Agricultura dá o troco ao governo FHC
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sábado, 16 de novembro de 2002
Reportagem Local 
O governo FHC garantiu a estabilidade econômica (no primeiro mandato e durante mais da metade do segundo) com o sacrifício da agricultura. O setor sentiu-se penalizado sem receber contrapartida. No final, o governo ainda tentou abocanhar parte da renda agrícola via tabela progressiva do IR (MP 66 artigo 12, substituída, dias depois por pressão de entidades como Faep, Ocepar e CNA). Os bons momentos do agronegócio nesses anos todos devem ser creditados ao mercado internacional e à disparidade cambial.
Mas, agora, com avicultura e suinocultura quase quebradas, a agricultura dá o troco. Os preços dos alimentos estão incomodando os consumidores. Esta semana, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que a alta de preços foi de 4,1% nos últimos 30 dias. Ocorreu com a cesta básica da Grande São Paulo, mas não isto pode ser extrapolado para as demais cidades.
Já os dados da Fundação Getúlio Vargas - também divulgados esta semana - mostraram aceleração ainda maior nos preços dos alimentos, que subiram 9,1% em outubro no Índice de Preços por Atacado do IGP-DI (Índice Geral de Preços), acumulando reajuste de 33,41% nos últimos 12 meses.
O IPA (preços no atacado) da FGV mostrou que os preços do trigo subiram 31% no mês passado, no atacado. Outras elevações de preços ocorreram com açúcar cristal (25%), milho (23%), café em coco (18%), soja (14%) e ovos (12%).
E os preços do milho continuam aquecidos. No meio da semana atingiram R$ 31,50 por saca nos contratos deste mês na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Os contratos de janeiro subiram para R$ 29,45 por saca (veja mais na seção mercado).
O frango, que foi o símbolo da alimentação acessível e barata na luta contra a inflação, agora não tem milho; paga caro pela torta de soja e outros componentes da ração. E o granjeiro não consegue repassar os custos para o consumidor porque os salários estão defasados, há desemprego e insegurança. Sobrevivem relativamente bem os elos intermediários dessa cadeia, os frigoríficos e indústrias de ração. Vira e mexe, duas grandes e conhecidas amrcas do setor anunciam invejáveis balanços que exibem bons lucros. Mesmo assim, muito abaixo dos primeiros anos do Plano Real.
Por conta da desorganização do abastecimento, o consumidor acusa os supermercados, que brigam com a indústria, que briga com o fornecedor, que não tem a quem xingar.


