C A F É
RETROSPECTIVA E PERSPECTIVAS
O ano de 2000 foi marcado por preços decrescentes no mercado mundial de café. Desde o início do ano, o mercado trabalhou com números que indicavam uma super oferta do produto, o que se confirmou com as estimativas da produção mundial divulgadas pelo USDA em dezembro último (115,1 milhões de sacas). Como a demanda mundial não deve crescer na mesma proporção - o USDA estimou o consumo de 108 milhões de sacas -, a pressão de oferta foi suficiente para deprimir as cotações internacionais e, consequentemente, as nacionais do café.
Visualizando o quadro, já no primeiro semestre de 2000, o Brasil propôs aos outros países produtores um programa para restringir em 20% as exportações mundiais de café. O sucesso do plano dependeria exclusivamente da adesão de todos os países produtores de café, mas até agora nada de efetivo foi notado neste sentido. Pelo contrário, enquanto o Brasil começou a reter seu café em junho de 2000 (até dezembro, 1,867 milhões de sacas tinham sido retidas, segundo dados do IEA), os demais produtores aproveitaram para desovar seus estoques, já que iniciariam a retenção apenas em outubro de 2000. Este é o mês em que se inicia a colheita em tais países, porém, alguns deles alegaram não ter condições financeiras ou de infra-estrutura para viabilizar o plano, deixando de fazê-lo.
Como resultado verificamos que o Brasil perdeu market-share no mercado internacional. Entre janeiro e dezembro de 2000, o Brasil exportou 17,6 milhões de sacas de café verde e solúvel (Cecafé), o que representa uma redução de 23% nos embarques quando comparados com o mesmo período de 1999. Em termos financeiros, houve uma redução de 26% na receita obtida com as exportações brasileiras, que totalizaram US$ 1,638 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2000 (em 1999, a receita no mesmo período foi de US$ 2,234 bilhões - Secex).
Por outro lado, as exportações mundiais aumentaram em 2% de janeiro a novembro de 2000, totalizando 78,739 milhões de sacas (OIC) - só o Vietnã aumentou em 47% suas exportações neste período. Aliás, o Vietnã assumiu o posto de segundo maior produtor mundial de café em detrimento da Colômbia, que passou para o terceiro lugar. Este é apenas um dos indicadores que apontam para um crescimento considerável na produção mundial de café robusta.
Com a oferta de café tão pulverizada, o Brasil, de forma isolada, perdeu força no mercado externo e os reflexos atingiram negativamente todos os setores da cadeia brasileira. A média mensal dos preços Cepea/Esalq em janeiro de 2000 foi R$ 223,56/saca de 60 kg e, depois de cair continuamente, fechou dezembro de 2000 em R$ 128,19 (ver tabela).
CAFÉ - INDICADOR DE PREÇOS CEPEA/ESALQ, MÉDIA MENSAL.
Mês - Valor - R$/saca de 60 kg
Jan/00 - 223,56
Fev/00 - 197,39
Mar/00 - 194,20
Abr/00 - 180,33
Mai/00 - 179,31
Jun/00 - 157,37
Jul/00 - 150,01
Ago/00 - 137,83
Set/00 - 137,34
Out/00 - 143,78
Nov/00 - 141,65
Dez/00 - 128,19
Os fatores climáticos (a geada de julho e a seca em outubro) conferiram uma sustentação apenas momentânea aos preços. Contudo, a Embrapa insiste que tais adversidades, somadas ao ciclo bianual da cultura, proporcionarão uma quebra de 14% para a produção brasileira em 2001/02. Segundo este órgão, a próxima safra deverá totalizar 26,7 milhões de sacas, frente às 31,1 milhões de sacas produzidas em 2000/01.
O número divulgado pela Embrapa para o ano-safra 2001/02 foi duramente contestado pelo mercado, que espera uma produção de, no mínimo, 30 milhões de sacas. A previsão de oferta restrita de café serve para que o governo continue realizando seus leilões oficiais para as indústrias de torrefação e solúvel, apesar da necessidade deste mecanismo ter sido bastante questionada durante o ano passado, basicamente pelo fato de os produtores, principalmente no Paraná, terem encontrado dificuldades em escoar seu café de qualidade inferior.
Ao longo do ano, em geral, os vendedores mantiveram uma postura retraída no mercado físico, comercializando sua produção conforme a necessidade de caixa e buscando alternativas em outros ativos, como a soja, boi, CPR e mercados futuros. Os financiamentos contribuíram para que os produtores tivessem maior fôlego, e as vendas antecipadas foram bastante utilizadas - entretanto, não foram considerados os riscos inerentes ao prolongamento de uma tendência baixista tão forte.
Dentro deste panorama, no curto prazo as perspectivas para o mercado cafeeiro não são otimistas. Os estoques de café nos países consumidores continuam altos (17,381 milhões de sacas em outubro de 2000, contra 11,3 milhões de sacas no mesmo período de 1999, segundo relatório da Exportadora Tristão) e a menos que uma catástrofe climática ou políticas globais realmente eficientes restrinjam a oferta do produto no mercado mundial, os preços não devem se reverter radicalmente.
Desta forma, o produtor deve estar atento à sua competitividade para sobreviver num período de baixos preços. Ele precisa buscar a máxima produtividade com o mínimo de custos possíveis, investindo na qualidade de seus cafés. Além disso, as vendas devem ser distribuídas ao longo do ano, não concentrando a comercialização e as dívidas com insumos na época da colheita - período no qual há uma maior depressão nos preços.
Margarete Boteon - Pesquisadora do CEPEA
Mariana Perozzi - Jornalista do CEPEA
S U Í N O
UM BALANÇO NACIONAL EM 2000
Encerrado 2000 e estabelecido o balanço da suinocultura nacional, notamos ter sido este mais um ano de dificuldades para o setor onde a maioria dos incrementos esperados efetivamente não aconteceram.
Em 1999, este importante segmento do agronegócio brasileiro trabalhou praticamente sem lucratividade devido a um conjunto de fatores desfavoráveis. Apesar das cotações no mercado interno terem permanecido acima da média histórica, a desvalorização cambial do real frente ao dólar americano afetou fortemente o setor devido ao fato da maioria dos insumos básicos serem cotados em moeda estrangeira.
Assim, o ano de 2000 iniciou com a maioria dos produtores descapitalizados, insumos com preços elevados e uma conjuntura de preços baixistas que contrastaram bastante com os preços remuneradores observados no último trimestre de 1999 quando a elevação da cotação da carne bovina no mercado interno e a tradicional formação de estoques de final de ano por parte das indústrias ajudaram a impulsionar para cima o quilograma do suíno.
No Estado do Paraná, as cotações médias mensais nominais da carne suína apresentaram um comportamento bastante variável iniciando o ano com o quilograma valendo R$ 1,21. Posteriormente observou-se uma retração da ordem de 22,3% com o mesmo quilograma sendo negociado a R$ 0,94 no mês de maio quando então a cotação voltou a crescer positivamente 34% fechando o ano valendo nada menos que R$ 1,26.
Dentre os principais fatores responsáveis pelo enfraquecimento do mercado da carne suína podemos citar a crescente expansão da oferta que não tem encontrado demanda suficiente por parte dos consumidores, a competição direta com a carne de frango e a carne bovina, o problema da imagem negativa que o consumidor ainda tem em relação a carne suína e a falta de incentivo por parte das indústrias com relação ao maior consumo de carne ‘‘in natura’’ que é mais acessível ao consumidor do que a carne industrializada.
A suinocultura de 2000 em números
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo segmento, podemos notar que de maneira geral a suinocultura nacional vem caminhando dinamicamente. Em 2000, a produção nacional de carne cresceu 8,2% em relação ao ano anterior atingindo o volume de 1,84 milhão de toneladas equivalentes carcaça; o rebanho nacional teve um incremento da ordem de 1,6% chegando a 38,3 milhões de cabeças; os abates aumentaram 5,1% alcançando 24,7 milhões de cabeças com uma taxa de desfrute de 64,5% em 118 indústrias frigoríficas.
O custo de produção médio estimado para o suíno nacional ficou em torno de US$ 0,60 por quilograma enquanto que o americano é de US$ 1,0 e o da Comunidade Econômica Européia de US$ 1,20.
As importações foram da ordem de 1,5 mil toneladas equivalente carcaça enquanto que as importações atingiram volumes de 122 mil toneladas equivalente carcaça (incremento de 39,7% em relação a 1999) gerando nada menos que 163,5 milhões de US$ em receitas cambiais para o Brasil (incremento de 33,2% em relação ao ano anterior).
Os principais mercados importadores da carne suína brasileira em 2000 foram Hong Kong que adquiriu 52,5 mil toneladas do produto (responsável por 43% do total embarcado) gerando US$ 70,3 milhões em receitas cambiais seguido pela Argentina com 48,8 mil toneladas (40% das exportações nacionais) proporcionando US$ 65,4 milhões de receita cambial e pelo Uruguai que comprou do Brasil 6,1 mil toneladas de carne suína (5% das exportações) gerando US$ 8,2 milhões em receitas cambiais.
O preço médio anual da tonelada exportada ficou no patamar de US$ 1,34 mil e o consumo per capita nacional foi de 10,7 quilogramas por habitante ano.
Do total da produção nacional de suínos em 2000, cerca de 66% foi destinado ao abastecimento do mercado interno, deste 30% foi comercializado na forma de carne congelada, salgada ou gordura enquanto que os 34% restantes foram destinados ao abastecimento do mercado externo.
A região Sul do Brasil (PR, SC e RS) é responsável por cerca de 80% da produção nacional e tem atualmente um consumo ‘‘per capita’’ de 19 quilogramas por habitante ano.
No Estado do Paraná, o plantel de suínos em 2000 era da ordem de 4,2 milhões cabeças, além disto o Estado detinha a segunda posição nacional em rebanho e a terceira colocação em produção, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul, em rebanho, e para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul em produção. Os abates no Estado ficaram concentrados mais na região de Toledo (30%), Ponta Grossa (25%) e Cascavel (15%).
As perspectivas para 2001
Para o ano de 2001, as projeções com relação às exportações mundiais de carne suína deverão atingir um volume de 3,1 milhões de toneladas, com mais de 30% do total sendo exportado pela Comunidade Econômica Européia, destacando a Dinamarca e a França como os dois maiores exportadores.
Apesar da CEE ser o maior bloco exportador mundial, espera-se que as exportações em 2001 sejam menores que as de 2000, devido ao fato de terem ocorrido diminuições nos subsídios, que tornavam estes países competitivos apesar de seus altos custos de produção (mais de US$ 1,20 por quilograma contra US$ 0,60 do Brasil).
O Brasil possui uma previsão de comercializar 160 mil toneladas e começar a buscar o seu espaço entre os maiores exportadores mundiais. Entre os principais mercados ambicionados estão a Ásia (o Japão importa 900 mil toneladas por ano), a Europa e os Estados Unidos.
As variáveis internas tornam a sinalizar favoravelmente a suinocultura (perspectiva de uma safra abundante de milho de 37,7 milhões de toneladas - 1ª e 2ª safra e 33,5 milhões de toneladas de soja) bem como as externas (recuperação dos preços internacionais, diminuição de subsídios) a perspectiva de um crescimento nas vendas externas do Brasil este ano.
No mercado interno espera-se uma melhor coordenação entre oferta e demanda para manutenção das cotações em patamares que possam remunerar eficientemente toda a cadeia produtiva; a redução da ‘‘distorção’’ de preços ao longo da cadeia; um programa de marketing que expanda o consumo da carne suína (mais de 10 kg por habitante ano); a redução da carga tributária (Custo Brasil) bem como o crescimento normal da demanda e do poder aquisitivo da população.
Na semana
O preço médio do suíno tipo carne negociado no Estado do Paraná apresentou uma retração da ordem de 0,83% em relação a cotação observada na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,19. Quando comparada com a cotação média de dezembro (R$ 1,26) observa-se uma redução da ordem de 5,6% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos uma redução de 1,7% nas cotações.
Das principais praças do estado analisadas, Cornélio Procópio e Jacarezinho foram as que apresentaram cotação mais elevada na semana (R$ 1,40), seguida por Londrina, Maringá e Umuarama (R$ 1,30). As menores cotações do suíno foram observadas em Toledo e União da Vitória (R$ 1,14).
João Batista Padilha Junior- Prof. da UFPR
e-mail:jpadilha@agrárias.ufpr.br

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