S O J A
INSUMOS ACUMULAM PEQUENAS VARIAÇÕES DE PREÇOS
No acumulado dos últimos 12 meses, observa-se apenas pequenas oscilações nos preços nominais dos principais insumos utilizados no cultivo da soja. Assim, o valor do desembolso por hectare, nesta safra 00/01, deverá ficar próximo ao realizado na safra anterior.
Ás vésperas do plantio da soja, safra 2000/2001, os produtores brasileiros preparam-se para lançar ao solo vários bilhões de dólares na forma de insumos agrícolas. O momento é, portanto, oportuno para compararmos os preços de alguns insumos a serem utilizados pelos produtores.
A tabela apresenta um comparativo de preços médios mensais de alguns insumos utilizados na cultura da soja para os meses de setembro de 1999 e setembro de 2000. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná (Seab), e representam uma média ponderada para todo o Estado, a partir de ampla pesquisa de preços realizada em todas as regiões produtoras.
Na tabela, relaciona-se o nome comercial de alguns produtos a fim de facilitar a compreensão por parte dos produtores, destacam-se, porém, que as variações de preços relacionadas correspondem a uma média estadual, podendo não apresentar o mesmo comportamento nas diferentes regiões produtoras.
Sementes
Ao contrário da semente de milho que acumula elevação de preços superior a 20% nos últimos 12 meses (fruto do significativo aumento da área cultivada com o cereal nessa safra), a semente de soja, cotada atualmente a R$24,24 por saca de 50 Kg, registra elevação de 3%, em média, em relação ao preço vigente no mesmo período do ano anterior.
Fertilizantes
No caso dos fertilizantes, os preços das formulações mais usadas para a soja permaneceram relativamente estáveis em relação ao ano anterior. Também nesse item, a soja leva vantagem sobre o milho, pois em seu cultivo praticamente não se usam adubos nitrogenados (como a uréia, por exemplo), cujos preços subiram cerca de 50% nos últimos 12 meses.
Defensivos
Nos preços dos defensivos agrícolas, por sua vez, observam-se variações positivas e negativas no acumulado dos últimos 12 meses. Essas variações, no entanto, não superam a casa dos 10% para cima ou para baixo.
No caso dos herbicidas, que em conjunto com os fertilizantes representam quase metade do desembolso com a cultura, observa-se uma pequena redução de preços na média dos produtos. Dos herbicidas relacionados na tabela, a maior alta de preço no período foi do produto Flex que subiu 6% e a maior redução do produto Scepter que baixou 8,3%, entre setembro/99 e setembro/00.
Nos inseticidas, item de menor relevância em termos do desembolso total com a cultura, observa-se, em média, pequena elevação de preços para a maioria dos produtos. Dos inseticidas relacionados na tabela, a maior alta nominal de preço no período foi do produto Curacron que subiu 8,7% e a maior redução do produto Dimilin que baixou 8,1%.
Óleo Diesel
A disparada no preço do óleo diesel é uma infeliz exceção nesse ano safra. O produto subiu 20% nos últimos 12 meses, passando de R$0,60/litro em setembro de 1999 para R$0,72/litro em setembro de 2000. Para lavouras de plantio direto (que representam 85% do total no Estado) o impacto desse aumento no custo variável de produção é menor frente ao sistema de plantio convencional. De qualquer forma, esse aumento é extremamente prejudicial, pois encarece, sobremaneira, os custos de transporte tanto dos insumos como da produção reduzindo as margens de lucro dos agentes econômicos.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected] I L H O
PREÇO MÍNIMO CRESCE 2,5%
Os preços mínimos do milho para a safra 00/01 são os apresentados na tabela, com aumento de 2,5% em relação ao ano safra 99/00. O preço mínimo pode ser importante na nova safra?
A importância relativa do preço mínimo vai depender do tamanho da safra. Os números iniciais e a expectativa, como já foi comentado aqui, apontam para aumento na área em toda a região sul e possivelmente em todo o País. Com clima normal a produção deverá crescer, o que será muito bom para os setores consumidores de milho no País que perderam poder de troca para o grão ao longo deste ano.
Mas, dependendo da magnitude do aumento na produção, a redução nos preços pode ser significativa - como o milho tem demanda inelástica, a redução de preços deve ser maior do que o aumento na produção. A elasticidade preço da demanda de milho em grão no Brasil, levando em conta os últimos 17 anos é estimada em -1,755. Este número significa que se o consumo aumenta 1% o preço reduz 1,755% - uma proporção maior do que o aumento no consumo, que por sua vez, tem relação direta com a produção.
Portanto, o preço mínimo pode ser importante para a próxima safra diante da expectativa de aumento na produção nacional. Isto é especialmente relevante para a região centro-oeste que tem sido a maior demandante dos recursos oficiais do crédito de comercialização e da intervenção do governo no mercado (assim como de arroz e algodão).


Em termos nominais, ou seja, sem levar em conta a inflação, o preço de R$7,28/sc para o Paraná não é ruim, pelo contrário, pois a média dos últimos 5 anos é de R$6,26/saca. O preço de equilíbrio foi calculado há poucas semanas - estimado em R$6,40/sc. O preço mínimo está ao menos acima do preço de equilíbrio. Bom sinal, desde que haja recursos para PEP, Opções e compras diretas se forem necessárias.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
e-mail: [email protected] R R O Z
ÁREA DEVE REDUZIR NA SAFRA 00/01
Os primeiros números para o plantio de arroz no Paraná, apontam redução de 2,7% passando de um total (irrigado e sequeiro) de 81 para 78,8 mil hectares. A área paranaense tem pouca influência na produção nacional já que o Paraná produz 1,5% do total nacional.
O importante é que há tendência de redução de área nas principais regiões produtoras do País, começando pelo Rio Grande do Sul até o Centro-Oeste. Esta tendência está ligada ao comportamento dos preços ao produtor no Brasil nos últimos 4 anos. Observe o gráfico e a tabela. Em 1997 a produção brasileira foi de pouco mais de 9,5 milhões de toneladas com redução de 5,3% em relação à safra anterior; e os preços em 97 foram 16,2% superiores aos do ano de 96 (valores nominais, sem considerar a inflação do período).
No ano safra seguinte o Brasil colheu pouco mais de 8,5 milhões de toneladas, 1 milhão a menos do que na safra anterior e os preços subiram 25,2%. O gráfico mostra que, em 1998, os preços começaram a subir em maio e não interromperam o movimento de alta até dezembro daquele ano. Foram os bons preços de 98 que motivaram o aumento na área plantada na safra 98/99, que acabou resultando num aumento de 36% na produção (segunda maior da história do Brasil). Os preços reduziram relativamente pouco (5,8%), mas o suficiente para levar à redução na safra seguinte (99/00). Mas, desta vez, os preços reduziram 18% (valores prévios, pois corresponde à média de janeiro até esta semana).

Os preços mais baixos de 2000 devem levar à redução na área plantada para a safra 00/01 mas não se espera forte redução - talvez algo entre 3 e 8% - que, por sua vez, deve levar a preços um pouco melhores do que os observados neste ano 2000. O mercado externo vai ajudar a determinar o patamar de preços que deve vigorar no mercado brasileiro - começam a correr rumores de redução de 40 a 50% na área plantada na Argentina. O plantio já começou naquele país mas a Secretaria de Agricultura ainda não quantificou a área que os produtores pretendem plantar.
Francisco Guimarães
e-mail: [email protected]
F E I J Ã O
PLANTIO ATRASADO
Segundo levantamento do Deral, até início de outubro foram plantados cerca de 60% dos 372,4 mil hectares que devem ser cultivados com feijão das águas este ano no Paraná. Esta área, por sinal, é ainda inferior àquela do mês de agosto, quando estavam previstos 376,2 mil hectares. Com o número atual a redução na área plantada passa a ser de 17,4%.
Segundo dados históricos do próprio Deral, nesta época, entre 80 e 85% da área prevista já deveria estar plantada. Segundo o zoneamento agrícola para esta safra 00/01, o período recomendado de plantio da safra das águas no Estado vai de 1º de julho a 15 de novembro mas, de fato, o plantio deve se encerrar em outubro.
A produção paranaense das águas está prevista agora entre 385 e 437 mil toneladas, redução entre 1,7 e 11,6% em relação as 391,5 mil toneladas colhidas no ano passado.
No Rio Grande do Sul o plantio também está atrasado em função das chuvas - até a primeira semana de outubro, perto de 60% da área estava plantada contra uma média semelhante à do Paraná. Neste estado a redução prevista na área plantada é de quase 15%. Em Santa Catarina a expectativa também é de redução na área plantada, mas ainda não foi quantificado o percentual. O plantio também está atrasado e há indicações de que, a exemplo dos demais Estados do Sul, parte da área de feijão seja substituída por milho.
Esta redução na área pode se repetir em outras regiões produtoras pois os preços deste ano não entusiasmaram ninguém. Supondo a redução na produção de primeira safra, os preços devem recuperar-se.

Francisco Guimarães
e-mail: [email protected]