AGROMERCADO
M I L H O
ÁREA REDUZ 7,3% NA ARGENTINA
A Secretaria de Agricultura da Argentina estima em 3.363.550 hectares a área a ser ocupada com milho no País na safra 00/01. Esta área representa redução de 7,3% em relação à área plantada na safra 99/00. Esta estimativa ainda pode mudar nas próximas semanas. O número inicial (de setembro) da mesma fonte era de pouco menos de 3,35 milhões de hectares passando agora para pouco mais de 3,36 milhões. No ano passado aconteceu a mesma coisa: de uma estimativa inicial de 3,59 milhões de toneladas acabou fechando em 3,63 milhões.
Até o último dia 20, o plantio na Argentina cobria 43% da área prevista, apresentando um atraso em relação ao ano passado quando, nesta mesma época, o plantio alcançou 54%. No entanto, o percentual médio de plantio dos últimos 4 anos para o segundo decêndio de outubro é 48,4% - portanto, o atraso é pequeno e o ano passado esteve acima da média.
O maior atraso no plantio está ocorrendo na província de Buenos Aires com 48% da área plantada contra 68% do ano passado. Esta é a principal região produtora cultivando mais de 1 milhão de hectares.
Paraná
Pelos números de outubro do Deral, a estimativa da área a ser plantada com milho no Estado passa a ser de 1.798.390 hectares, 22,4 mil hectares a mais do que na estimativa do mês de setembro. O aumento na área plantada este ano em relação ao ano passado é agora de 16,5%. O aumento deste mês não é resultado de nova transferência de área de soja para milho, pois a estimativa da área a ser plantada com soja no Paraná também aumentou em 60 mil hectares passando de 2,18 para 2,78 milhões de hectares.
A produtividade média esperada para a safra paranaense foi revista para uma nova faixa, de 4.300 Kg/ha. Esta mudança tem por intuito refletir a nova condição da produção paranaense de milho. A cada ano safra, maior é a participação das médias e grandes propriedades na produção estadual e menor a parcela proveniente das pequenas propriedades. O nível tecnológico da produção paranaense já não pode ser espelhada pela produtividade média dos últimos 5 anos. Em todo caso, potencial não é igual a efetivo e os números podem e devem mudar ao longo dos próximos meses.
Até início desta semana, 77% da área prevista já estavam plantados no Paraná. O plantio continua acelerado se igualando apenas aos percentuais de 1997 e superior aos percentuais plantados nos demais anos de 1993 para cá.
Na região norte (especialmente norte pioneiro) o ataque de lagartas pela falta de chuvas está sendo avaliado, mas ainda não aparece nos números de outubro - a ocorrência é em áreas localizadas e deve ser pouco expressiva em termos estaduais.
Preços
Em outubro, ao contrário do que costuma ocorrer, os preços do milho não subiram. A média do mês deve ficar em torno de R$11,50/saca, 12 centavos abaixo da média de setembro. Do final de setembro até esta semana os preços ao produtor no Estado recuaram 5 centavos/saca ou 0,43%.
No mercado de lotes ou disponível, o mês de outubro se caracterizou pelo aumento no volume de negócios e do volume médio por transação. Em outras palavras começaram a sair negócios e em volumes grandes. Uma das explicações do mercado para este fato é que parte dos estoques foram postos à venda. O trigo de baixa qualidade está concorrendo com o milho o que ajuda a reduzir os preços do grão.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
C A F É
ESPECULAÇÕES E O COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DO CAFÉ
Especulações quanto à próxima safra brasileira começam a ganhar espaço. Embora estimativas ainda sejam precipitadas e sujeitas a alterações, os participantes do mercado apostam que a produção de café no Brasil em 2001/02 não será maior que a atual (28,9 milhões de sacas, segundo a Embrapa) em virtude de problemas climáticos. A geada que castigou os cafezais paranaenses em julho e a estiagem que vem prejudicando, principalmente, o sul de Minas Gerais e a região noroeste de São Paulo, combinadas com as elevadas temperaturas registradas nos últimos dias, estão afetando as lavouras.
A primeira florada, ocorrida em setembro, foi bastante irregular nas diversas regiões produtoras de café. Além desta heterogeneidade na floração, chuvas esparsas podem causar o abortamento dos botões. O contra-argumento referente ao aumento do parque cafeeiro brasileiro, que elevaria nossa produção, tem validade limitada, pois os dados sobre os novos pés de café são confusos.
Quando este quadro é analisado em paralelo aos baixos preços correntes no mercado, tanto nacional quanto internacional, é possível entender a postura retraída dos produtores. A maioria destes, principalmente no Estado do Paraná, está suprindo suas necessidades de caixa com atividades complementares - boi, soja, trigo, CPR, entre outros ativos de fundamental importância na conjuntura atual. Inclusive o mercado futuro, que antes encontrava certa resistência em função de sua complexidade, tem sido largamente utilizado por prevenir alguns riscos inerentes ao mercado cafeeiro.
Como consequência, os cafés estão sendo estocados nas fazendas, cooperativas e armazéns do governo. Talvez este não seja um mau negócio, posto que futuramente as cotações do produto possam atingir patamares mais elevados e uma provável escassez na oferta do café paranaense limitaria os ganhos dos agentes produtores.
Entretanto, vale lembrar que, na temporada passada, o mercado também foi influenciado por especulações referentes ao tamanho da safra do Brasil. No mercado físico, em dezembro de 1999, os preços chegaram a atingir R$ 270,00/saca de 60 kg, (indicador CEPEA que reflete uma média entre os preços nas principais regiões produtoras do país) em função da expectativa de uma quebra de safra por causa da seca ocorrida naquele ano. Quando, mais tarde, se concluiu que as perdas na produção não seriam tão significativas, os preços desabaram. Hoje, apesar dos mecanismos artificiais empregados para a recuperação dos preços, estes se encontram na faixa de R$ 135,00/saca de 60 kg (para o Paraná), com margem de variação de R$ 10,00 a mais ou a menos.
Desta forma, fica evidente a sensibilidade do mercado de café a qualquer informação. Na semana passada e nesta, mais uma vez, foi possível observar tal volatilidade, fundamentada em notícias meteorológicas, quando uma perspectiva altista foi quebrada a partir da previsão de chuvas para as áreas cafeeiras.
Portanto, é bastante arriscado prever o comportamento dos preços, principalmente quando um conjunto de fatores (oferta e demanda nacional e internacional, plano de retenção, estoques nos países consumidores e produtores, clima,...) atuam de forma divergente e com pesos diferentes, dependendo das preocupações do mercado naquele momento. Neste cenário, os produtores parecem estar optando por manter o produto em estoque à espera dos acontecimentos, o que parece uma decisão coerente no momento.
Margarete Boteon e Mariana Perozzi do CEPEA
E-mails: [email protected]
[email protected]
F E I J Ã O
NOVA REDUÇÃO DE ÁREA
A cada mês diminui a estimativa para a área plantada com feijão de primeira safra. Agora a área prevista é de 358 mil hectares, a menor área já plantada com a cultura no Estado em mais de 20 anos. No início da década de 80 o Paraná plantava cerca de 700 mil hectares de feijão das águas. A média da década de 80 fica perto de 650 mil hectares.
Na década de 90 a área média de feijão das águas caiu para 470 mil hectares mas nunca ficou abaixo de 400 mil hectares. Os 358 mil hectares estimados agora em outubro representam redução de 19,2% em relação ao ano passado, que já não foi dos melhores. Além da redução na área o Deral já contabiliza perda de 2,5% na produção esperada, fruto da seca na região norte do Estado.
Tendência semelhante, mas não na mesma intensidade, é esperada em outras regiões produtoras, especialmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul que junto com o Paraná respondem por quase metade da produção brasileira de feijão de primeira safra. Por outro lado, é possível que a área aumente ou se mantenha na Bahia, que vem disputando com o Paraná a posição de maior produtor de primeira safra.
No geral a expectativa é de redução na produção e, por consequência, preços melhores. Mesmo com consumo estável é de se esperar preços melhores para o próximo ano, em relação inversa ao tamanho da safra.
Por mais que o consumo per capita tenha reduzido, o feijão ainda apresenta demanda inelástica e os preços devem reagir diante de uma produção menor.
Francisco Guimarães
E-mail:[email protected]
PREÇO ESTÁVEL EM OUTUBRO
O preço médio da soja ao produtor paranaense segue estável em R$ 17/saca a três semanas, apesar de pequenas oscilações em algumas regiões produtoras.
Após a valorização do produto na segunda quinzena de setembro e início de outubro, quando os preços ao produtor saltaram de R$ 16,30 para R$ 17/saca, o mercado acomodou-se no restante do mês de outubro. A desvalorização da soja em Chicago (com os preços caindo de 485 para 465 centavos de dólar por bushel ao longo do mês) esfriou a comercialização no mercado interno, fazendo os preços tornarem-se praticamente nominais (termo que indica mercado com apenas poucos negócios). Nessa última semana, os preços só não caíram no mercado de balcão graças à valorização do dólar frente ao real e ao pouco volume disponível de soja no mercado interno.
Com a colheita da soja nos Estados Unidos caminhando para o final, o humor do mercado deve voltar-se agora ao plantio e desenvolvimento da safra na América Latina. Nesse aspecto, as primeiras projeções do USDA indicam uma safra latino americana de aproximadamente 62 milhões de toneladas, com o Brasil produzindo algo em torno de 34 milhões de toneladas (aumento de 2 milhões em relação à safra passada) e a Argentina 23 milhões de toneladas (aumento de 2,5 milhões frente ao ano anterior). Para o Paraguai o tamanho da safra de soja 2000/2001 é projetado em 3,3 milhões e na Bolívia 1,4 milhões de toneladas.
Ritmo normal de plantio
No campo o plantio da soja segue em ritmo normal nesse início de temporada, ao contrário do ano passado, quando a seca atrasou a semeadura nos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e nas regiões norte e oeste do Paraná.
Faltam recursos
Como sempre, por uma questão de sobrevivência, a tecnologia utilizada nas lavouras é boa, apesar da lentidão nas liberações dos financiamentos bancários.
A demanda por empréstimos bancários, vale dizer, deve ser maior nesse ano, tendo em vista a significativa redução na venda de soja verde, devido os baixos preços do produto no mercado futuro. No Paraná, a escassez de recursos é ainda mais grave, em função da frustração quase total da safra de inverno, que comprometeu o capital de giro de muitos agricultores.
Prof.José Roberto Canziani - Prof. da UFPR
e-mail:[email protected]





