AGROMERCADO
A L G O D Ã O
PREÇO REDUZ NA ENTRESSAFRA
De abril até outubro, o preço do algodão em pluma no País, reduziu 11,5%, tomando como base o indicador do algodão ESALQ/BMF. Em outubro, o indicador atingiu o menor valor do ano, tanto em reais quanto em dólar. A média do mês ficou em R$ 86,37/libra-peso (R$ 28,56/arroba) para pagamento à vista, equivalente a US$ 15,21/arroba.
Novamente este ano o preço na entressafra é menor do que no período da colheita no Paraná e São Paulo (março/abril). Isto já ocorreu em outros anos como em 1996. E, em outros anos, o aumento de preços (abril contra o valor mais alto do segundo semestre) foi insuficiente para remunerar a estocagem.
Este ano nem é preciso fazer contas: o preço caiu de janeiro a junho, subiu ligeiramente em julho e vem caindo de agosto até agora. Os preços no atacado paranaense estão acompanhando bem de perto do indicador do algodão elaborado pela Esalq - isto vem ocorrendo de abril do ano passado para cá. Agora em outubro, o valor médio do indicador foi equivalente R$ 28,56 e a média do preço no atacado paranaense ficou em R$ 28,74/arroba.
Mercado interno x externo
Nos últimos 5 anos o Brasil tem importado, em média, 370 mil toneladas de algodão em pluma, o equivalente a 44% do consumo nacional (média do mesmo período). Com esta importância relativa do produto importado, é de se esperar que o mercado interno mantenha correlação positiva com o mercado externo, ou seja, se o preço sobe no mercado externo deve se refletir aqui e vice-versa, como ocorre com café e soja (neste caso isto é verdadeiro em parte do ano).
O gráfico apresenta a cotação diária do algodão na Bolsa de Nova York para o segundo mês cotado, de agosto de 1996 até esta semana, e o valor diário do indicador do algodão Esalq/BMF, para pagamento à vista, ambos em dólar por arroba. Pelo comportamento das séries no gráfico você pode notar que não há tendência destes preços caminharem no mesmo sentido. Apenas no segundo semestre de 1997 os preços interno e externo tiveram uma correlação mais estreita - neste ano as importações estiveram acima da média o que ajuda a explicar a maior correlação.
O preço do mercado interno (representado pelo indicador) se manteve ora acima ora abaixo do preço do mercado externo mas, a partir de maio deste ano, a distância aumentou e muito. De maio a outubro o indicador esteve, em média, 22% abaixo da cotação do algodão na Bolsa de Nova York e neste mês de outubro atingiu o recorde de quase 29%. Enquanto o preço subiu 11,4% no mercado internacional, reduziu 16,7% no mercado interno (levando em conta os preços em dólar) - o que pode ser facilmente visualizado no gráfico, com o distanciamento dos valores. Portanto, pelos dados, o mercado interno não é balizado pelo mercado internacional mesmo considerando que as importações devem representar 30% do consumo interno.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected] I L H O
NOVO PERFIL DA PRODUÇÃO PARANAENSE
Há muitos anos o Paraná tem sido um grande produtor de milho, o maior do País. Mas as características da produção paranaense mudaram muito na última década e foi no Paraná que ocorreram as maiores mudanças. Que mudanças são essas? Basicamente duas: a produção migrou das pequenas para as médias e grandes propriedades rurais e a tecnologia adotada no milho é muito maior hoje do que há uma década.
São estas as razões do aumento de produção de 16% nos últimos 10 anos. Enquanto isso, no mesmo período, a área plantada reduziu 33%. A produtividade média do milho de verão no Paraná, cresceu 57% neste período. Um estudo recente comprovou, com base nos dados do Censo Agropecuário, a migração da produção de milho das pequenas propriedades para as médias e grandes. Este fenômeno não é apenas estadual, mas ocorreu em toda a região Centro-Sul.
O milho é a única lavoura cultivada em todos os Estados e praticamente em todos os municípios brasileiros, mesmo em pequena quantidade. No Paraná, apenas um município não produz milho (399 municípios no Estado). Mas a diferença de produtividade entre os municípios paranaenses é gritante, variando de 25 a 157 sacas/ha.
Esta disparidade não ocorre apenas no Paraná - comparando a produtividade por município, nos principais Estados produtores na safra 97/98, encontra-se a mesma dispersão da produtividade que se observa no Paraná. Convivem, em todas as regiões, a produção comercial e a produção de subsistência, resultando numa produtividade média que não representa nem um perfil, nem o outro. Quanto maior a proporção da produção que vier de lavouras comerciais de maior tecnologia, menor a dispersão entre regiões.
Um estudo sobre o novo perfil da produção de milho no Paraná está em fase de conclusão e, os números preliminares são de que 80% da produção paranaense já provém de lavouras comerciais. A maior produtividade média do Estado até hoje na safra de verão foi de 3.837,5 Kg/ha (perto de 64 sacas/ha ou 155 sacas/alqueire) obtidos na safra deste ano.
Mais no verão, menos na safrinha
Para a safra 00/01 o Deral revisou a produtividade média esperada nas lavouras do Estado para uma faixa de 4.183 Kg/ha a 4.575/Kg e média de 4.379 Kg/ha (177 sacas por alqueire). Com este rendimento e a área estimada agora em 1.798.380 ha, a produção paranaense na safra 00/01 fica prevista entre 7,52 e 8,23 milhões de toneladas que representariam crescimento entre 27 e 39% em relação às 5,92 milhões de toneladas colhidas este ano.
Se estes números ficarem próximos do previsto, ao final da colheita da safra normal, é de se esperar redução na área plantada com milho safrinha. Afinal, se a produção do Paraná ficar na média do intervalo e os outros Estados produzirem o mesmo deste ano, a produção de primeira safra vai beirar 30 milhões de toneladas. Na safra 94/95 quando a produção nacional somou 37 milhões (normal + safrinha) o preço despencou para R$ 4,57/saca em março de 95.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
T R I G O
PRÓ CONSUMIDOR
As discussões sobre a política agrícola em geral e sobre a política do trigo em especial são antigas e se resumem, quase sempre na seguinte frase: O Brasil não tem política agrícola. Bem, nos últimos anos a política agrícola tem sido mais clara do que nunca e se resume no lema pró consumidor e o produtor que se arranje.
Não há que negar que a abertura da economia brasileira teve impacto imediato e intenso sobre a agricultura - mais do que sobre outros setores. É só observar exemplos como os do algodão um produto que teve alíquota de importação zerada, mas o mesmo não ocorreu para produtos concorrentes da indústria têxtil como tecidos.
No caso do trigo a abertura dizimou qualquer política para o produto - dadas as características da produção brasileira na época o resultado só poderia ser a derrocada da cultura no País. Sinceramente, a atitude teve lá suas virtudes. É um ponto muito questionável o preço que a sociedade deve pagar para sustentar sistemas ineficazes. Mas isso é assunto para horas de debate.
A pergunta é: ninguém se incomoda com o fato de o Brasil importar, em média, 70% do trigo que consome? Este ano será muito mais porque a produção paranaense praticamente não existiu. A resposta é que a outra ponta do mercado não se incomoda absolutamente por uma simples razão - a variação de preços da farinha ao consumidor é menor do que a variação dos preços do trigo ao produtor e mesmo das importações.
Uma das características de um setor oligopolizado é apresentar uma variabilidade de preços menor do que em setores mais concorrenciais. Com quebra de safra e tudo, o preço, ao consumidor do Paraná, da farinha de trigo comum de janeiro a outubro deste ano é igual ao do ano passado (média do ano passado e de janeiro a outubro deste ano). É deste lado que o governo encontra apoio para a política agrícola beneficiando a grande massa da população que consume e não a parcela que produz.
Francisco Guimarães
E-mail:[email protected] O J A
ACUMULAM-SE OS PREJUÍZOS COM A ESTOCAGEM
A pequena parcela da soja, safra 99/00, ainda em estoque no Brasil, vem gerando perdas quando realizada a sua comercialização nesse final de entressafra.
Até em termos nominais, vale lembrar, os preços atuais ao produtor paranaense, na faixa média de R$ 17/saca, são inferiores aos valores observados na época da colheita. De março a maio desse ano o preço médio mensal ao produtor paranaense estava na faixa dos R$ 17,50/saca.
Dessa forma, se considerado o custo do armazenamento e o custo financeiro incidente sobre os estoques aumentam os prejuízos para a comercialização do produto nesse final de entressafra.
O gráfico, por exemplo, apresenta os prejuízos acumulados com a estocagem da soja nesse ano, se considerado um custo mensal de armazenagem de R$ 0,07/saca mais o custo de oportunidade sobre os estoques. Para o custo de oportunidade foram considerados 4 situações, quais sejam: juros mensais de 1%, 3%, 5% e 7% ao mês.
Para o caso de juros de 1% ao mês, a estocagem da soja acumula prejuízos de 12% entre os meses de março a outubro. Nessa situação, a comercialização em agosto foi a pior alternativa, pois gerou prejuízos, relativamente à venda logo após a colheita, da ordem de 15,8%.
Considerando juros de 3% ao mês sobre os estoques, os prejuízos acumulados vêm girando em torno de 23%. Ou seja, quem vendeu no mês de março obteve um resultado econômico 23% superior aqueles que venderam o produto agora no mês de outubro.
Para a situação de juros de 5% ao mês os prejuízos acumulados superam os 30%, e para o caso de juros de 7% ao mês superam a casa dos 40%.
Plantio safra 2000/2001
O plantio da safra 2000/2001 nas regiões norte e oeste do Paraná ganharam bastante velocidade nessa última semana, com a adequação das condições de umidade do solo.
Para o total do Estado, o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura - Seab/Deral reviu sua estimativa de área plantada com soja nessa safra que passa agora a 2,77 milhões de hectares, área ligeiramente superior à considerada na estimativa anterior. Na mesma direção, o milho também teve ampliada a sua estimativa de área plantada. São os produtores acreditando no futuro, após o significativo prejuízo que obtiveram nesse ano com as lavouras de inverno.
Prof. José Roberto Canziani
Universidade Federal do Paraná
e-mail: [email protected]





