Curitiba - O Censo Agropecuário 1995/96, do IBGE, revela que dos 9,6 milhões de habitantes do Paraná, 1,7 milhão vivem na zona rural. As propriedades somam quase 370 mil unidades.
Do total de agricultores paranaenses, 80% vivem da agricultura familiar e cultivam áreas inferiores a 50 ha. O restante dedica-se à agricultura comercial. Os agricultores comerciais do Paraná se dedicam ao cultivo de grãos para exportação e dominam técnicas que podem ser comparadas às melhores do mundo. A produtividade que eles conseguem em suas lavouras não fica nada a dever às melhores produtividades obtidas no mundo.
Eles contribuem para o Paraná produzir o equivalente a 20% da produção de grãos do País, como soja, trigo, milho, feijão e algodão. Já a agricultura familiar responde sozinha pela produção estadual de mais de 60% do algodão, 66% do arroz, 71% do feijão das águas, 68% da mandioca, 77% do tomate, 92% do fumo, 62% do leite, 76% da carne de aves, 53% dos ovos, e 69% da carne suína.
Um levantamento feito pelo Programa Paraná 12 Meses, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, aponta que 70% dos agricultores têm renda de dois salários mínimos. Como essa renda é ocupada para a sobrevivência da família, o agricultor perde qualidade de vida à medida que não tem dinheiro para a manutenção de sua casa.
O diagnóstico feito pelos técnicos do Paraná 12 Meses revela que quase metade das residências rurais são construídas com materiais não duráveis e sem piso adequado. Cerca de 1/3 destas casas dispõem de apenas um cômodo e 12% têm dois cômodos. O mais grave é que 92% dessas casas não têm sanitários. Além disso, 70% das casas não dispõem de eletricidade e cerca de 80% não recebem suprimento de água.
As crianças que vivem nessas casas deixam de estudar para contribuir com a renda famíliar. A tendência dessas crianças é permanecer sem estudos e seguir a trajetória de seus pais, que receberam menos de um ano de educação formal.
Um estudo feito pelo Departamento de Estudos Sócio Econômicos Rurais (Deser) sobre as informações do Censo Agropecuário concluiu que em função das dificuldades, quase 100 mil pequenas propriedades foram vendidas, o que sinaliza uma uma clara concentração das propriedades.
Agricultura familiar coloca à mesa do consumidor

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