No sítio de cinco alqueires, Fabio dos Anjos cultiva café orgânico há quatro anos. Ainda sem mercado garantido, o grão verde é comercializado na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina. ''Investi num maquinário para produzir o café cereja descascado. O grão, que com a casca leva 20 dias para secar, quando descascado seca em apenas quatro dias. E o mais importante é que dá uma bebida de qualidade'', afirma.
O cafezal é monitorado por dois funcionários que fazem a coleta seletiva dos grãos diariamente. Além de utilizar caldas preventivas no controle de doenças, o produtor espalha armadilhas para insetos no meio da lavoura. Feitas com garrafas pet, as armadilhas contêm uma mistura de água, etanol e metanol, que atrai a broca. ''O inseto fica preso na garrafa e acaba morrendo afogado'', explica Fabio dos Anjos.
O cafeicultor também utiliza adubo orgânico, produzido no próprio sítio à base de palha de arroz, mamona e café e de cama de frango e gado. ''Procuro conservar o mato e deixar crescer as árvores que nascem no meio do cafezal para aproveitar o benefício do sombreamento'', diz.
A adubação é feita uma vez ao ano, logo após a colheita. Já as caldas preventivas compostas de cobre e cal são aplicadas cinco vezes ao ano, sempre de março a julho. ''A cada 15 dias as armadilhas são recolhidas, limpas e recolocadas no cafezal'', informa.
Segundo Fabio dos Anjos, parte da produção é vendida como convencional, pois as lavouras vizinhas ainda utilizam agrotóxicos. Para controlar a deriva, ele pretende construir uma barreira natural na divisa da propriedade, plantando guandus.
Quando comprou o sítio, relembra o cafeicultor, a propriedade contava com apenas 5 mil pés de café com mais de 30 anos. ''Hoje já são 35 mil pés, sendo que os mais novos foram semeados há apenas seis anos.'' (M.G.)

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