S O J A
ÁREA CRESCE NO MT E CAI NOS DEMAIS ESTADOS
Nesta safra 2000/2001, somente o Estado do Mato Grosso deverá ampliar a área cultivada com soja. Em todos os demais Estados produtores a área plantada com a oleaginosa deverá se manter ou registrar queda, relativamente ao que foi cultivado na safra anterior. A projeção é da Conab - Companhia Nacional de Abastecimento, e se refere ao primeiro levantamento da entidade sobre a intenção de plantio da safra de verão 2000/2001.
Em todo o País, a previsão é de que ocorra pequeno aumento (0,4%) na área cultivada, que deverá passar de 13,39 para 13,44 milhões de hectares. Isso indica que o aumento de área no Mato Grosso deve mais que compensar a redução nos demais Estados produtores. Considerando os dados médios divulgados pela entidade, prevê-se um aumento da área cultivada com soja de aproximadamente 230 mil hectares no Mato Grosso. Nos demais Estados, destacam-se as seguintes reduções da área cultivada: Rio Grande do Sul, 60 mil hectares; São Paulo, 31 mil hectares; Mato Grosso do Sul e Paraná, 28 mil hectares e Goiás, 22 mil hectares.
A tabela indica a área cultivada com soja nos principais Estados produtores e a variação percentual observada entre as safras 99/00 e 00/01.
Produção deve crescer 5,2%
A produção nacional de soja, por sua vez, deverá aumentar 5,2% nessa safra, passando a 33,55 milhões de toneladas, contra 31,89 milhões da safra anterior. Esse crescimento esperado na produção baseia-se, fundamentalmente, na expectativa de obtenção, nesse ano, de safras normais no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, ao contrário do ano anterior, quando esses Estados tiveram frustrações de safras. Assim, prevê-se, nessa safra, um rendimento 27% maior no Mato Grosso do Sul e 15% maior no Rio Grande do Sul.
Em todo o País o rendimento médio das lavouras deverá crescer 4,8%, passando de 2,38 para 2,50 toneladas por hectare. Espera-se, nessa atual fase de plantio, que os Estados com maior produtividade média sejam pela ordem: Mato Grosso (3,03 t/ha); Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás (2,60 t/ha); Distrito Federal (2,42 t/ha); Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo (2,35 t/ha) e Rio Grande do Sul (1,90 toneladas por hectare).
Preços
Nessa semana, o preço médio da soja ao produtor paranaense registrou pequena elevação (de 1,2%) passando a R$ 17,20/saca, em linha com a valorização do dólar frente ao real, que possibilitou nos últimos dias a realização de alguns negócios com o estoque remanescente no mercado de lotes.
Para a safra 2000/2001 os negócios continuam em marcha lenta, dado os baixos preços da oleaginosa no mercado internacional.
Prof. José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
F E I J Ã O
MENOR ÁREA EM MAIS DE 20 ANOS
A área plantada com feijão das águas reduziu em todos os Estados da região Centro-Sul, em proporções variando de 10 a 25%, dependendo do Estado. A estimativa da Conab para a região é de 932,5 mil hectares, 20% menor do que no ano passado e representa a menor área plantada na região em mais de 20 anos.
A área média plantada na região Centro-Sul na década de 80 para feijão de primeira safra é de 1,6 milhão de hectares. Na primeira metade da década de 90 a área média reduziu para 1,4 milhão de hectares e depois para 1,2 milhão nos últimos 4 anos e agora está estimada, pela primeira vez neste período, em menos de 1 milhão de hectares. A maior redução absoluta vai ocorrer na região Sul que deixará de cultivar 158 mil hectares de feijão (redução de 21%), quase metade da área que se plantava há quinze anos. O maior responsável pela redução de área é o Paraná que deixará de cultivar 92 mil hectares.
A produção, por enquanto, é apenas previsão e o número médio é de 982 mil toneladas, 11,8% menor do que na safra passada. No entanto, se a produção ficar nesta faixa, ainda será maior do que os volumes produzidos entre as safras 94/95 e 97/98, perdendo para os últimos dois anos - muito próxima da média dos últimos 10 anos na região Centro-Sul.
A área plantada deverá ficar mesmo próxima dos números atuais e é indicador suficiente para esperar redução na produção. É de se esperar preços melhores para o feijão pela menor disponibilidade de produto.
Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]
M I L H O
RECUPERANDO ÁREA PERDIDA
As estimativas de produção da Conab divulgadas esta semana devem sucitar as discussões de sempre mas, nesta época, estimativas de produção são apenas projeções. O que parece consistente é o aumento na área em toda a região Centro-Sul - que era o esperado, cujos valores para os principais Estados produtores são apresentados na tabela.
Pelos dados atuais, o aumento esperado na área a ser ocupada com milho de primeira safra é de 15,3% em toda a região Centro-Sul, devendo totalizar 7,92 milhões de hectares. É um salto razoável com cerca de 1 milhão de hectares a mais do que na safra anterior e superior a área cultivada nas safras 98/99 (6,98 milhões de ha) e 97/98 (6,70 milhões de ha). Mas, por outro lado, é importante lembrar que nestes últimos 3 anos safra, a área plantada com milho no verão foi inferior à área ocupada pela cultura no período 91/97, cuja área média na região Centro-Sul foi de 8,78 milhões de hectares.
Verão x safrinha
O gráfico apresenta a área plantada na safra de verão e na safrinha, na região Centro-Sul nos últimos 14 anos, além da estimativa para a safra de verão 00/01. Os valores sugerem que os produtores, ao longo dos últimos 8 anos foram transferindo área de milho do verão para a safrinha. O aumento na área de milho no verão para perto de 8 milhões de hectares sugere redução na área da safrinha, o que seria uma boa estratégia. Afinal, se a produção na primeira safra ficar na casa de 30 milhões de toneladas é melhor que a produção de safrinha reduza se não os preços tendem a cair de forma acentuada.

Produção potencial
Você deve perceber grandes aumentos na produtividade esperada em alguns Estados como o próprio Paraná e Rio Grande do Sul. As produtividades estimadas por enquanto não passam de projeções, mas plenamente alcançáveis, e incluem a recuperação das perdas acontecidas na safra passada nos Estados citados, além da análise apresentada para o Paraná na semana anterior.
É esperar para ver, como sempre.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
A L G O D Ã O
ÁREA MENOR APENAS NO SUDESTE
O primeiro levantamento de intenção de plantio na região Centro-Sul indica que a área plantada com algodão deverá crescer em toda a região, exceto no Sudeste. A maior redução esperada é em Minas Gerais, da ordem de 16,5%, chegando a pouco mais de 40 mil hectares, a menor área plantada no Estado em mais de 20 anos.
No Paraná e Centro-Oeste a área aumenta. Vale ressaltar que, nesta análise, os números considerados para o Paraná são aqueles divulgados pelo Deral em outubro e não a estimativa da Conab. Para a região Centro-Sul como um todo, a estimativa atual é de aumento na área plantada de 17,3% chegando a 673,3 mil hectares, dos quais 347,6 mil hectares serão plantados no Mato Grosso.

Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]

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