S O J A
ESTOCAGEM GEROU PREJUÍZO EM 2000
O comportamento dos preços da soja ao longo do ano passado gerou prejuízo para aqueles que optaram por estocar e vender a produção na entressafra. De uma forma geral, a queda de preços entre março e agosto não foi compensada pelo aumento dos preços verificado a partir de setembro. Assim, as perdas com a estocagem foram maiores ou menores dependendo dos custos de oportunidade do capital vinculado aos estoques de cada agricultor.
Evolução dos preços
Em 2000, os preços da soja ao produtor paranaense iniciaram o ano com valores na faixa dos R$ 18/saca (preços de balcão), situação que perdurou até a primeira quinzena de março. A partir desse período, com a intensificação da colheita da safra 1999/2000 na América do Sul, os preços recuaram para a faixa entre R$ 17 e R$ 17,5/saca, permanecendo nesse intervalo até o início do mês de junho.
No final de junho, quando praticamente encerra-se o plantio da soja nos Estados Unidos, as projeções de uma grande safra de soja (2000/2001) naquele país (que é o principal produtor mundial) voltaram a derrubar ainda mais as cotações da soja nos mercados nacional e internacional. Foi daí que ocorreu o pior período para a venda da soja no ano passado, quando os preços médios ao produtor paranaense caíram abaixo dos R$ 16/saca ao longo dos meses de julho e agosto.
A partir de setembro, mas sobretudo no último trimestre do ano, os preços da soja ao produtor paranaense voltaram a reagir, pelos seguintes motivos:
(a) - melhores evidencias de que a safra norte-americana de soja 2000/2001 não seria tão grande, relativamente as projeções dos meses anteriores;
(b) - menor volume de estoques de soja no mercado interno;
(c) - desvalorização do real frente ao dólar. Na média mensal, o valor do dólar passou de 1,80 reais em agosto, para 1,84 em setembro, 1,87 em outubro, 1,94 em novembro e 1,96 em dezembro;
(d) - novas perspectivas de ampliação no consumo de farelo de soja na Europa em substituição ao consumo de farelos de origem animal, devido ao ressurgimento de novos focos da doença da vaca louca nos rebanhos bovinos da Europa.
Diante desse novo quadro, os preços da soja em reais voltaram a reagir. Passaram da média mensal de R$ 15,8/saca em agosto, para R$ 16,3/saca em setembro, e depois para R$ 17/saca em outubro; R$ 17,3/saca em novembro e R$ 18,9/saca em dezembro. Assim, no período entre agosto e dezembro, vale ressaltar, os preços da soja em reais subiram cerca de 20%, contra uma mudança de aproximadamente 9% na taxa de câmbio.
O gráfico, mostra a evolução dos preços da soja ao produtor paranaense nos últimos 5 anos. A linha superior indica os preços em reais e a inferior os preços em dólar.
Relativamente aos anos anteriores, os preços da soja em reais no ano de 2000 estiveram valorizados. O preço médio anual do ano passado ficou em R$ 17,2/saca, contra R$ 16,1/saca em 1999, R$ 13,3/saca em 1998, R$ 16,2/saca em 1997 e R$ 14,1/saca em 1996.
Para o mesmo período dos últimos 5 anos, a evolução dos preços em dólar se mostra bastante diferente em relação aos preços em reais, sobretudo a partir do início de 1999, quando o Brasil passou a adotar uma política de câmbio flutuante, que acabou desvalorizando significativamente a moeda brasileira frente ao dólar. Na média anual (janeiro a dezembro), os preços médios da soja em dólar foram os seguintes: US$ 14/saca em 1996; US$ 15,1/saca em 1997; US$ 11,5/saca em 1998; US$ 8,9/saca em 1999 e US$ 9,4/saca em 2000.
Os cálculos do armazenamento
Como dito acima, a estocagem da safra 99/00 de soja deu prejuízo no ano passado, indicando que quem vendeu logo após a colheita obteve uma receita real superior aqueles que venderam ao longo do ano.
O gráfico ao lado, sintetiza os resultados obtidos no ano passado, considerando um custo de armazenamento de 7 centavos por saca por mês e diferentes custos de oportunidade para o capital investido nos estoques. No caso, taxas nominais de 1%, 3%, 5% e 7% ao mês.
Considerando a taxa de 1% ao mês (no caso a taxa mais relevante e adequada para a agricultura) como custo de oportunidade do capital investido nos estoques, a venda da soja em agosto foi a pior opção do ano. Quem vendeu em agosto perdeu 17,5% relativamente as vendas feitas em março. E quem vendeu em dezembro perdeu 4,6% relativamente as vendas feitas em março. Assim, para a taxa mensal de 1%, os prejuízos acumulados com a estocagem da safra aumentaram de março a agosto e foram minimizados de agosto a dezembro.
Por fim, o gráfico mostra também, que apesar da valorização da soja a partir de setembro, os prejuízos foram grandes nas situações onde os custos de oportunidade do capital investido nos estoques forma superiores a 3% ao mês. Para esses casos, a venda da soja durante o segundo semestre do ano passado, relativamente às vendas realizadas em março, causaram prejuízos superiores a 20% na comercialização da safra 99/00.
Nesse caso, o ‘‘consolo’’ é que os produtores de milho, que optaram pelo armazenamento da safra de verão até o segundo semestre, tiveram perdas extraordinariamente maiores.
Os custos nas safras 99/00 e 00/01
Para tratarmos sobre o custo de produção, optamos por analisar a evolução dos preços de alguns insumos vigentes no plantio da safra 99/00 e no plantio da atual safra 00/01. Assim, a tabela ao lado apresenta um comparativo de preços de vários insumos utilizados na cultura da soja para os meses de novembro de 1999 e novembro de 2000.
Os dados são do DERAL - Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná e representam uma média ponderada para todo o Estado.
Pelos dados apresentados na tabela, exceto para o óleo diesel, pode-se observar uma certa semelhança entre os preços dos insumos utilizados na atual safra 2000/2001 (em desenvolvimento) com aqueles pagos pelos produtores na safra anterior 1999/2000.
Entre novembro de 1999 a novembro de 2000, pode-se destacar as seguintes variações nos preços médios dos insumos relacionados na tabela: semente (alta de 1%); fertilizantes (queda de 5%); inseticidas (queda de 1%); fungicidas (queda de 1%); herbicidas (queda de 2%); espalhantes (alta de 1%); e óleo diesel (alta de 16%).
José Roberto Canziani - Prof. da UFPR
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F R A N G O
BALANÇO DA AVICULTURA NACIONAL EM 2000.
Encerrado o século XX e levantadas as estatísticas do setor avícola nacional, podemos concluir que o ano de 2000 até que não foi tão ruim para este competitivo segmento do agronegócio nacional.
No começo do ano, a expectativa criada pelo aumento do consumo da carne de frango no ano anterior, a elevação das cotações da tonelada do produto no mercado internacional, a ampliação do preço do quilograma do frango vivo no mercado interno e o crescimento nas exportações fez com que o setor expandisse sem um planejamento adequado nem a certeza sobre o comportamento do mercado futuro.
Dito e feito, no mercado mundial, a produção de carne de frango também aumentou e as consequentes ofertas dos países exportadores pressionaram os preços para baixo em torno de 20% (menos de US$ 905,00 por tonelada de frango inteiro e US$1.000,00 por tonelada de frango em pedaços, em média).
No mercado paranaense, observou-se o mesmo efeito, com o preço do quilograma retraindo de R$ 0,85 para R$ 0,73 (queda de 14,1%) entre os meses de janeiro e junho de 2000.
Após terem sido tomadas medidas que visaram a desaceleração da produção de carne de frango (redução do alojamento de pintos de um dia) com equivalente redução da oferta para a exportação, os preços voltaram a responder positivamente mês após mês e, no Paraná, observou-se um incremento positivo nas cotações da ordem de 24,7%, com o preço do quilograma do frango vivo variando de R$ 0,73 em junho para R$ 0,91 em dezembro.
O mercado externo da carne de frango
Com relação às exportações brasileiras de frangos em 2000, o balanço geral pode ser considerado bom para o setor. Os volumes embarcados pelo Brasil atingiram a expressiva marca de 906,7 mil toneladas que, quando comparado com o exportado no ano anterior representa um crescimento da ordem de 18% (136 mil toneladas). O Estado do Paraná, neste contexto, foi responsável por mais de 20% de todas as exportações nacionais em 2000.
Diante desta situação, o Brasil continua sendo o segundo maior exportador de carne de frango do mundo, logo atrás apenas dos Estados Unidos, mas, mesmo assim conseguiu ampliar a sua participação no mercado global (‘‘market share’’) de 14% para atuais 17%. A receita cambial gerada ao país com a comercialização da carne de frango no mercado mundial apresentou um recuo da ordem de 8%, variando de US$ 875,4 milhões em 1999 para US$ 805,7 milhões em 2000.
No segmento do frango inteiro, em 2000, o Brasil embarcou nada menos que 470 mil toneladas, apresentando 11% de crescimento sobre o volume comercializado no ano anterior. A receita cambial gerada foi de US$ 361 milhões F.O.B., com recuo de 15% sobre a do ano anterior. Este segmento é responsável por 52% do volume embarcado pelo Brasil de frangos inteiros e cortes.
A principal região compradora deste produto foi o Oriente Médio com 349 mil toneladas, representando 74% do total deste segmento. Já no segmento dos cortes de frango (produtos de maior valor agregado), registrou-se embarques da ordem de 436 mil toneladas, representando crescimento de 25% sobre o volume registrado no ano de 1999. Estes números representam que este segmento foi responsável por 48% do total embarcado pelo país em 2000.
A Ásia é a principal compradora dos cortes de frango do Brasil. A região como um todo importou 58% do total exportado pelo Brasil. Foram compradas 252 mil toneladas em 2000, representando crescimento de 16% sobre o ano anterior.
Destaca-se na região as importações do Japão e Hong Kong que, juntos, representam 85% do total importado pela região.
As boas novas para o setor em 2001!
Para o ano de 2001 que se inicia agora, a conjuntura do setor avícola sinaliza melhores situações que as observadas no ano passado. Dentre elas citamos:
Apesar de todos os problemas conjunturais enfrentados pelo segmento da avicultura nacional, torna-se relevante lembrar que ao longo de 2000 o Brasil conseguiu estabelecer contatos comerciais com 15 novos mercados (África, Europa Oriental, América do Sul, América Central).
As variáveis internas sinalizam positivamente (perspectiva de uma safra abundante de milho de 34,6 milhões de toneladas com respectiva redução nos custos de produção do frango) bem como as externas (recuperação dos preços internacionais, diminuição de subsídios e ocorrência de problemas sanitários na Europa e Ásia ) a perspectiva de um crescimento nas vendas externas do Brasil este ano.
Projeções iniciais indicam que o incremento nas vendas internacionais seja da ordem de 10% nos volumes, alcançando 1,0 milhão de toneladas exportadas. Conjugadas a isto soma-se um crescimento de iguais 10% no preço médio possibilitando o Brasil atingir uma receita cambial de cerca de US$ 1,0 bilhão de dólares nas exportações 2001.
No mercado interno espera-se a manutenção das cotações em patamares que possam remunerar eficientemente toda a cadeia produtiva bem como uma expansão no consumo da carne de frango (mais de 30 kg por habitante ano) motivada pelo elevado preço da carne bovina bem como pelo crescimento normal da demanda e do poder aquisitivo da população.
Na semana
O preço médio do frango vivo negociado no Estado do Paraná apresentou uma retração da ordem de 1,2% em relação a cotação observada na semana passada, com o quilograma do frango sendo comercializado a R$ 0,82. Quando comparada com a cotação média de dezembro (R$ 0,91) observa-se uma redução da ordem de 9,9% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado notamos uma redução de 3,5% nas cotações.
Das principais praças do estado analisadas, Cascavel foi a que apresentou a cotação mais elevada na semana (R$ 0,86), seguida por Jacarezinho, Maringá e Ponta Grossa (R$ 0,85). As menores cotações do frango foram observadas em Toledo (R$ 0,75), Umuarama (R$ 0,78).
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
:jpadilha@agrárias.ufpr.br

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