S O J A
CRESCE DISPUTA PELO GRÃO NO MERCADO INTERNO
Apesar das cotações em Chicago permanecerem sistematicamente abaixo dos 5 dólares por bushel, os preços da soja no mercado interno seguem em alta nos últimos 15 dias.
No Paraná, o preço médio da soja ao produtor paranaense subiu 70 centavos por saca nas últimas duas semanas, ou o equivalente a expressivos 4,3%, passando de R$16,30 para R$17 por saca.
Em algumas praças, o preço ao produtor é ainda maior, como é o caso de Guarapuava onde foram reportados negócios a R$17,5/saca, de Maringá e Londrina a R$18/saca, e de Ponta Grossa onde o preço máximo ao produtor atingiu a marca dos R$19/saca no meado dessa semana.
A elevação dos preços no mercado interno é fruto, principalmente, da maior demanda pelo grão por parte das indústrias esmagadoras de soja instaladas no País. A estratégia dessas empresas é garantir a posse do pequeno estoque remanescente ainda em mãos dos produtores nesse final de entressafra (menos de 10% do total colhido), e com isso poderem retardar o definitivo encerramento do esmagamento de soja nesse ano safra.
A provável redução nas estimativas de produção de soja nos Estados Unidos (safra 00/01), a ser confirmada pelo USDA no próximo dia 12, e a quase certa redução da área plantada com soja na Argentina e Brasil na próxima safra, também colaboram em parte para a atual valorização do produto no mercado interno.
Preço ainda baixo
Vale ressaltar, entretanto, que apesar da recente elevação dos preços da soja não há muito o que comemorar. Afinal, a cotação atual da soja ainda é bem inferior, em termos nominais, frente àquelas observadas ao longo de todo o primeiro semestre desse ano, e também inferior às cotações verificadas no mesmo período de 1997 e 1999. Observe, no gráfico ao lado, a evolução dos preços semanais da soja ao produtor paranaense nos últimos 5 anos.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
M I L H O
COLHEITA NOS ESTADOS UNIDOS E PLANTIO NO BRASIL E ARGENTINA
Até dia primeiro de outubro foram colhidos 37% dos 29,6 milhões de hectares de milho cultivados este ano nos Estados Unidos. A colheita está adiantada como ocorreu com a lavoura ao longo desta safra no país. As condições das lavouras não mudaram na última semana, como mostra o gráfico. Cerca de 12% das lavouras se encontram nas condições ruins/péssimas, 25% em condições razoáveis e 63% entre boas e excelentes. A situação desta safra mudou no final de julho quando o percentual das lavouras em boas e excelentes condições deixou a casa dos 75%.
Os preços do milho no mercado americano já assimilaram todo o aumento esperado na produção deste ano. Tomando por base o contrato para dezembro deste ano (pós-colheita), o comportamento dos preços foi o seguinte: o preço despencou de 268 centavos de dólar por bushel em abril para 190 centavos de dólar por bushel em julho. Daí para frente os preços se mantiveram oscilando (pouco) ao redor de 190 centavos de dólar por bushel e nas últimas duas semanas acharam fôlego para subir para 200 centavos de dólar por bushel (ou 2 dólares/bu).
Na Argentina as atenções se voltam para o plantio que começou na segunda semana de setembro. A área estimada por enquanto está em 3,35 milhões de hectares, redução de 7,7% em relação à área plantada na safra 99/00. Os preços baixos no mercado internacional estão desestimulando o plantio de milho na Argentina, ao contrário do que está acontecendo no Brasil. Até final de setembro, 14,6% da área prevista estava plantada. O plantio está atrasado em relação ao ano passado quando 25,7% da área já estava plantada nesta mesma época.
No Paraná o Deral praticamente manteve, no levantamento de setembro, a estimativa para a área a ser plantada com milho na safra 00/01, de 1.776 mil hectares, 2 mil hectares a mais do que no levantamento anterior. É claro que os números refletem intenção e podem mudar ao longo do período de plantio. No Paraná o período preferencial de plantio vai de 11 de agosto a 10 de novembro mas é comum plantio até dezembro.
No Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor nacional de milho na primeira safra, a área também deve crescer segundo levantamento da Emater realizado em setembro. A estimativa é de aumento de 7% passando de 1.537 mil hectares na safra passada para 1.645 mil hectares na safra 00/01. Os bons preços do milho devem ter o mesmo efeito nas demais regiões produtoras e, talvez, em menor proporção no Centro-Oeste onde o algodão está competindo em área este ano.
Seria melhor um aumento de área modesto em termos nacionais pois, com preços baixos no mercado externo e forte aumento na produção nacional o preço do milho pode cair significativamente na safra 00/01.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected] L G O D Ã O
ÁREA DEVE CRESCER EM TODO O PAÍS
Por enquanto os primeiros números para a intenção de plantio de algodão na safra 00/01 no Brasil só foram levantados pelo Deral para o Paraná. O período preferencial de plantio de algodão no Paraná vai de 11 de setembro a 10 de novembro, o mais adiantado do País. Pelo levantamento de setembro do Deral os produtores paranaenses pretendem plantar 65,56 mil hectares, 21,8% a mais do que na safra passada e a maior área desde a safra 97/98. É o maior aumento percentual na área pretendida entre as principais lavouras de verão no Estado: serão 11,74 mil hectares a mais este ano. No entanto, este aumento de área corresponde a pouco mais de 5% do aumento esperado na área de milho.
Estimativas informais, junto a grandes produtores, indicam tendência de aumento também na área a ser plantada com algodão no Mato Grosso, o maior produtor nacional desde a safra 97/98. O período preferencial de plantio no Mato Grosso vai de 21 de novembro até final de fevereiro. Portanto, números mais consistentes para este estado só em final de novembro.
O Mato Grosso do Sul foi o segundo maior produtor da safra 99/00 com perto de 90 mil toneladas de pluma. O período recomendado de plantio neste estado começou esta semana e vai até 20 de janeiro o que leva a crer que uma estimativa mais consistente para a área pretendida na safra 00/01 deve surgir lá por novembro. Na maior parte do Nordeste, o período preferencial de plantio começa em janeiro.
Leilões para exportação
Parte do algodão que foi parar nas mãos do governo pelo exercício das opções está sendo leiloado para exportadores e outra parte para indústrias do nordeste (importadoras). Os novos instrumentos de PEP e Opções são bem mais eficazes do que os instrumentos anteriores, sem dúvida. No entanto, estes instrumentos exigem uma articulação muito melhor do que na época dos AGF e EGF - hoje a economia é aberta e, se não tomar cuidado o governo vai acabar subsidiando outros países. É o que acontece quando se exporta produto com subsídio.
Que pena que a produção paranaense está tão reduzida hoje para também se beneficiar do subsídio à exportação. O Brasil precisa investir urgentemente em transporte para reduzir o custo desta operação no país e viabilizar a produção nas regiões de fronteira. Afinal, a migração do algodão para o Centro-Oeste tem que estar condicionada à competitividade.

Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
T R I G O
COLHEITA ATRASADA NO RIO GRANDE DO SUL
Nesta época a colheita do trigo no Rio Grande do Sul já deveria ter começado mas o atraso vem desde o início da safra. A Emater do estado estima que, em final de setembro, 31% das lavouras gaúchas estavam na fase de floração, 47% em enchimento de grãos e 22% entre maturação e prontos para colheita. Até agora as lavouras estão em boas condições e a produção continua estimada entre 888 e 999 mil toneladas. O potencial de problema com a safra gaúcha neste estágio é o excesso de chuvas que podem prejudicar a colheita. Por enquanto não há problemas.
Na Argentina o plantio da safra encerrou na segunda semana de setembro. As condições das lavouras são, em geral, boas segundo a Secretaria de Agricultura da Argentina. A área plantada somou 6.305 mil hectares, 2,9% maior do que na safra anterior e a maior dos últimos 4 anos.
Nos Estados Unidos o plantio cobriu 34% da área prevista (ainda não divulgada) com atraso tanto em relação ao ano passado (49%) quanto à média dos últimos 5 anos (44%). Estes 10% de atraso já vem ocorrendo há mais de quinze dias por escassez de chuvas na região produtora de trigo de inverno. A maior parcela de trigo de inverno é cultivada num eixo norte sul desde Montana até o Texas passando por Kansas e Oklahoma, os dois maiores produtores.
O período ótimo de plantio termina este mês de outubro e a possibilidade de redução na área ajuda a recuperar os preços do grão no mercado americano. Na bolsa de Chicago, por exemplo, - o trigo cotado para o próximo mês de dezembro reagiu durante o mês de setembro, depois de atingir, naquele mês, o menor valor desde o início do ano - menos de US$2,50/bushel e agora já se aproxima de US$2,70/bushel.
Para março do próximo ano, a Bolsa de Chicago está cotando o bushel de trigo acima de US$2,85, alta de 20 centavos de dólar por bushel em menos de um mês - é a possibilidade de uma produção menor nos Estados Unidos no próximo ano.
Recuperações nos preços serão bem vindas no mercado brasileiro, desta vez beneficiando os produtores gaúchos desde que a produção prevista seja atingida. Qualquer quebra na produção do Rio Grande do Sul deve elevar os preços na Argentina pois é o fornecedor mais próximo e mais competitivo.

Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]

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