M I L H O
Cresce poder de troca de aves e suínos
A partir de meados de setembro o preço do milho vem sofrendo reduções lentas e contínuas. Nesta semana o preço médio ao produtor no Paraná ficou em R$ 10,60sc, significando queda de 20 centavos (1,85%) em relação à semana anterior. O preço médio do mês de novembro deve ficar ao redor de 11 reais a saca, 5 centavos de real por saca menor do que em novembro do ano passado e 4,2% abaixo do preço médio em outubro deste ano.
Ao contrário do milho, os preços de frango e suíno reagiram em novembro e, por enquanto, o preço médio do mês de novembro apresenta alta de 2,3% e 2,6%, respectivamente, para frango e suíno. Este aumento, somado à queda no preço do milho, melhorou a relação de troca do frango para o milho em 6,4% e em 6,7% para o suíno. Tristeza de uns, alegria de outros.
As principais causas da queda nos preços do milho numa época em que muitos esperavam um ‘‘boom’’ de preços são as importações a preços mais baixos do que em 99, a substituição de milho por outros componentes da ração, como sorgo e o trigo de baixa qualidade produzido este ano e, por fim, um certo volume de estoque formado durante a safra de verão que está sendo negociado neste último trimestre de 2000.
Quanto às importações, a tabela apresenta os valores mensais de volume e preço médio de janeiro a outubro deste ano, e comparando com o mesmo período do ano passado. No período o volume de milho importado supera 1,5 milhão de toneladas, mais do que o dobro do volume importado no mesmo período do ano passado. Considerando o período de março a outubro (quando as importações tendem a ser pequenas), observa-se que as importações no ano comercial 99/00 somam pouco mais de 1,2 milhão de toneladas, volume que é quase o triplo do que o País importou no mesmo período do ano passado.
Apesar do volume ser mais de 200% superior ao do mesmo período de 1999, o preço médio (FOB) em dólar por tonelada do milho importado este ano é 9,5% inferior ao do mesmo período do ano passado (março a outubro). Em janeiro o volume importado foi até inferior ao de 99 mas, em fevereiro e março, os segmentos consumidores trataram de garantir o abastecimento de produto, aumentando as importações para volumes superiores a 200 mil toneladas/mês.
Os preços médios (FOB), em dólar por tonelada, do milho importado este ano, foram bastante inferiores aos praticados no ano passado entre os meses de janeiro e julho. Em agosto e setembro os valores foram praticamente iguais e em outubro o valor médio foi 5,8% superior ao de outubro do ano passado. Mesmo transformando os valores de dólares para real, as importações este ano ficam mais baratas, em real, do que no ano passado.
Importações brasileiras de milho em grão, de janeiro a outubro de 1999 e 2000.
Safra 00/01
Até a segunda quinzena de novembro, 92% dos 1.798,4 mil hectares que devem ser ocupados com milho na safra de verão deste ano estavam plantados, segundo levantamento do Deral. É um ritmo muito parecido com o da safra 96/97 que também permitiu começar a colheita um pouco mais cedo.
A estimativa do Deral é que 5% das lavouras estavam em estágio de germinação, 86% em desenvolvimento vegetativo, 7% em floração e 2% em frutificação. Quanto à situação das lavouras, a classificação foi a seguinte: 1% em condição ruim, 13% médio e 86% em boas condições. No mesmo período do ano passado a situação era bem pior, com 10% das lavouras em condição ruim, 33% médias e 57% em boas condições.
Na Argentina, por outro lado, a situação continua não sendo das melhores. Além do atraso no plantio em cerca de 10 pontos percentuais comparado ao ano passado, houve prejuízos por inundações. Informações dão conta de que 110 mil hectares plantados com milho na província de Buenos Aires teriam sido inundados.
Esta área corresponde a 10% da área plantada este ano naquela província e 3,3% da área total de milho na Argentina. Não é uma perda grande por enquanto, mas sempre pode ajudar a recuperar os preços, o que seria bem vindo aos produtores brasileiros.
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Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
F R A N G O
Redução de preço não diminui abates
A conjuntura vivida pela avicultura de corte paranaense no primeiro semestre deste ano pode ser caracterizada como complicada. O principal fator que influenciou diretamente esta situação foi a drástica queda verificada nos preços recebidos pelos produtores, devido à expansão da oferta e retração do mercado consumidor.
Apesar das entidades recomendarem uma desaceleração dos alojamentos, para que houvesse uma redução no oferta do frango e consequente recuperação das cotações, nota-se que no estado do Paraná essa retração foi quase insignificante, conforme levantamento feito pelo Deral, na tabela abaixo.
TABELA - Evolução do abate e da produção de carne de franco no PR, 2000.
Entre janeiro e junho deste ano, as cotações do frango de corte no estado sofreram uma retração da ordem de 14,1%, enquanto que os abates cresceram pontualmente 9,2%. A redução no abate pode ser observada apenas em abril quando foi 12,6% menor do que março e em junho com redução de 4,9% em relação a maio. A partir de julho, os abates continuaram sofrendo incrementos crescentes no Paraná.
Segundo o levantamento do Deral, a região Oeste continua sendo a líder no volume de abates com 38,27% do total do Estado, seguida pela Sudoeste com 28,48%, pelo Norte (21,09%) e região Sul com 12,16%.
O preço médio do frango vivo negociado no estado permaneceu com a cotação estabilizada no transcurso desta semana em R$ 0,91 por quilograma. Quando comparada com a cotação média de novembro (R$ 0,90) observa-se um incremento da ordem de 1,1% na mesma e, quando relacionada com o preço médio praticado em outubro do corrente apresenta um incremento de 3,4%.
Prof João Batista Padilha Jr - Prof. da UFPR
E-mail: [email protected]
S O J A
Sobem os preços ao produtor
Já há algum tempo em alta no mercado de lotes (grandes volumes), no início desta semana os preços da soja, finalmente, subiram na maioria das regiões do Estado ao nível dos produtores rurais (no chamado mercado de balcão).
O preço médio ao produtor paranaense ficou em R$17,70 a saca nesta semana, acumulando valorização de 2,3% em relação à média da semana anterior. Com essa recente valorização, os preços da soja ao produtor retornam aos níveis praticados em meados de maio e início de março desse ano.
O gráfico apresenta a evolução dos preços médios semanais da soja ao produtor paranaense nos últimos 12 meses. Nele pode-se observar uma acentuada desvalorização dos preços entre os meses de maio a agosto deste ano, e uma posterior recuperação dos preços em setembro, estabilidade em outubro e nova alta agora em novembro.
Quem optou pela armazenagem da produção até agora ainda está em situação pior frente aqueles que venderam (entre R$ 17 e R$ 18/saca), logo após a colheita desse ano. Isso significa que, por enquanto, as variações de preços não compensaram os custos de armazenagem e os custos de oportunidade do dinheiro investido nos estoques. Há que salientar, entretanto, a valorização acumulada de aproximadamente 12% nos preços da soja ao produtor nos últimos 4 meses (desde o final de julho, quando a soja chegou a ser cotada a R$15,80/saca na média do Estado).
Fatores determinantes
Dentre os principais fatores que explicam a valorização dos preços da soja, pode-se citar: (1) a desvalorização da taxa de câmbio do real frente ao dólar, que passou de valores abaixo de R$1,8 por dólar no final de julho para valores acima de R$1,9 por dólar nas últimas semanas (alta de 7%); (b) a valorização do farelo de soja no mercado internacional, após o anúncio, por parte de alguns países da Europa, de que seria proibido, por decreto, o uso de farinha de osso na formulação das rações animais, a fim de evitar a disseminação da doença da vaca-louca nos rebanhos europeus (abrindo, assim, possibilidade de ampliação nas vendas de outras formas de proteína, entre as quais o farelo de soja, para compor a formulação de rações animais na Europa); (c) a natural pequena disponibilidade de soja para comercialização neste final de entressafra, quando algumas indústrias ainda se encontram em operação.
Prof José Roberto Canziani - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]

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