Agricultura faz bonito na exportação
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sexta-feira, 04 de junho de 2004
Reportagem Local 
O governo atrapalha as exportações brasileiras da cadeia do agronegócio (penalizando com impostos, não oferecendo logística e infra-estrutura necessárias e negligenciando na fiscalização da qualidade, ao permitir que multinacionais exportem soja contaminada), mesmo assim a agricultura vence barreiras e exporta.
Conforme a Agência Folha, esta semana, mais uma vez, o agronegócio fez a diferença na balança comercial. Nas últimas duas semanas de maio, as receitas com soja se recuperaram, as vendas externas de carne dispararam e até o trigo, que sempre foi o calcanhar-de-aquiles do país, registrou queda nos gastos com importações.
A soja iniciou maio com receitas médias diárias de US$ 44 milhões nas três primeiras semanas. Na quarta, subiu para US$ 73 milhões por dia e terminou o mês com US$ 125 milhões (no dia 31). As receitas do mês, ao somarem US$ 1,15 bilhão, superaram em 10,3% as do mesmo período de 2003.
Alguns técnicos acham que o próximo relatório, mais completo, não apresenta a mesma performance favorável. É que nesse relatório deve transparecer a redução das exportações de grãos causada pelo embargo da China à soja brasileira. O motivo, como foi amplamente divulgado, foi a mistura na soja industrial (para consumo) de grande quantidade de sementes tratadas com fungicidas e outros defensivos.
Nas exportações, outro destaque foi o setor de carnes, que rendeu US$ 25 milhões por dia no mês passado. Esse valor superou em 77% o do mesmo mês de 2003. As receitas totais do mês passado subiram para US$ 521 milhões, com aumento de US$ 227 milhões sobre as de maio de 2003. Se as exportações crescem, as importações diminuem no setor.
Em maio, os gastos diários com trigo recuaram para US$ 4,9 milhões, 21% menos do que no mesmo período de 2003. Os dados da Secex indicam despesas totais de US$ 104 milhões com o produto.
No caso do trigo, apesar de o Brasil ser o maior importador mundial desse cereal, o fato é que o País poderá exportar de novo. A Conab previu no início da semana que o Brasil vai exportar 600 mil toneladas de trigo no próximo ano, aproveitando um fase em que os estoques mundiais estarão baixos.
O Brasil exportou trigo pela primeira vez no ano passado. Foi um trigo com menor teor de proteína. Mas, se depender da qualidade, o trigo brasileiro - incluindo o paranaense - é competitivo. A questão é que o preço interno está relativamente bom: R$ 600/tonelada esta semana. As exportações de trigo não são um ponto forte para a economia de um país que importa maior parte do que consome. As exportações, ano passado, só ocorreram porque os preços internos estavam baixo e as muitas indústrias estavam priorizando o produto importado.


