A organização das propriedades agrícolas americanas chamou a atenção dos produtores brasileiros que visitaram fazendas nos Estados Unidos no período de 18 a 25 de setembro, a primeira de duas viagens programadas pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) para aquele País.
O objetivo das visitas é para que os agricultores conheçam o trabalho e a estrutura das propriedades americanas e possam trazer exemplos de gerenciamento e condução da atividade agrícola a serem implantados no Brasil, explica João Luiz Rodrigues Biscaia, diretor da Faep.
Os produtores americanos são extremamente organizados e profissionais, têm um grande orgulho do que fazem e apoio político para continuarem na atividade, considera o agropecuarista Márcio José Lopes, de Castro, um dos produtores que esteve visitando a região do meio oeste americano, notadamente chamada de cinturão produtivo do milho, mas que também tem grandes áreas de soja.
O produtor americano faz pesquisa particular, reduz espaçamento e se aprimora naquilo que faz. Tem orgulho de ser produtor; mora na fazenda e está sempre procurando tirar o melhor proveito daquilo que faz. Para isso é um administrador de sua propriedade, completa o produtor Osvaldo Terassi, de Sertanópolis.
Segundo ele, o produtor americano se preocupa mais em deixar os filhos capacitados para tocar a atividade de maneira lucrativa, enquanto que no Brasil é comum ver o investimento em educação para que os filhos tenham outras atividades que muitas vezes não estão ligadas ao meio rural.
O produtor Erick Rund, de Champaing, disse que há preocupação de que os filhos saiam da atividade e, por isso, há um trabalho junto às crianças, nas escolas, para mostrar que a agricultura é uma atividade empresarial como outra qualquer, de alta rentabilidade. Segundo ele o objetivo é fortalecer os laços familiares e impedir que os filhos abandonem as fazendas e saiam para trabalhar nas cidades. ''Fazendeiros dos EUA têm apoio e reconhecimento da sociedade,'' completa Walkíria Blum, de Congoinhas, outra produtora brasileira que visitou as propriedades americanas.
Outro fator que faz a diferença, segundo alguns produtores brasileiros, é a formação do agricultor americano. Vicent Faivre, da região de Dekalb, por exemplo, é formado em Administração Rural e disse que isso é comum entre os fazendeiros, grande parte tem formação técnica ou de curso superior.
Segundo dados da Feap a escolaridade média do agricultor americano é de 8 anos. Em alguns casos os próprios produtores produzem sua pesquisa e estudos para adaptar tecnologias à sua realidade regional. Quando precisa pode recorrer a assistência técnica de universidades ou empresas, gratuita porque o produtor paga impostos e tem direito aos serviços.
A jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da Faep.

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