Agroecologia na produção animal é tendência promissora de mercado
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de janeiro de 2007
Andréa Bertoldi<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A produção agroecológica animal ainda não atinge 1% da produção nacional, mas traz uma série de benefícios. Prevê a criação dentro de todo um sistema orgânico e tem como um dos princípios fundamentais o bem estar do animal. Além disso, é isenta de qualquer tipo de produto químico e integra a agricultura com a pecuária. O custo de produção pode ser até 60% menor e, como o preço dos orgânicos é mais valorizado do que o dos produtos convencionais, o produtor é melhor remunerado.
''A agroecologia na produção animal já não é mais só um nicho de mercado. Em alguns países, os orgânicos representam 10% do consumo total'', disse o coordenador de recursos naturais e produção vegetal integrada do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), Júlio Veiga Silva.
Ele destacou que a produção agroecológica animal é viável e tem mercado, principalmente para produtos como carnes e leite. Atualmente, o consumidor tem mais facilidade de encontrar orgânicos como ovos e frango. Já a carne bovina ainda é muito restrita. Vale lembrar que os orgânicos passam pelo mesmo controle sanitário que os produtos convencionais.
No CPRA, estão sendo realizadas pesquisas para a produção integrada de animais com vegetais, entre elas, a plantação de caqui, junto com a criação de ovelhas, o que reduz o custo para roçar a pastagem, trabalho que é feito pelas ovelhas e que acaba dispensando o uso de herbicidas ou a própria roçadura.
Outro estudo desenvolvido pelo Centro de Agroecologia é a criação de gado de leite junto com a cultura de pêra. Com isso, os bois mantêm o mato baixo no local e ingerem um alimento livre de agrotóxicos. E, ainda, o gado fertiliza o solo com o esterco, o que elimina o uso de produtos químicos e aumenta a biodiversidade do local. Uma outra experiência com milho e bovinos utiliza o milho como ração do gado, e o esterco para fertilizar a produção do grão.
Como a produção agroecológica preza pelo bem-estar, os animais não ficam confinados como na produção em escala. Na avicultura convencional, são colocados cerca de 20 frangos por metro quadrado. ''O estresse é comprovado em animais como suínos e aves confinados'', disse Silva.
As aves chegam a ter os bicos cortados em alguns casos para não se machucarem, consequência da falta de espaço pelo confinamento. No sistema de produção em escala são colocadas correntes penduradas para que os suínos não mordam um ao outro.
Leite - Na produção de leite orgânico, primeiro o solo é convertido em um prazo de um a três anos para que fique livre de componentes químicos. A vaca é alimentada com pasto e grãos orgânicos.
O bezerro recebe o leite materno nos primeiros meses de vida e depois passa a ter a mesma alimentação da mãe. Neste sistema, o filhote tem mais contato com a mãe. No sistema convencional, o bezerro é separado da mãe mais rapidamente.
Outro sistema usado na produção orgânica animal é o Pastoreio Racional Voisin, no qual a terra é dividida em piquetes para que os animais façam a roçadura da terra.
No CPRA, há um local para realização de estudos onde as galinhas são criadas na mesma área de um pomar de frutas. Neste caso, os animais controlam o mato, alimentam-se de insetos, que podem ser pragas, e fertilizam o solo com o esterco.
Outra experiência desenvolvida no CPRA é a criação de gado jersey junto com árvores nativas. Neste caso, o animal produz mais porque não sofre o estresse do calor devido à sombra produzida pelas árvores.
A médica veterinária e técnica do Departamento de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria Estadual de Agricultura, Célia Trentini, lembra que a produção agroecológica envolve desde o nascimento do animal, a alimentação até o abate. ''Com o meio ambiente equilibrado, vão ocorrer menos problemas de doenças'', disse.


