AGROMERCADO
A L G O D Ã O
RECUPERANDO ÁREA NA ARGENTINA
Pelas estimativas da Secretaria de Agricultura da Argentina para a safra 00/01, a área de algodão deve se recuperar este ano, se aproximando dos patamares normais dos anos 90. O aumento esperado na área em termos percentuais é assustador porque a área deve praticamente dobrar. Mas não se assuste pois o ano passado é que foi problemático. Houve seca, o plantio atrasou e a área reduziu a menos da metade da área cultivada na safra anterior (98/99).
Este ano a estimativa (por enquanto) é de que sejam cultivados perto de 667 mil hectares, 93% a mais do que na safra passada mas ainda distante da área recorde de 1,13 milhão de hectares cultivados na safra 97/98. Apesar deste crescimento, a área projetada é 6% inferior à área média cultivada na Argentina na década de 90.
A produtividade média das lavouras de algodão na Argentina nos últimos 10 anos é de 94 arrobas por hectare, variando de um mínimo de 62 arrobas a um máximo de 115 arrobas/ha, que por sinal não é lá estas coisas. A produção argentina está sendo estimada pelo USDA em 850 milhões de fardos (185,1 mil toneladas de pluma), aumento de 37% em relação à safra passada mas, pela área estimada pela Secretaria de Agricultura argentina, o aumento na produção pode ser maior.
Para o Brasil o USDA está estimando a produção em 740,3 mil toneladas de pluma, um número muito próximo daquele projetado pela Conab. Para a safra 99/00 a estimativa do USDA é de que a produção brasileira atingiu 631,4 mil toneladas. Assim, o aumento esperado na produção brasileira é de 17,2%.
Pela estimativa da Conab o aumento na produção nacional será de 20,8% se a safra 00/01 chegar em 732,9 mil toneladas. Em quatro anos safra a produção brasileira terá crescido 88,3% superando 700 mil toneladas - volume que o País não produz desde a safra 84/85. Novos tempos, definitivamente.
O quanto desta nova fase de crescimento da cotonicultura provém de subsídio ainda é uma pergunta que não recebeu a resposta adequada. Estudos mostram que mesmo sem os subsídios a cultura do algodão é rentável na região Centro-Oeste (e em outras regiões, mas nos novos moldes tecnológicos). Aguarde para este ano novas discussões sobre PEP e Opções de algodão.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
CANA-DE-AÇÚCAR
DESEMPENHO DA PRODUÇÃO NA DÉCADA DE 90
Não pode ser negada a importância da cana-de-açúcar no contexto brasileiro. Apesar dos altos e baixos do setor devido aos grandes problemas climáticos presentes nos últimos três anos (2000 geada, 1999 seca, 1998 excesso de chuva) o setor está passando por inúmeras transformações buscado a adequação ao novo cenário globalizado. O Governo, a partir de 1999, apresenta-se no mercado como mero fiscalizador e não mais interventor como no passado.
Mesmo diante das mudanças a cana é uma atividade em expansão no Paraná e no Brasil. Dados do Ministério da Agricultura mostram que, na década de 90, a área plantada de cana-de-açúcar no Brasil teve um crescimento de 14,54% e a produção aumentou em 28,39%. A produção cresceu mais do que a área plantada porque a produtividade também aumentou no período.
Segundo o último comparativo das safras 99/00 e 00/01 apresentado pela Seab, o Paraná apresentou uma área total de 334.000 ha na safra 00/01, já na safra 99/00 apresentou uma área total de 325.232 ha o que dá um aumento de apenas 2,7% relativo a áreas. Porém, a produção deve crescer 20% passando de 21.990 mil t na safra 99/00 para 26.400 mil t na safra 00/01.
De maneira correlata houve também um aumento de produtividade na ordem de 16,9% entre os dois períodos. Na safra 99/00 a produtividade foi de 67,6 t/ha e nesta safra a expectativa é de o rendimento médio estadual fique ao redor de 79 t/ha. Não fossem os graves problemas climáticos enfrentados pelas lavouras de cana-de-açúcar neste ano, a produtividade e a produção paranaense poderiam ser ainda maiores. Certamente a produtividade potencial no Estado é bem superior aos números estimados no momento. Em diversas áreas a produtividade supera facilmente 110 t/ha, um patamar que deve aparecer nos próximos anos para a média estadual e ser superado nas áreas mais adequadas ao cultivo da cana-de-açúcar.
Produção e rendimento industrial
Além das perdas nas lavouras, em toneladas de cana por hectare, o quadro climático deste ano causará também perdas no rendimento industrial da cana a ser processada. O setor reduziu em 20% o rendimento em açúcar e álcool que deve obter do processamento da cana - redução relativa aos números iniciais da safra, antes dos efeitos de seca e geadas. Os prejuízos, portanto, vão além da produção agrícola, reduzindo também a quantidade de produtos finais que o Paraná poderia colocar à venda este ano.
O Paraná processa 9,3% do volume total de cana da região Centro-Sul do País e responde por 8,5% da produção de açúcar, 7,7% da produção de álcool anidro e 10% da produção de álcool hidratado, segundo dados da Alcopar. Este ano pode haver um aumento relativo na produção de álcool hidratado tendo em vista a maior rapidez do seu processo, tentando desta forma amenizar as perdas ocasionadas pela geada.
Melissa Watanabe
E-mail: [email protected]
S O J A
PREÇO AO PRODUTOR SUBIU 7% EM NOVEMBRO
O preço médio da soja ao produtor paranaense subiu 7% nesse mês de novembro. O valor da saca passou de R$ 17,00 no início do mês, para os atuais R$ 18,20.
No mercado de lotes (grandes volumes) a valorização do produto foi maior, com a alta dos preços superando os 10% na maioria das regiões produtoras do Estado.
Os motivos da alta já são conhecidos pelo mercado, pois vem influenciando os preços da soja desde o início da semana passada. Dentre eles destacam-se: (1) a valorização do dólar frente ao real que proporciona um aumento de preços da soja na moeda brasileira; (2) a manutenção dos preços em Chicago ao redor dos 5 dólares por bushel nos contratos de primeira entrega; (3) a perspectiva de ampliação das importações de farelo de soja pela União Européia, devido a recente proibição naquela região do uso de farelos de origem animal na formulação de rações (a fim de tentar evitar a disseminação da doença da vaca louca nos rebanhos bovinos da Europa); (4) a pouca disponibilidade de produto no mercado brasileiro em função do período de entressafra.
Em termos nominais, os preços atuais da soja ao produtor paranaense são os maiores desde fevereiro desse ano. Mas a venda agora, vale ressaltar, ainda proporciona um resultado econômico pior, frente aos negócios realizados logo após o período de colheita, se forem considerados os custos de armazenagem e o custo de oportunidade do dinheiro investido nos estoques.
Desvalorizado em dólar
Expresso em dólar, entretanto, o preço da soja segue desvalorizado, refletindo, em parte, os baixos preços do produto no mercado internacional. No momento a soja vale apenas US$ 9,3 por saca ao produtor paranaense, a menor cotação em dólar do produto durante um mês de novembro dos últimos 10 anos.
O gráfico apresenta a evolução dos preços da soja em dólar por saca, pagos ao produtor paranaense nos últimos 10 anos. A grande variabilidade das cotações em dólar no período, vale lembrar, deve-se além da flutuação normal dos preços também as variações da taxa de câmbio no País, que foram bastante significativas na última década. No ano passado, por exemplo, a política de câmbio flutuante adotada pelo governo (e que provocou forte desvalorização do real frente ao dólar) deprimiu sensivelmente as cotações da soja em dólar, que chegou a valer menos de US$ 7,5/saca. Por outro lado, entre 1997 e 1998, devido à baixa cotação do dólar frente ao real no período, os preços da soja em dólar chegaram a ultrapassar, por várias vezes, a casa dos R$ 15/saca.
José Roberto Canziani - Profº. da UFPR
E-mail: [email protected]





