T R I G O
PERDA DE QUALIDADE NA PRODUÇÃO GAÚCHA
Até a primeira semana de novembro a colheita de trigo no Rio Grande do Sul atingiu 68% da área prevista, com atraso de 6% em relação à média histórica. O atraso não é o fator mais importante neste cenário mas sim, a perda progressiva de qualidade da produção gaúcha.
Segundo a Emater gaúcha, em importantes regiões produtoras, boa parte do trigo que está sendo colhido apresenta peso hectolítrico entre 73 e 76. Trigo com peso hectolítrico abaixo de 75 não se enquadra como produto aceitável pelos padrões da Conab nos contratos de opção o que sugere problemas à vista. Parte, ainda não mensurada, da produção gaúcha deve ser vendida para fabricação de rações, obviamente a preços mais baixos do que o trigo que obtiver padrão. Novamente, a produção gaúcha não se livrou de intempéries.
Começa a colheita na Argentina
Os trabalhos de colheita da safra Argentina por enquanto se concentram nas províncias de Cordoba, Santa Fé e Chaco. A qualidade da produção já preocupa pela incidência de doenças fúngicas. A produção argentina foi estimada, pelo USDA, em 16,5 milhões de toneladas no relatório deste mês de novembro, o que representa um aumento de 1 milhão de toneladas em relação à produção da safra 99/00.
Nos últimos 20 dias, o trigo vem sendo cotado, na Bolsa de Chicago, para entrega em março do próximo ano, acima de 270 centavos de dólar por bushel (US$ 99/t) e abaixo de 285 centavos de dólar por bushel (US$ 104,70/t). Esta faixa é mais estreita do que os limites observados entre meados de setembro e meados de outubro quando a cotação do cereal oscilou entre 265 (US$ 97,40/t) e 295 centavos de dólar por bushel (US$ 104,40/t).
Nos Estados Unidos o plantio da safra de inverno se aproxima do final com 88% da área já plantada até a semana passada, mantendo ligeiro atraso em relação à média histórica que é de 95% nesta época.
O preço do trigo FOB Argentina também reduziu nos últimos 30 dias, passando de 128 para 115 dólares por tonelada, queda de 10% no período. É tempo de colheita e deve-se esperar preços mais baixos enquanto a disponibilidade de produto novo aumenta no mercado local.
Segundo a Secretaria de Agricultura da Argentina, 650 mil toneladas da safra 00/01 já estão comprometidas com o Brasil. Portanto, quem não vendeu até agora é melhor esperar o primeiro trimestre do próximo ano, pois agora não é um bom momento para negociar eventuais estoques.
Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]
M I L H O
EXCESSO DE CHUVAS NA ARGENTINA ATRASA O PLANTIO
Até a semana passada haviam sido plantados pouco menos de 60% dos 3,36 milhões de hectares previstos para a serem ocupados por milho no Argentina na safra 00/01. No mesmo período do ano passado este percentual já era de 70% indicando atraso nas operações.
Com os números atuais de intenção de plantio, a redução na área este ano em relação ao ano passado será de 7,3% um pouco maior do que as estimativas de outubro da Secretaria de Agricultura da Argentina. A produção argentina está sendo estimada pelo USDA em 1,5 milhões de toneladas, redução de 4,3% em relação à safra 99/00.
O excesso de chuvas também causou alagamentos em algumas áreas levando à necessidade de replantio. As condições climáticas por enquanto não estão muito favoráveis à cultura, mas ainda pode acontecer muita coisa com a safra 00/01 no Hemisfério Sul.
Importações ao redor de 1,5 milhão de toneladas
De janeiro a setembro deste ano as importações brasileiras de milho somaram 1,42 milhão de toneladas, 72,6% maior do que o volume total importado no ano passado. O maior volume importado pelo Brasil nos últimos 5 anos-safra é de 1,73 milhão de toneladas que, pelo ritmo das importações até setembro, não deve ser superado no ano safra 99/00.
Do total importado nos 9 primeiros meses deste ano, 84% veio da Argentina fornecendo cerca de 1,19 milhão de toneladas. Nos últimos 5 anos, a Argentina forneceu, em média, 72% das importações brasileiras de milho. Para o próximo ano as importações brasileiras tendem a reduzir, pois se espera aumento na produção nacional.
Mesmo com volumes menores o Brasil deve continuar importando milho por ser a alternativa mais barata de abastecimento do mercado nordestino. Isto só deve mudar na hipótese de superssafra brasileira - neste caso haverá pressão sobre o governo para realizar leilões de VEP (Valor para Escoamento de Produtos) de milho do Centro-Oeste para a região Nordeste.
Sem superssafra, as compras brasileiras no mercado mundial devem voltar para a faixa de 300 a 500 mil toneladas ou cerca de 1% do consumo nacional.
Preços
A presença de milho importado e a redução da qualidade do trigo este ano, vendido para fabricação de ração (inclusive de trigo gaúcho que está apresentado baixa qualidade) tem contribuído para a redução do preço do milho nacional, numa época em que os preços costumam subir.
Nesta semana o preço médio ao produtor paranaense foi de R$ 10,80/sc o valor mais baixo desde julho deste ano. O gráfico apresenta os valores médios mensais ao produtor paranaense no ano passado e de janeiro a outubro deste ano, além da média destas duas primeiras semanas de novembro. Depois da queda dos últimos dias o preço deste mês se igualou ao preço médio em novembro do ano passado.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
F R A N G O
REDUZ A PRODUÇÃO DE PINTOS DE CORTE
A avicultura nacional deu um enorme salto nos últimos dez anos (cresceu 99,4%), levando o Brasil a ocupar a posição de terceiro maior produtor mundial de carne de frango, logo atrás dos Estados Unidos e da China, e de terceiro maior exportador mundial, perdendo novamente para os Estados Unidos e para Hong Kong.
Apesar das pessoas não se darem conta do fato, grande parte desta produção é reflexo direto da produção e alojamento de pintos de corte. Assim, ao analisarmos a evolução deste importante segmento da avicultura nacional, teremos condições de avaliar o comportamento da produção em 39 à 42 dias (período médio de alojamento).
Produção na década de 90
Segunda a APINCO, a produção brasileira de pintos de corte apresentou um crescimento da ordem de 94,5% durante a década de 90, com o volume de pintainhos produzidos saindo de 1,62 milhão de unidades em 1990 e chegando a 3,15 milhão em 1999. Neste contexto, o Paraná novamente mostrou a sua importância, permanecendo como terceiro maior produtor nacional, logo atrás de São Paulo e Santa Catarina.
No Paraná, a produção de pintos de corte apresentou um crescimento da ordem de 107,76% na década, partindo da produção de 268,7 mil unidades em 1990 e atingindo a produção de 558,2 mil pintos de corte em 1999. A participação do Estado na produção nacional também apresentou um crescimento significativo no período em questão. No começo da década de 90, o Paraná contribuía com 16,6% da produção nacional. Atualmente, esta participação chega a ser da ordem de 18,2%.
A produção mensal foi menor
De acordo com o último relatório mensal da APINCO, a produção nacional efetiva de pintos de corte apresentou uma retração da ordem de 1,36% em setembro. O volume produzido variou de 272,0 milhões de cabeças em agosto para 268,3 milhões de unidades em setembro. Com relação a produção potencial do Brasil, a mesma foi de 327,8 milhões de pintainhos em setembro e o nível de utilização em relação ao potencial de produção foi da ordem de 81,9%.
A produção de pintos de corte no primeiro semestre de 2000 atingiu 1.596,9 milhões de cabeças, apresentando crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a produção acumulada até setembro de 2000 foi da ordem de 2.404,4 milhões de cabeças, com crescimento de 2,83% em relação ao igual período de 1999.
No ranking nacional, o estado de São Paulo continua na dianteira com uma participação de 19,5% da produção nacional de pintos de corte, seguido por Santa Catarina (18,9%) e pelo Paraná (18,2%). A produção paulista em setembro de 2000 foi da ordem de 52,5 milhões de cabeças, mas, utilizou apenas 83,4% do potencial de produção mensal (62,7 milhões de cabeças) e, a produção acumulada em 2000 atingiu valores da ordem de 468,2 milhões de unidades produzidas.
Neste contexto, o estado do Paraná não fica muito atrás. Em setembro, observou-se a produção de 47,1 milhão de cabeças, ou seja, 18,2% da produção nacional, utilizando apenas 75,3% da capacidade produtiva mensal (62,6 milhões de pintos de corte). No acumulado de 2000, a produção paranaense atingiu valores de 436,4 milhões de cabeças.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
BOI GORDO
REVISÃO DE EXPECTATIVAS
Nessa semana, algumas consultorias que acompanham o mercado do boi gordo reviram suas projeções feitas anteriormente, quanto às perspectivas de preços do boi gordo para essa entressafra.
Nos meses anteriores, de forma um pouco precipitada, algumas consultorias chegaram a projetar preços para o boi gordo nessa entressafra de até R$ 48 por arroba. Essas projeções, vale lembrar, chegaram a ser manchetes de destaque em vários jornais do País, mas acabaram não se confirmando.
Entre as justificativas apresentadas para o enfraquecimento das cotações do boi gordo, destacam-se: o surgimento de focos de aftosa em todos os países do Mercosul (Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai), com consequente redução no ritmo das exportações de carne bovina desses países; estabilização do consumo e boas condições climáticas para o processo de recuperação das pastagens após a chegada da primavera.
Preços recuam
No Paraná, o preço médio do boi gordo nessa semana ficou em R$ 41,5 por arroba nos negócios com 30 dias de prazo para pagamento, com recuo de 2,4 % ou o equivalente a R$ 1/@ nos últimos 15 dias.
A tendência é de pequenas oscilações nas próximas semanas, com os preços oscilando R$ 1/@ acima ou abaixo das cotações atuais.
Atacado e varejo
A tabela apresenta a evolução dos preços da carne bovina no Paraná, aos níveis de produtor, atacado e varejo nos últimos 12 meses. Nesse período, as séries de preços registram alta correlação entre si, mas destaca-se que ao nível de produtor e varejo as maiores cotações ocorreram em outubro, enquanto no atacado os maiores preços dos últimos 12 meses ocorreram no primeiro trimestre desse ano.
No atacado e varejo a tendência de preços para a carne bovina também não é de grandes oscilações nas próximas semanas. Entretanto, caso o comportamento instável dos preços do frango (alta acentuada) que vem sendo observado nas últimas semanas se mantenha nessa segunda quinzena de novembro, poderemos ter maiores alterações de preços da carne bovina no atacado e varejo.
Prof José Roberto Canziani - Profº. da UFPR
E-mail: [email protected]

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