Durante o mês de janeiro, a Folha Agromercado apresenta uma avaliação do comportamento dos mercados ao longo de 2000, para cada um dos produtos analisados regularmente, contemplando, esta semana, feijão, algodão e arroz.
F E I J Ã O
PREÇO BAIXO MARCOU ANO 2000
A safra 99/00 de feijão no Brasil totalizou cerca de 3,07 milhões de toneladas sendo 1,42 milhão de t na primeira safra (águas), 1,43 milhão na segunda safra (seca) e 222 mil toneladas na terceira safra (inverno), segundo dados da CONAB e SEAB/DERAL. Este volume representa um aumento de 5,7% em relação ao volume colhido nas três produções do ano safra 98/99. Por duas safras consecutivas a produção brasileira de feijão cresceu, se afastando do magro resultado da safra 97/98, de 2,2 milhões de toneladas, a segunda menor safra desde o recorde negativo de 92/93 (2 milhões de toneladas).
Como os preços do feijão em 1999 não foram tão atraentes quanto em 98, a área plantada reduziu em 2000 nas três safras (águas, seca e inverno), em 5,6%. Na safra das águas, a área plantada reduziu 3,3% mas cresceu 5,5% na Bahia. A produção acabou crescendo em todas as regiões, exceto no Sul cuja redução foi mais do que compensada pelo aumento nas outras regiões, especialmente na Bahia que se firmou como segundo maior produtor da safra das águas, superando a produção catarinense.
Na safra da seca (2ª safra) a área plantada reduziu 7,2% no País sendo que apenas na região nordeste houve um pequeno aumento de 3%. No Centro-Sul a área plantada reduziu 32,5%. Mas a região nordeste é a grande produtora da segunda safra e a produção nordestina cresceu 34,3%, recuperando-se das perdas ocorridas nas duas safras anteriores. Resultado: a produção nacional de segunda safra apresentou crescimento de 5,2%. A terceira safra foi a menor dos últimos 6 anos, somando pouco mais de 220 mil toneladas.
Os preços, que já não foram bons em 99 se tornaram desanimadores em 2000. Em termos nominais (sem considerar inflação) o preço do feijão preto ao produtor no Paraná foi 29% inferior à média dos últimos 5 anos. Para o feijão cores este percentual é de 13,5%.
Em dólar, o ano 2000 registrou o preço mais baixo dos últimos 20 anos, observado em abril para o feijão preto (US$ $ 11,95/sc) e em março para o feijão de cor (US$ 12,22/sc). Levando em conta os preços em Real, deflacionados pelo IGP, o ano 200 também registra os menores valores dos últimos 20 anos.
Safra 00/01
Realmente não havia motivos para esperar aumento na área plantada para a safra 00/01. Na safra das águas deste ano a área plantada na região centro-sul reduziu 21,9% e a produção está prevista, por enquanto, em 935,4 mil toneladas, redução de 15,8% sobre as 1,111 mil toneladas colhidas no ano passado. O Paraná deverá colher 356 mil toneladas, redução de 9% em relação ao ano passado (que já foi uma produção baixa com quebra de safra).
Desta vez a área reduziu até na Bahia onde devem ser cultivados 275,8 mil hectares, 12% a menos do que no ano anterior (313,4 mil ha). Em princípio, a produção brasileira da primeira safra deve ser 15% inferior à do ano passado, estimada por enquanto em 1.212 mil toneladas, o que permitiria preços um pouco superiores aos do ano passado. O principal fator que pode impedir aumentos de preço para o feijão é a expectativa de crescimento (e da renda) da economia brasileira. O período pós Real mostrou que a população deixa de consumir feijão, substituindo-o por outras fontes de proteína quando a renda aumenta.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
A L G O D Ã O
BRASIL PODE COLHER TERCEIRA MAIOR SAFRA DA HISTÓRIA
A produção nacional de algodão em 2000 foi 699,7 mil toneladas de pluma (DERAL para o Paraná e CONAB para demais Estados). Este volume representa um aumento de 34,7% em relação às 519,5 mil toneladas produzidas na safra 98/99 e de 129% em relação ao magro volume de 305,8 mil toneladas produzidas em 1997 - o menor volume em mais de 20 anos.
A produção brasileira cresceu continuamente nas últimas 3 safras puxada pelo aumento contínuo na área plantada e produção do Centro-Oeste, mais especificamente no Mato Grosso. A produção maior foi acompanhada pela redução dos preços tanto em Real quanto em dólar. O preço médio do ano 2000 foi 92,92 centavos de dólar por libra peso (R$ 30,73/arroba), 1,4% mais baixo do que a média do ano anterior. Em dólar a redução foi 2,6%. O mercado brasileiro não seguiu o mercado externo pois no ano 2000 o preço médio para segunda entrega na Bolsa de Nova York foi 11% superior à média de 99.
O governo teve de intervir no mercado para sustentar os preços no Mato Grosso e o mesmo deverá ocorrer este ano. O preço mínimo da pluma na safra 00/01 é o mesmo da safra anterior R$ 28,60/arroba.

Perspectivas
As estimativas são de aumento na área plantada e na produção brasileiras. A área no Centro-Sul está estimada em 679,2 mil hectares, aumento de 18,3% em relação ao ano passado. O total nacional pode chegar a 937 mil hectares. A produção nacional está prevista em 860,6 mil toneladas de algodão em pluma, a maior desde a safra 87/88.
As exportações devem crescer pois diversos contratos foram fechados ainda no ano passado. Lembrando ainda que houve leilões de PEP para exportação de algodão, um instrumento que pode vir a ser usado novamente este ano.
No Paraná a expectativa é de que a produção alcance 148 mil toneladas de algodão em caroço, aumento de 11,9% em relação ao ano anterior. Segundo o DERAL, 90% das lavouras paranaenses foram consideradas em boas condições.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
E-mail: [email protected]
A R R O Z
GOVERNO FICA COM ESTOQUE DE 2 MILHÕES DE TONELADAS
O que marcou o ano 2000 foi a intervenção do governo no mercado de arroz através, principalmente, dos contratos de opção de venda. A produção nacional foi 11,42 milhões de toneladas na safra 99/00, redução de 1,4% em relação às 11,59 milhões colhidas na safra 98/99 (que foi recorde). A área plantada reduziu 4,4% mas a produtividade cresceu 3%.
Apesar da redução na produção, o Brasil importou bem menos no ano 2000. De janeiro a novembro as importações de arroz totalizaram 663,5 mil toneladas contra 1.114 mil toneladas no mesmo período do ano anterior, redução de 40,4%. A quantidade total de arroz disponível no mercado brasileiro, composta pelo estoque da safra 98/99, da produção e das importações, cresceu 5,2% na safra 99/00. Por outro lado, o consumo permaneceu estável, segundo as estimativas da CONAB.
O resultado é aumento nos estoques nacionais, projetados em 2,27 milhões de toneladas para o final do ano safra 99/00 (termina em 1º de fevereiro pelo critério da CONAB).
Além de importar menos, o preço médio FOB das importações brasileiras de arroz reduziu 20% segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Portanto, o quadro da safra 99/00 foi de leve redução na produção, redução nas importações (a preços menores), consumo estável e aumento de estoques.
Em conjunto estas variáveis levaram a preços mais baixos para o produto em todo o País. No Paraná, os preços em reais ao produtor para o arroz de sequeiro foram, em média, 2,2% mais baixos do que no ano passado. O preço médio em dólar do ano ficou 17,4% menor do que em 1999 o que tem grande coerência com a redução de preços do produto importado. Em outras palavras, com intervenção do governo ou sem, o preço no Brasil acompanhou a redução de preços do produto importado.
Perspectivas
O que esperar da safra 2000/2001? A área plantada está estimada em 3,34 milhões de hectares, 9,3% inferior à do ano passado; a estimativa atual para a produção nacional é de 10,8 milhões de toneladas, 5,5% a menos do que na safra 99/00, considerando um aumento de 4% na produtividade (região Sul e Bahia).
Os estoques do governo somavam 2 milhões de toneladas na primeira semana de janeiro. A julgar a ação do governo no ano 2000, este produto não deve ser usado para reduzir preços. A maior parte do estoque volta a ficar nas mãos do governo e não da iniciativa privada como chegou a acontecer em 1998.
A produção mundial da safra 00/01 está estimada 400,6 milhões de toneladas (beneficiado), segunda maior produção da história, logo abaixo do recorde de 406,2 milhões obtidos na safra 99/00. A safra chinesa deve ser a menor dos últimos 5 anos mas, por outro lado, Vietnã e Índia devem produzir volumes recordes. Os estoques finais estão projetados em 62,67 milhões de toneladas, 4,3% a menos do que na safra anterior. O fato é que este estoque ainda é muito alto e o cenário para a safra 00/01 em termos mundiais é ainda de preços baixos. Por enquanto a expectativa é de que o preço do arroz no mercado interno este ano siga a paridade com o produto importado cujos preços devem se manter praticamente os mesmos do ano passado ou até um pouco acima (cenário atual). A intervenção do governo no mercado deve ocorrer novamente este ano.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]

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