M I L H O
USDA MANTÉM ESTIMATIVA DE SAFRA RECORDE
Saiu esta semana o relatório com as estimativas de setembro do USDA para a produção norte-americana de grãos e as estimativas de disponibilidade, utilização e estoques para diversos países e o total mundial, o conhecido relatório mensal de ‘‘oferta e demanda’’.
Os mercados de soja e milho andaram reagindo duas semanas atrás por conta da expectativa de que os números de setembro apresentassem redução nas estimativas da produção americana destes produtos.
No caso do milho, a nova estimativa de produção é de 263,22 milhões de toneladas, apenas 170 mil toneladas inferiores aos números de agosto, e ainda um volume recorde histórico. O recorde americano até então era a produção de 256,62 milhões de toneladas obtidos na safra 94/95.
A produtividade também vai ser recorde nesta safra, atingindo 8,9 toneladas por hectare, 2,3% superior à obtida na safra de 95, de 8,7 toneladas por hectare. A tabela mostra a produção e produtividade, segundo os 10 maiores Estados produtores de milho nos Estados Unidos - na média dos últimos 4 anos e agora na safra 00/01.Estes números fizeram o mercado de milho na Bolsa de Chicago voltar a cair, mas as cotações não voltaram aos baixos valores observados há um mês - sinal de que o mercado já absorveu a produção recorde americana - por isso, os preços para dezembro estão acima de 190 centavos de dólar por bushel (US$ 74,80/tonelada).
A colheita cobria 7% da área a ser colhida (29,57 milhões de hectares), mantendo a antecipação que marcou esta safra nos Estados Unidos. Nesta mesma época, na média dos últimos 5 anos, o percentual da área colhida era de 4%. A condição das lavouras piorou um pouco na semana passada em relação à anterior mas isto não foi suficiente para influenciar o mercado - prevalecendo o efeito baixista da produção recorde.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
T R I G O
COMEÇA O PLANTIO DA SAFRA DE INVERNO NO HEMISFÉRIO NORTE
Ao mesmo tempo em que o Brasil começa a colheita da safra de trigo (no Paraná), é tempo de iniciar o plantio da safra de inverno no hemisfério norte. Esta produção entrará em dormência durante o inverno e irá se desenvolver, florescer, frutificar e maturar no primeiro semestre do ano que vem.
Nos Estados Unidos até final da semana passada, foram plantados 6% da área pretendida (ainda não divulgada), contra uma média de 9%. A colheita da safra de primavera está no final, restando apenas 7% da área para ser colhida.
A produção americana de trigo de primavera foi reavaliada para um volume maior, de forma que a produção total (inverno e primavera) vai acabar igual à do ano passado, em torno de 62,66 milhões de toneladas.
A produção mundial foi revista de 581,3 para 583,15 milhões de toneladas, aumento de 1,85 milhão de toneladas de agosto para setembro. Apesar deste aumento, a produção mundial ainda será menor do que na safra anterior, que somou 585,93 milhões de toneladas.
Os números do USDA causaram nova redução nos preços do trigo no Bolsa de Chicago, que estavam se recuperando da forte queda nas cotações ocorrida no início de julho e que permaneceu até o segundo decêndio de agosto. Neste período, a cotação do trigo para dezembro passou de 305 (US$112,07/tonelada) para pouco mais de 250 centavos de dólar por bushel (US$92,60/tonelada). Em seguida o preço subiu até próximo de 270 centavos de dólar por bushel (US$99,21/tonelada) e agora voltou a cair para 257 centavos de dólar por bushel (US$94,50/tonelada). Esta queda reflete números de produção melhores do que os esperados pelo mercado, mas os preços não devem ficar tão baixos devendo reagir um pouco nas próximas semanas.
Brasil
A colheita no Paraná cobre menos de 10% da área, segundo levantamento semanal do Deral (até primeiro decêndio de setembro). A chuva não está contribuindo nem com a colheita nem com as lavouras em desenvolvimento - a incidência de doenças está aumentando. Decididamente este não é o ano do trigo no Paraná. No Rio Grande do Sul as lavouras continuam se desenvolvendo bem e a produção está estimada entre 888 e 999 mil toneladas (números da Emater do Estado).
Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]
B O I G O R D O
CHUVAS PROVOCAM REDUÇÃO DE PREÇOS
Nessa semana, os preços do boi gordo recuaram de R$0,5 a R$1,00 por arroba nas principais regiões produtoras do País. O motivo principal para o recuo das cotações foi o generoso retorno das chuvas que ocorreram nessa primeira quinzena de setembro.
As chuvas generalizadas das últimas semanas principalmente no Sul e Sudeste do País dificultaram, sobremaneira, o manejo do gado em regime de confinamento e semi-confinamento. Os transtornos criados na fazenda foram desde a maior presença de ‘‘lama’’ no local de engorda até a menor disposição dos animais em se alimentar durante esse período chuvoso, com comprometimento do ganho de peso. A consequência é a ampliação momentânea da oferta de gado aos frigoríficos por parte dos confinadores e semi-confinadores e uma pressão negativa sobre os preços.
Chuvas amenizam pastagens
Outro importante fator que contribuiu para o atual recuo das cotações está relacionado à expectativa de antecipação no processo de recuperação das pastagens, com encurtamento do atual período de entressafra.
A expectativa de clima favorável para daqui em diante (clima chuvoso e aumento de temperatura) vem revertendo a expectativa de preços muito elevados do boi gordo para esse final de entressafra. Só para dar um exemplo, pode-se citar que na segunda quinzena de julho (logo após as fortes geadas) o contrato do boi gordo para entrega em outubro, na Bolsa de Mercadorias e de Futuros de São Paulo, era negociado por US$25,5 por arroba, quase 10% a mais frente aos valores negociado nessa semana, que oscilaram pouco acima dos US$23 por arroba.
Os preços em queda também refletem a expectativa dos agentes de mercado para maiores dificuldades futuras de exportação de carne bovina pelo Brasil, após o lamentável reaparecimento dos focos de febre aftosa no Sul do País.
O gráfico ao lado, mostra um comparativo dos preços médios mensais do boi gordo nos últimos 5 anos.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPR
e-mail: canziani@agrárias.ufpr.br
CAFÉ
GLOBALIZAÇÃO DO MERCADO
A dificuldade em se prever o comportamento dos preços e adotar posturas no mercado de café tem se acentuado bastante nos últimos anos. Um dos principais fatores que agravam a falta de estabilidade do setor é a tão falada globalização, que juntamente com a liberação dos mercados atinge em cheio o segmento cafeeiro.
A volatilidade dos preços tende a se intensificar com a desregulamentação dos mercados, uma tendência mundial. O rompimento do Acordo Internacional do Café - AIC, no final da década de 80 e a extinção do Instituto Brasileiro do Café em 1990, são apenas dois exemplos desta tendência. Além da menor influência do governo, há o acirramento da concorrência na oferta de café no mercado mundial, com a entrada de outras origens. Tais países produtores enfrentam diferentes problemas climáticos, tecnológicos, econômicos, políticos e institucionais, os quais refletem com intensidade variada nos preços internacionais do café.
Os agentes do mercado internacional têm adotado mecanismos de ajustamento nas compras. Isto se faz, por exemplo, através da estratégia do just-in-time, ou seja, melhor administração das informações e dos estoques. Também há a possibilidade de diminuição nos custos pelo uso do comércio eletrônico, que permite adquirir lotes de café, em minutos, em qualquer parte do mundo.
A conclusão deste cenário é que, muitas vezes, acontecimentos locais não tem força para impulsionar o mercado internacional. O exemplo mais recente ocorreu no Paraná, em meados deste ano. As geadas que atingiram os cafezais do Estado em julho passado trarão perdas de mais de 70% para a produção local na safra 01/02. Apesar disso, a região, que em 99 representou 3% do volume total da safra brasileira, não teve força para elevar os preços do produto, o que compensaria em parte os prejuízos com a redução do volume. Na prática, os produtores paranaenses se encontram com uma quantidade bastante reduzida de café e o mercado está ofertando preços baixos em decorrência do alto volume total de café estocado no País. Isso representa uma queda na receita do produtor.
Todos esses fatores, em conjunto, indicam que o mercado internacional de café deverá continuar tão ou mais volátil que no passado recente e seus reflexos deverão ser sentidos no mercado interno. Para o produtor não ser ultrapassado nesta corrida, deve utilizar mecanismos que o auxiliem na administração de sua produção, como a busca de informações sobre o quadro mundial e nacional de café, e dos riscos de preços, como mercados futuros e CPR, por exemplo.
Mariana Perosee - CEPEA

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