M I L H O
Preço estável em setembro
A semana encerrou o mês de setembro com queda de 10 centavos de real por saca no preço do milho ao produtor paranaense. A média do mês ficou em R$ 11,62/saca, alta de 0,28% em relação ao preço médio do mês de agosto - praticamente sem alteração. Em dólar, o preço em setembro ficou na média de US$ 6,32/saca, queda de 1,7% em relação à média do mês de agosto.
O maior preço do ano costuma ocorrer no último trimestre, muitas vezes em novembro. Não é usual que os preços do milho se mantenham altos após a segunda quinzena de dezembro. A maior pressão de demanda ocorre entre setembro e início de novembro - visando as festas de final de ano para aves e suínos.
Setembro pareceu marcar o impasse entre compradores e vendedores - na queda de braço diária na determinação do preço. Os compradores estiveram estranhamente calmos, levando em conta o cenário de falta de milho que tanto se ressaltou para este ano. As vendas de balcão do governo não fazem nem cócegas nos grandes compradores - estas vendas picadas não são para eles. Grandes lotes de milho foram negociados em setembro - uma novidade pois em agosto foram poucos os negócios em grandes volumes.
Boa parte desta tranquilidade vem de duas fontes: importações e demanda menor do que o projetado. Quanto às importações: apesar das discussões sobre transgênicos, e tudo o mais, o fato é que as estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior sobre as importações brasileiras de milho em grãos de janeiro a agosto deste ano somam 1.266 mil toneladas. Este volume é 54% maior do que o volume de milho importado pelo Brasil durante todo o ano passado (822 mil toneladas).
A previsão da CONAB para as importações brasileiras de milho está em 2,6 milhões de toneladas - que seria a quantidade necessária para suprir o consumo estimado em 35,7 milhões de toneladas.
Este consumo representa um crescimento de 2% em relação às 35 milhões de toneladas que teriam sido consumidas no ano safra 98/99. Mas, pelas contas da CONAB, o consumo brasileiro estacionou em 35 milhões de toneladas nas safras 97/98 e 98/99 - nas quais o preço do milho foi menor do que este ano. Este aumento de consumo pode perfeitamente não ocorrer, reduzindo a necessidade de importações.
Até agosto as importações (do ano comercial e não do ano agrícola) somaram perto de 1,27 milhão de toneladas, 164% a mais do que no mesmo período do ano passado, segundo dados da SECEX (janeiro a agosto). Até o mês de julho, o total era de 1.046 mil toneladas, das quais 86,5% vieram da Argentina que nos últimos anos forneceu de 57 a 90% do milho que o Brasil comprou no exterior.
O objetivo desta análise não é desestimular quem tem milho em estoque e espera que os preços alcancem a estratosfera e permita a quem (ainda) tem estoques, ganhar muito dinheiro. É, pelo contrário, alertar a estas mesmas pessoas que as coisas podem não ser tão otimistas quanto parecem. Pode ser que os preços este ano dêem a alegria (a quem tem estoques, é claro) como deram no ano passado (veja tabela) mas pode ser que não. Vale o alerta.
Esta tabela mostra os preços médios mensais ao produtor no Paraná entre agosto e dezembro. Nos últimos 6 anos, apenas uma vez os preços caíram neste período - foi em 96.

Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
S O J A
Perdendo área para o milho
As primeiras projeções sobre o plantio da safra de verão 2000/2001, em nível nacional e estadual, indicam que haverá um expressivo aumento da área de milho e uma significativa redução da área de soja relativamente ao que foi cultivado na safra anterior.
No Paraná, dados da Secretaria da Agricultura apontam para um crescimento de quase 15% na área de milho no Estado, e para uma redução de aproximadamente 5 % na área de soja. Segundo a entidade, a área paranaense de milho, nessa safra de verão, deve atingir 1,77 milhões de hectares, representando a maior área cultivada com o cereal nos últimos 4 anos. No caso da soja, a área a ser plantada em solo paranaense deve reduzir-se para 2,71 milhões de hectares, representando, nesse caso, a menor área cultivada com a oleaginosa nos últimos 4 anos. É a soja perdendo espaço para o milho.
Preço atual favorece o milho
Sob o ponto de vista empresarial, a opção de cultivo por uma ou outra cultura na safra de verão está relacionada a uma série de fatores, dentre os quais destacam-se: (a) relação de preços entre os produtos concorrentes (soja e milho); (b) gosto, preferência e experiência do empresário em cada cultura; (c) sistema de rotação de culturas adotado na propriedade; (d) propensão ao risco pelo empresário, tendo-se em vista que o milho possui maior risco de produção (variações de produtividade) e de mercado (variações de preços) comparativamente à soja; (e) disponibilidade de infraestrutura na propriedade (sobretudo de equipamentos como semeadeiras/plantadeiras e plataformas de colheita); (f) tradição e aptidão edafoclimática das culturas na região; (g) disponibilidade de crédito para as culturas, entre muitos outros fatores.
Sem dúvida, a base produtiva de cada cultura é função de muitos fatores, que certamente não se alteram significativamente no curto prazo, conferindo as diferentes regiões o status de grandes produtoras de soja e/ou milho. Já às variações marginais na área cultivada têm nos preços relativos dos produtos um importante referencial para a substituição de áreas entre as culturas. Em suma, quando a relação de preços soja/milho é alta amplia-se o cultivo da soja e quando é baixa aumenta-se a área cultivada com milho.
A tabela ao lado mostra a relação de preços entre os produtos para o mês de setembro dos últimos 10 anos. No atual mês de setembro, pode-se verificar que uma saca de soja correspondeu a apenas 1,39 sacas de milho, 26% a menos relativamente à média histórica para essa época do ano, que é de 1,88 sacas de milho para cada saca de soja.
Obviamente que para uma decisão de plantio mais segura, o ideal seria saber o preço de cada produto na época de comercialização (após a colheita da safra). Entretanto, o fraco desenvolvimento dos mercados futuros no Brasil (que poderiam permitir ter-se uma noção sobre o comportamento futuro dos preços), faz com que a grande maioria dos produtores rurais ainda tome suas decisões de plantio ‘‘olhando’’para o presente e o passado. Nessa semana, os raros negócios com soja e milho na BM&F - Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo, indicava cotações para o mês de maio/2001 ao redor de US$ 5,80/saca para o milho e de US$ 10,40/saca para a soja (indicando uma relação normal de preços entre os produtos).
O gráfico ao lado, por sua vez, apresenta a evolução da área cultivada com soja e milho (verão e safrinha) pelos produtores paranaenses nas últimas duas décadas. Nesse período a área cultivada com soja variou entre um mínimo de 1,78 milhões de hectares na safra 86/87 (durante o famoso Plano Cruzado) e um máximo de 2,85 milhões de hectares na safra 99/00. No caso do milho, safra de verão, a maior área foi de 2,93 milhões de hectares na safra 86/87 e a menor de 1,46 milhões de hectares na safra 96/97. Assim, para o caso da safra de verão a maior participação da soja na soma das áreas dessas culturas foi 65,9 % na safra 97/98. Já para o milho a maior participação foi de 62,2 % na safra 86/87.
Até a primeira metade da década de 90, vale lembrar, as culturas da soja e do milho se alternaram na liderança entre as principais culturas do Estado em termos de área cultivada. De lá para cá, a soja passou a ganhar frente ao milho maior importância como cultura de verão, enquanto passou-se a observar grande incremento na cultura do milho safrinha em substituição ao trigo como lavoura de inverno.
Entressafra eleva preço da soja
Os preços da soja ao produtor paranaense experimentaram significativa elevação nessa última semana de setembro. No período, o valor do produto subiu 2,5 % na média do Estado, passando de R$ 16,3 para R$ 16,7 por saca, atingindo a maior cotação, em termos nominais, dos últimos três meses.
A nova expectativa do mercado sobre uma menor safra de soja nos Estados Unidos (em ritmo de colheita) e a pouca disponibilidade do produto no mercado interno brasileiro (em plena entressafra) deram sustentação à elevação dos preços internos, que devem seguir em alta moderada nas próximas semanas.
Condição das lavouras
Em suas duas últimas projeções semanais, o USDA - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos praticamente manteve estável sua avaliação sobre o comportamento das lavouras de soja naquele país. Nesse período, a somatória das lavouras consideradas boas e excelentes manteve-se ao redor dos 52%, conforme pode ser visualizado no gráfico 2 ao lado. Isso significa que teremos em outubro (dia 12), provavelmente uma pequena revisão para baixo nas projeções do USDA sobre a produtividade das lavouras de soja nos Estados Unidos, o que significa predizer uma estabilidade ou leve alta dos preços na Bolsa de Chicago no médio prazo.
TABELA: COMPARATIVO ENTRE OS PREÇOS DA SOJA E DO MILHO AO PRODUTOR PARANAENSE NO MÊS DE SETEMBRO DOS ÚLTIMOS 10 ANOS.
Mês/Ano - Milho (US$/saca) - Soja (US$/saca) - Relação Soja/Milho -
Set-91 - 6,56 - 11,15 - 1,70 -
Set-92 - 6,30 - 12,08 - 1,92 -
Set-93 - 6,98 - 12,17 - 1,74 -
Set-94 - 6,51 - 11,96 - 1,84 -
Set-95 - 5,92 - 11,05 - 1,87 -
Set-96 - 8,15 - 15,65 - 1,92 -
Set-97 - 5,94 - 15,70 - 2,64 -
Set-98 - 6,03 - 10,28 - 1,70 -
Set-99 - 4,52 - 9,33 - 2,06 -
Set-00 - 6,32 - 8,89 - 1,41 -
Média no período - 6,32 - 11,82 - 1,88 -
Fonte: Agromarket
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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