Investir na agroindústria pode ser uma alternativa para viabilizar a fruticultura em pequenas propriedades. Em Cambé (13 km a oeste de Londrina), o agricultor Guilherme Gomes Redondo decidiu instalar uma unidade de processamento de frutas após enfrentar problemas para comercializar sua produção de acerola.
Quatro anos após iniciar o negócio, ele garante que a iniciativa valeu a pena. A venda da fruta processada traz lucros até 50% maiores que a comercialização do produto em caixas e permite o aproveitamento das unidades menores, que apresentam boa qualidade mas não são aceitas nos supermercados. A pequena indústria é comandada pela esposa do produtor, Neide Barbosa Gomes, que conta com o auxílio da filha e da nora. Eles vendem polpa de acerola, maracujá, manga, tangerina, morango, abacaxi, melão, mamão, goiaba e coco.
Desafio A família iniciou o negócio há quatro anos para aproveitar a produção de aproximadamente mil pés de acerola, que foram plantados para atender um contrato de sete anos com um comprador que acabou falindo. ‘‘Ficamos com pena de derrubar os pés e resolvemos investir no processamento’’, contou Neide.
A solução encontrada para o problema deu certo e acabou se transformando na principal atividade praticada no sítio. Além da acerola, eles plantam maracujá, manga e tangerina. A produção ainda não atende a demanda por essas frutas, respondendo por 30% do total consumido na unidade de processamento. O restante é adquirido no Ceasa, que fornece também as espécies que não são cultivadas na propriedade.
‘‘Esse ano, estamos comprando quase tudo no Ceasa, pois as geadas do inverno passado prejudicaram a nossa produção’’, comentou Redondo, que também planta café e cria gado na propriedade de 7,5 hectares (ha). A fruticultura ocupa 2 ha da área total, mas o espaço deve ser ampliado. ‘‘Estou plantando morango e araçá-boi. No futuro, vamos nos dedicar apenas ao cultivo de frutas’’.
Quando utilizam produção própria, a margem de lucro obtida com a venda da polpa processada gira em torno de 80%. Usando produtos do Ceasa, a rentabilidade cai para 20%. ‘‘É por isso que queremos aumentar nossa produção’’, informou o agricultor.
Ele ressaltou que apesar do lucro menor, a possibilidade de comprar as frutas constitui uma garantia de continuar a atividade mesmo quando a produção é prejudicada, como aconteceu no ano passsado.
Produção Na pequena unidade do Sítio São José, são processados mil quilos de fruta por mês. Neide explicou que o processo começa com a lavagem das frutas, que depois são imersas em um produto desinfetante específico para essa função.
No caso do maracujá, é preciso separar a polpa e as sementes da casca antes de iniciar o processamento. Em algumas frutas, como o mamão, as sementes devem ser retiradas antes de começar a retirada da polpa.
O próximo passo é colocar as frutas no despolpador, que separa o suco das cascas e sementes. Terminada essa fase, o líquido é transferido para um dosador, que preenche sacos plásticos com 100 ml de polpa. Os saquinhos são fechados em um selador e acondicionados no freezer. Após o congelamento, são guardados na câmera fria e antes da comercialização, cada cinco unidades de 100 ml são embaladas em pacotes de 500 gramas.
Neide adverte que os pacotinhos de polpa devem ser acondicionados na câmera fria somente depois de passarem pelo freezer. ‘‘Se guardados em temperatura ambiente, podem prejudicar as unidades que já estão congeladas’’, disse. Sem adição de conservantes ou qualquer outra substância artificial, o produto congelado tem validade de 12 meses.
Comercialização A produção da família é vendida em escolas, creches, restaurantes, lanchonetes ou direto para os consumidores de Cambé, Rolândia, Bandeirantes e Londrina. ‘‘Agora, estamos começando a entregar nos supermercados’’, disse Neide, ressaltando que a entrega dos pacotes aos consumidores é feita pela própria família.
A polpa de frutas pode ser utilizada para fazer sucos, vitaminas e doces, mas o rendimento varia de acordo com a espécie. ‘‘Um pacote de 100 ml de maracujá rende 1,5 litro de suco. Com a mesma quantidade de abacaxi, goiaba, manga e laranja, por exemplo, é possível fazer 0,5 litro’’, explicou, acrescentando que apenas 35% do maracujá é aproveitado após a retirada da polpa. Já o morango e o mamão apresentam 80% de rendimento.
Para garantir a qualidade do produto, o segredo é utilizar frutas de boa qualidade, que são separadas manualmente para diminuir o risco de usar as de qualidade inferior. Para obter lucros durante o ano inteiro, é aconselhável estocar a polpa durante a safra, quando a fruta da época está mais barata.
Investimento Guilherme Redondo informou que a estrutura da unidade de processamento, incluindo capital de giro, estoque e maquinário, soma hoje um investimento de R$ 45 mil. ‘‘Mas iniciamos o negócio com R$ 4,8 mil, pois uma parte dos equipamentos foi financiada’’, comentou.
Neide acrescentou que a unidade está ficando pequena para o volume de clientes. ‘‘No futuro, pretendo comprar um dosador industrial ou semi-industrial e contratar funcionários’’, disse.

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