Curitiba O padrão de vida do agricultor paranaense vem mudando nos últimos anos. Depois do período de renegociação das dívidas entre 1996 e 1997, da desvalorização cambial ocorrida em 1998, que trouxe a moeda para patamares realistas, e das safras cheias dos últimos três anos, o produtor rural vem obtendo lucro com a atividade. Com isso pode aumentar o investimento em tecnologia na propriedade e na melhoria de seu nível de vida.
Muitos agricultores conseguiram comprar mais terras, embalados nos elevados índices de produtividade do milho e da soja, culturas que predominam no Estado. Mas isso não foi suficiente para reverter a concentração de renda que ainda persiste no Paraná, como no resto do País.
O perfil do agricultor paranaense vem acompanhando essas mudanças. De acordo com o analista econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, atualmente é possível encontrar de médios e grandes produtores de grãos na área dos Campos Gerais (Castro e Carambei), que incorporaram tecnologias de primeiro mundo ao sistema de produção, até o pequeno produtor, que também foi beneficiado por programas de apoio dos governos estadual e federal, por meio de políticas públicas dirigidas especialmente para eles.
Na região oeste do Paraná, o agricultor optou pela diversificação da propriedade para garantir renda e evitar o déficit no faturamento. Por isso, cultiva soja, milho e trigo, mas procura agregar valor à matéria-prima com a exploração da suinocultura, avicultura ou produção de leite. O agricultor trabalha com a família numa área média de 20 a 25 hectares e eventualmente contrata serviços de terceiros para ajudar nas colheitas.
De acordo com o agricultor Romeu Happ, de Marechal Cândido Rondon, o uso de tecnologia foi incorporado até mesmo nas pequenas propriedades. Na região é comum os criadores de suínos recorrerem à tecnologia de ponta como a inseminação artificial para elevar a qualidade da genética do plantel. Quase todos possuem maquinário e usam sementes de alta tecnologia no plantio das lavouras. E costumam, ainda, seguir as recomendações técnicas dos institutos de pesquisa no Estado. Daí o ganho de produtividade nos últimos anos, disse o agricultor.
Em casa, a melhoria no padrão de vida reflete os ganhos no campo. Segundo Happ, em geral, o agricultor do oeste do Paraná mora numa boa casa, tem antena parabólica, TV em cores, vídeo e eletrodomésticos. Isso mostra que muitos já estão abandonando a idéia de ir morar na cidade. ''Eles preferiram trazer o conforto da cidade para o sítio.''
Essa mudança de mentalidade foi possível depois da melhoria das estradas e da instalação de escolas na zona rural, porque o agricultor, não está mais abrindo mão de proporcionar estudos para seus filhos, salientou Happ. Esse comportamento, embora louvável, pode ser motivo de preocupação no futuro, disse Mafioletti, da Ocepar. Segundo ele, será cada vez mais difícil segurar esses jovens no campo.
Por outro lado, nota-se que os jovens, com vocação para o campo, depois de passarem por cursos superiores voltam para administrar a terra dos pais, profissionalmente. Mas isso ainda não é regra, salientou. Segundo Mafioletti, o perfil do agricultor paranaense, principalmente daquele vinculado a cooperativas, é de caráter familiar, mas a gestão da propriedade é empresarial.

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