Agricultura Familiar espera receber R$ 1 bi
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A agricultura familiar do Paraná deverá ser contemplada com recursos avaliados em R$ 1 bilhão para a safra 05/06, para atender cerca de 150 mil famílias. A previsão é do secretário geral e diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Mário Plefka. Segundo ele, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) vem sinalizando de forma positiva que a reivindição dos agricultores paranaenses será atendida.
Os recursos são liberados pelos bancos, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que financia o custeio da lavoura e investimentos na propriedade. No ano passado, o Pronaf liberou no Paraná cerca de R$ 700 milhões, em atendimento a cerca de 130 mil famílias.
O Pronaf vem crescendo a cada ano. Há 10 anos, quando iniciaram os primeiros financiamentos na safra 1995/1996, foram liberados R$ 9 milhões no Paraná, que atenderam cerca de 3 mil famílias. No País, foram liberados R$ 200 milhões. A previsão de recursos para este ano é de R$ 9 bilhões.
O diretor da Fetaep lembra que no início da implantação do Pronaf, os agricultores enfrentaram diversas dificuldades, entre elas a resistência dos bancos que ''impunham toda sorte de dificuldades''. ''Eles faziam severas exigências de garantias'', recorda. Hoje, de acordo com Plefka, os bancos entenderam que financiar o pequeno agricultor dá lucro, pelo volume que os contratos representam. Além disso, o nível de inadimplência, de cerca de 0,2%, é mínimo diante de produtores com renda maior. ''Se precisar, o pequeno agricultor vende uma vaca, um boi e paga o que deve no banco''. Ele completa dizendo que para o agricultor familiar o mais importante é ''andar com a cabeça erguida, e não dever para ninguém''.
Os agricultores familiares também foram atingidos pela estiagem ocorrida no início do ano, e que provocou quebra de produção em quase todo o Estado. Mas a maioria conseguiu prorrogar as dívidas para as próximas safras. Plefka estima que no máximo 2%, que correspondem a 3 mil famílias, estão com mais dificuldade em pagar o custeio da safra 04/05.
Esta semana, a Fetaep reuniu cerca de 50 dirigentes sindicais em Curitiba, durante um seminário em que foram repassadas todas as informações sobre as linhas de crédito. O objetivo é que esses dirigentes auxiliem o agricultor familiar no acesso a esses recursos. ''Muitos não conseguem o dinheiro porque não conhecem as normas dos financiamentos'', disse Plefka.


