Nos últimos cinco anos o setor agroindustrial do Paraná passou a oferecer produtos com maior nível de elaboração. A constatação é do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Segundo trabalho da economista Maria Lúcia de Paula Urban e pela socióloga Grácia Maria Viecelli Besen, o antigo modelo de agroindustrialização extensiva chegou ao limite e já começou a ser substituído.
De acordo com o Secretário de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, apenas o processamento de bens primários não garante a viabilidade do setor. ‘‘Antes do processo de industrialização do Estado, faltava infra-estrutura e mão-de-obra que permitissem o desenvolvimento de uma agroindústria de ponta. Agora as condições mudaram’’, disse.
InvestimentosDesde 1996 o Paraná atraiu R$1,1 bilhão em investimentos na agroindústria. Foram inauguradas 35 novas empresas no setor, que geram 14,3 mil empregos. No dia 26 o governo do Paraná lançou, em Curitiba, o programa Paraná Agroindustrial, que organizará o desenvolvimento da agroindústria em sete cadeias produtivas do Estado. Milho, soja, mandioca, suinocultura, avicultura, trigo e cana-de-açúcar terão projetos específicos de incentivo para agroindústria local.
Como exemplo da necessidade de mudança na transformação de commodities agrícolas, Sciarra citou o caso do milho: ‘‘Se vender apenas o grão, o produtor conseguirá o preço de mercado, que é baixo, mas se transformar em amido e outros derivados, o valor pode ser multiplicado em 50 vezes’’. Para Sciarra, a participação da agroindústria intensiva na economia estadual tem condições de triplicar. ‘‘Creio que o Estado está aproveitando cerca de 30% do potencial que possui nesse setor.’’
SubstituiçãoSegundo as pesquisadoras do Ipardes, o agronegócio ainda é o principal vetor da economia paranaense. O motivo da transformação do setor é o esgotamento da fronteira agrícola do Estado. A tendência atual é de empresas processadoras de grãos, que fazem a primeira transformação, transfiram-se para o Centro-Oeste do País, onde a produção de commodities é mais barata.
Em substituição às esmagadoras de soja ou moedoras de café, os novos investimentos agroindustiais caracterizam-se pela agregação de valor ao produto final. Os principais exemplos são laticínios finos, de longa vida e bebidas prontas, café solúvel, hortifrutis congelados e confeitos.
A Schreiber Foods Incorporate, dos Estados Unidos, investiu US$8 milhões em uma unidade de fabricação de queijo processado no município de Rio Azul. A fábrica tem capacidade inicial de 5 mil toneladas ao ano e nos próximos cinco anos deve chegar a 12 mil toneladas. ‘‘Essa empresa produz queijo fatiado para a cadeia McDonald’s e compra a matéria-prima de pequenos laticínios locais. Sem concorrer com os produtores tradicionais da região, ela agrega valor a produtos agrícolas dentro do Estado’’, explicou o Secretário.
Outro exemplo é o da Companhia Cacique de Café Solúvel, de Londrina. Maior exportadora brasileira do setor, a empresa inaugurou este ano uma unidade para industrialização de café solúvel freeze-dried. Com isso, houve uma ampliação de 15% da capacidade de produção da empresa.