TROCA DA AVICULTURA EM 2000
A relação de troca vem a ser um importante indicador da situação de capitalização ou descapitalização que determinado produto do agronegócio nacional apresenta em relação ao principal insumo utilizado na sua produção, além disto serve como referencial para a determinação de melhores momentos para comercializar a produção e adquirir insumos.
No caso da avicultura de corte mais de 70% dos custos totais de produção estão relacionados com a alimentação das aves, sendo o milho o principal componente ou insumo das rações. Ao analisarmos a relação de trocas entre a saca de milho e o quilograma do frango em 2000, no Paraná, alguns aspectos ficam claros para explicar o comportamento observado.
No caso do mercado do frango a expectativa criada pelo aumento do consumo da carne de frango em 1999, a elevação das cotações da tonelada do produto no mercado internacional, a ampliação do preço do quilograma do frango vivo no mercado interno e o crescimento nas exportações fez com que o setor aumentasse muito a produção fazendo com que o preço oscilasse bastante ao longo do ano. Já no mercado do milho, os avicultores continuaram a enfrentar dificuldades maiores que as observadas em 1999 devido ao baixo estoque de passagem e à quebra registrada na safra de verão ocorrido principalmente em importantes regiões produtoras como Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo que fizeram com que o preço do produto apresentasse uma elevada sustentação ao longo do ano de 2000.
Diante do cenário formado acima, podemos observar na Tabela como foi a evolução da relação de trocas entre o quilograma do frango vivo e a saca do milho ao longo do ano de 2000.
No início de 2000, um avicultor paranaense precisava comercializar 14,1 quilogramas de frango vivo para poder adquirir uma saca de 60 quilogramas de milho. Com o passar dos meses esta situação piorou pois o preço do frango perdeu sustentação forçando então o avicultor a ter que vender 15,2 quilogramas de frango (7% a mais de produto) para adquirir a mesma saca de milho em maio. A partir de junho começou-se a observar uma melhoria em favor dos produtores (elevação na cotação do frango e leve redução no preço do milho) com a relação de trocas em dezembro sendo a melhor observada em 2000 (10,3 quilogramas de frango por saca de milho). Em termos médios, os produtores paranaense precisaram comercializar 13,5 quilogramas de frango para adquirir uma saca de milho no ano de 2000.
No inicio de 2001, a situação continuou favorável para o lado dos avicultores, com a relação de trocas registrada em janeiro sendo de 9,7 quilogramas de frango por saca de milho.
Na semana
O preço médio do frango vivo negociado no Estado do Paraná apresentou um incremento da ordem de 1,3% em relação a cotação observada na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,81. Quando comparada com a cotação média de janeiro (R$ 0,83) observa-se uma redução da ordem de 2,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos uma redução de 1,2% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
E-mail:jpadilha@agrárias.ufpr.br





