AGROMERCADO
S O J A
VALENDO 1,9 SACAS DE MILHO
Com a soja em alta e o milho em baixa, a relação de preços entre os dois produtos vem se alterando significativamente nas últimas semanas. Essas alterações são normais no mercado agrícola, mas, no momento, o fato desperta maior interesse pela rapidez das mudanças.
Há cerca de 30 dias, o valor de uma saca de soja ao produtor paranaense valia apenas 1,48 sacas de milho, contra cerca de 1,90 sacas de milho atualmente. Uma valorização da soja frente ao milho de 28,4% em apenas um mês.
Agosto foi o pior momento para a soja
Em agosto último, vale lembrar, o valor de uma saca de soja chegou a corresponder a apenas 1,36 sacas de milho, 40% a menos do que vale hoje. Essa relação de preços, vale destacar, representou o pior momento da soja frente ao milho dos últimos 5 anos. É o que mostra o gráfico, que apresenta a evolução semanal da relação de preços soja/milho desde o início do ano de 1996.
No gráfico pode-se observar, também, que a melhor relação de preços soja/milho para o sojicultor ocorreu em janeiro e em setembro de 1997, quando uma saca de soja chegou a valer 2,7 sacas de milho.
Próximo da média histórica
Na média dos últimos 5 anos, a relação de preços soja/milho foi de 1,93, próximo, portanto, do patamar atual. Para o mês de dezembro a relação média de preços soja/milho é de 2,08, mas as variações são grandes de um ano para outro. Em dezembro/96 era de 2,40; em dezembro/97 de 2,61; em dezembro/98 de 1,70 e em dezembro/99 de 1,62.
Sempre alerta
Como o milho é a principal cultura concorrente da soja, o acompanhamento da relação de preços entre os dois produtos, e o consequente conhecimento dos padrões normais de mercado, é importante para o produtor rural. Obviamente, o produtor rural não tem poder para determinar ou influenciar os preços de mercado, mas o monitoramento do processo pode auxiliá-lo em tomadas de decisões.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPR
E-mail: [email protected]
F E I J Ã O
PERDA DE PRODUTIVIDADE
Além da redução de quase 26% na área plantada com feijão das águas (números do mês de novembro), a produtividade das lavouras paranaenses de feijão também deve reduzir este ano. O Deral parece ter fechado a área plantada com feijão das águas em 334 mil hectares contra 451,08 mil hectares do ano passado. Como a estimativa anterior de pouco menos de 359 mil hectares já era a menor área em mais de 20 anos, a redução na estimativa atual não muda este recorde negativo.
A produção paranaense está estimada entre 340 e 376 mil toneladas (média do intervalo de 358 mil toneladas), redução prevista entre 4 e 13% em relação as 391,5 mil toneladas produzidas na safra das águas do ano passado.
A produtividade média está estimada entre 41 e 45 sacas por alqueire (média de 1.072 Kg/ha). Esta produtividade é 27,6% superior ao rendimento médio da lavoura de feijão das águas no Paraná nos últimos 5 anos. Em 20 anos esta média não chegou a ser observada no Estado apesar de que o potencial produtivo das lavouras é bem superior a mil quilos por hectare.
No entanto, é perfeitamente possível e provável que a produção paranaense não chegue nem nas 358 mil toneladas previstas pois, para isto seria necessário um rendimento acima da média. Assumindo o rendimento médio dos últimos 5 anos (840 Kg/ha), a produção do Estado ficaria ao redor de 280,6 mil toneladas, redução de 37,8%. Bem, é aguardar o desenrolar dos acontecimentos.
Até a última semana de novembro, 6% dos 334 mil hectares plantados já estavam colhidos e o equivalente a 1% da produção já foi comercializada pelos produtores.
Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]
F R A N G O
QUEDA NO PREÇO DO MILHO FAVORECE CRIADOR
Apesar da estabilidade apresentada pelos preços do frango ao nível de mercado produtor no momento atual, é possível notar que a relação de trocas entre o quilograma de frango vivo versus uma saca de milho mostrou uma melhora da ordem de 26,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Isto se deve basicamente a drástica queda de preços sofrida pelo milho no mercado interno. No ano passado, em dezembro, a saca de 60 quilogramas era cotado à R$ 11,43 na média do Estado e hoje está abaixo de R$ 9,30, representando uma queda de aproximadamente 20% nas cotações. Quanto ao quilograma do frango vivo, observou-se uma evolução positiva da cotação de R$ 0,83 em dezembro passado para atuais R$ 0,91, ou seja, incremento de 9,6% nos preços nominais, melhorando desta forma a relação de trocas do setor.
Para se ter noção desta melhoria, em dezembro do ano passado um avicultor precisaria vender 13,8 quilogramas de carne para adquirir uma saca de milho. Atualmente ele precisa negociar apenas 10,2 quilogramas de frango vivo para adquirir o mesmo insumo.
Preço continua estável
O mercado do frango de corte ao nível do produtor no estado do Paraná, segue morno e estável, sem nenhuma alteração do comportamento dos preços em relação a semana anterior.
A cotação do quilograma do frango vivo esta semana atingiu melhores preços nas praças de Apucarana e Maringá (R$ 1,15); Curitiba e Jacarezinho (R$ 1,10). As cotações mais baixas foram observadas em Toledo (R$ 0,75) e Umuarama (R$ 0,78), sem dar mostras visíveis de mudança do atual quadro até o momento.
O mercado consumidor paranaense de maneira geral encontra-se abastecido, com os preços recebidos pelos produtores do Estado apresentando um diferencial positivo de apenas 1,1% em dezembro, saindo de R$ 0,90 para os atuais R$ 0,91.
João Batista Padilha Junior- Profº. da UFPR
E-mail:jpadilha@agrárias.ufpr.br
C A F É
Dificuldades em comercializar produto de baixa qualidade
A presente crise da cafeicultura brasileira é reflexo de preços deprimidos no mercado externo e interno, basicamente em virtude de uma pressão de oferta mundial.
A produção nacional deste ano-safra deve ficar entre 28,7 milhões de sacas (Embrapa) e 32,6 milhões de sacas (USDA), o que representa um bom volume, embora, de modo geral, a qualidade do café tenha sido prejudicada pelas adversidades climáticas ocorridas ao longo deste ano. Também a safra 2001/02 deverá assimilar os efeitos negativos causados pela seca e pela geada, que prejudicou principalmente os cafezais do Paraná. Além disso, a produção em 2001/02 deverá ser menor por causa da bianualidade do café - mesmo assim, qualquer quantificação a esse respeito seria precipitada.
Atualmente, observamos que a comercialização da commodity está relativamente lenta. Por um lado, os vendedores mantêm uma postura retraída, devido aos baixos preços correntes no mercado. Eles se negam a negociar seu café de boa qualidade, com a esperança de cotações mais rentáveis nos próximos meses. Ao mesmo tempo, colocam a venda mercadorias de qualidade inferior, tentando escoar cafés chuvados e de varreção.
Entretanto, a demanda por cafés de baixa qualidade tem se mostrado pequena. Entre outros fatores, um dos responsáveis pela dificuldade que produtores e cooperativas estão encontrando para comercializar este tipo de produto são os leilões governamentais, realizados mensalmente.
Tais leilões têm como objetivo complementar o abastecimento das indústrias de torrefação e moagem e de café solúvel, além de desovar os estoques oficiais, que somam hoje 6 milhões de sacas. O principal atrativo dos leilões para as indústrias é a facilidade no pagamento - prazo de seis meses.
O governo, que se diz atento à tendência de seletividade na oferta no longo prazo (uma safra), adotou a estratégia de manter um volume mensal de 100 a 150 mil sacas de café nos leilões. A preocupação se refere a uma possível insuficiência na disponibilidade do produto para o mercado brasileiro na próxima safra, ao consequente aumento de seus preços e aos reflexos disso para o consumidor. Para que este conjunto de fatores não desestabilize o segmento final da cadeia do café, o governo não interrompe o fluxo de seus leilões, mesmo que isso gere críticas no curto prazo.
Assim, visões imediatistas dos produtores se contrapõem a previsões futuras do governo. Contudo, qualquer projeção na cafeicultura é arriscada. Isso porque sabemos que uma das características mais peculiares deste mercado é a sua imprevisibilidade, dado seu caráter bastante volátil.
Margarete Boteon e Mariana Perozzi
Cepea/Esalq





