A profissionalização da agricultura familiar do Paraná ganha mais um instrumento de apoio. É o projeto Campo fácil criado por uma parceria do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PR), associações de engenheiros agrônomos e prefeituras. Criado em 1998, o projeto já atende a pequenos produtores de Cascavel e Irati e se prepara para entrar em funcionamento também em Bandeirantes. O objetivo segundo os organizadores é garantir uma produção com melhor qualidade, agregando valores na comercialização dos produtos, além de manter o homem no campo.
Em Cascavel, a primeira cidade a implantar o projeto, um total de 500 produtores são atendidos e já somam bons resultados com as culturas de soja, milho, mandioca, feijão, hortaliças, além da produção de leite. As orientações são repassadas em todas as etapas da produção e vão até à comercialização, que ocorre em cooperativas, feiras livres e laticínios da região. A equipe de técnicos também elabora projetos de financiamento agrícola junto ao Banco do Brasil (Pronafinho e Cédula Rural), que viabilizam a produção das lavouras.
''O resultado é a permanência do homem no campo, viabilizando a propriedade com ganho na produtividade, já que o produtor consegue comprar insumos, sementes fiscalizadas e tudo o que precisa para manter a pequena área'', afirma o vice-presidente da Associação do Engenheiros Agrônomos de Cascavel, Daniel Galafassi.
Para viabilizar o projeto, a Secretaria de Agricultura do município doou um carro, utilizado pelos técnicos responsáveis pela asssistência no campo. ''Para nós é um serviço mais social, um trabalho mais efetivo. Os produtores têm agora um trabalho mais organizado e isso prova que a busca de recursos e parcerias pode melhorar a vida no campo''.
Em Irati (135 Km ao norte de União da Vitória), o projeto é mais recente. O convênio entre a Associação dos Engenheiros Agrônomos, Crea e Prefeitura municipal foi assinado em novembro do ano passado, mas o trabalho teve início em março deste ano.
A meta, segundo o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Irati, Gerson Ribeiro Sobrinho, coordenador do projeto, é atingir 60 produtores que trabalham no ramo da olericultura e outros 60 da fruticultura. A assistência é dada do plantio à comercialização.
A prefeitura contratou dois agrônomos e fornece toda a estrutura necessária, como sala e veículos, para o trabalho de atendimento no campo. ''Já temos 50% da meta atingida com o plantio das áreas'', afirma Sobrinho. Os resultados começam a ser compilados a partir de setembro, quando inicia a produção.
''Percebemos que os fruticultores, por exemplo, não conheciam bem a sistemática de trabalho, por isso a necessidade de ter um responsável técnico para a produção. O objetivo é que ele tenha renda melhor e produza bem e com qualidade para o consumidor''.
Os produtores de Irati farão também a Caderneta de Campo, um livro-ata das atividades dos manejos de cultura. ''É uma planilha com orientações que proporciona a rastreabilidade do produto. Uma espécie de garantia da qualidade''.
A produção de olerículas e de frutas em Irati, é vendida em mercados locais e regionais, além de feiras livres da cidade. Por enquanto, o programa atinge apenas os produtores que já estão na atividade, mas a meta, a partir do próximo ano, é atrair novos produtores.

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