Agroecologia Da produção à comercialização, com foco ecológico
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sexta-feira, 02 de março de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Sandra Mara Ribas Machado trabalha com produção de ovos e leite orgânicos há 19 anos em Campo Magro, município da Região Metropolitana de Curitiba. Atualmente, mantém 300 galinhas e 28 vacas e produz, mensalmente, 600 dúzias de ovos e 1.800 litros de leite por mês.
''Começamos a produção para o consumo da família, com o objetivo de cuidar da nossa saúde, e aumentamos o número de animais para atender os clientes'', contou. Hoje, o volume produzido não é suficiente para suprir toda a demanda. A renda obtida com os orgânicos mantém a família.
As galinhas são alimentadas com ração 70% orgânica. A quirera de milho é produzida na propriedade de Sandra. O farelo de trigo e de soja é comprado de fora. O calcário é obtido na região mesmo, que é rica neste insumo. Os animais não são criados confinados. ''Não usamos nenhum tipo de remédio. Quando aparece alguma doença, usamos as técnicas do tratamento fitoterápico, como alho e caule de bananeira para as aves'', contou.
As vacas recebem 2Kg de ração orgânica por dia e o restante da alimentação (outros 48Kg por animal/dia) é complementado com pasto. Para estes animais, a fitoterapia é muito utilizada. O chá de quebra-pedra com abacate é usado para problemas de rim e a massagem com água quente para mastite (inflamação das mamas). As vacas não são confinadas.
Na mesma propriedade, ela aliou o trabalho com turismo rural e mantém a pousada Recanto Nativo e um restaurante. O valor da diária na pousada é de R$ 70 por pessoa e inclui quatro refeições por dia. O local tem atrações, como cavalgada, cachoeiras, trilhas ecológicas, colheita na horta e ordenha.
Segundo ela, a exportação ainda tem muitas barreiras para os pequenos produtores, que não conseguem se adaptar às condições de legislação e não possuem capital para criar uma estrutura para vender a outros países. Por isso, as feiras públicas são a forma mais fácil de escoar a produção. Sandra participa de duas feiras por semana na capital, uma na Praça do Japão e outra no Passeio Público, além de realizar entregas em domicílio.
''Estamos cheios de barreiras no País. Não temos apoio das autoridades de política competente. Não tenho infra-estrutura para atender a todas as condições da legislação'', disse.


