Agricultura familiar e emprego
Marcos Rochisnki

Arquivo FolhaEmpregadoraAs pequenas propriedades empregam 80% dos trabalhadores rurais brasileirosMuito se tem discutido sobre desenvolvimento sustentável. O atual modelo de desenvolvimento empregado nos países do Terceiro Mundo e baseado na concentração de renda e de meios de produção, está falido. Políticas públicas equivocadas, voltadas para o crescimento econômico e que nunca levaram em conta o desenvolvimento social, têm sido responsáveis pelo aumento da miséria, empobrecimento dos municípios do Interior do País, sucateamento do serviço público de atendimento à população, e desemprego.
Países mais desenvolvidos da União Européia, como a Alemanha, a França, a Bélgica e a Holanda, determinaram sua trajetória de crescimento econômico a partir de um forte incentivo à agricultura familiar. Na França os subsídios agrícolas chegam a superar o preço mínimo dos produtos, distribuindo renda e barateando sua comercialização.
No Brasil, onde a economia de grande parte dos municípios gira em torno da agricultura, a escassez de políticas governamentais de incentivo ao setor determina a ‘‘morte anunciada’’ do comércio e da economia locais. Neste quadro é emergente a necessidade de se adotar um modelo agrícola que seja sustentável, que promova a circulação e a distribuição de renda sem agredir o meio ambiente, sem trazer prejuízos à saúde da população e respeitando a realidade de cada município.
Diversas iniciativas, ainda que isoladas, de organização dos próprios agricultores, têm exemplificado, através de bons resultados, que é possível alcançarmos o pleno desenvolvimento a partir do incentivo à agricultura familiar.
Os custos de uma transformação desta natureza são significativamente baixos se comparados aos prejuízos que trazem à sociedade as atuais políticas de governo; enquanto uma grande propriedade gera um posto de trabalho a cada 60 hectares, a propriedade familiar gera um a cada nove hectares. É sete vezes mais rentável gerar emprego e renda neste setor do que nos grandes estabelecimentos rurais ou mesmo nas cidades, no comércio ou na indústria.
Um estudo da FAO, organismo das Nações Unidas para alimentação e abastecimento, revela que, mesmo com apenas 25% da área agricultável do País, os 6,5 milhões de propriedades familiares são responsáveis por 80% da ocupação de mão-de-obra agrícola. Além disso, as propriedaides familiares produzem 80% dos alimentos que compõem a cesta básica dos brasileiros.
Mais do que uma bandeira de luta dos agricultores e sua entidades representativas, a agricultura sustentável precisa ser um compromisso de toda a sociedade com o futuro do País.
O autor é coordenador do movimento Grito da Terra no Paraná.

mockup