Agricultura alternativa tenta ganhar espaço
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sexta-feira, 01 de junho de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
A união entre homem e natureza é a definição mais simples e próxima do que é a permacultura. Criada na Austrália na década de 1970 pelos ecologistas Bill Mollison e David Holmgren, a atividade visa à criação de sistemas de produção que sejam ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis. Na atividade agrícola, o uso da permacultura tem sido diretamente ligada à agricultura de subsistência e familiar.
Adriana Galbiati, engenheira ambiental e integrante do Instituto de Permacultura Cerrado-Pantanal, explica que a permacultura pode ser aplicada em uma produção agrícola por meio do sistema de agrofloresta. ''Todos os recursos disponíveis na propriedade devem ser responsavelmente utilizados''. Adriana explica que o objetivo da técnica não é acabar com a agricultura, mas produzir alimentos de forma mais sustentável. Ela exemplifica que em lavouras de soja, o pequeno produtor que deseja adotar esse sistema deve readequar a sua produção de grãos, direcionando-a para áreas mais propícias. Porém, essa medida se aplica, na opinião da especialista, em escalas menores de produção. Já que, de acordo com ela, a maior parte do território deve ser direcionada para o plantio de árvores.
Geralmente, explica ela, as zonas que devem ser destinadas à agricultura devem ser as áreas mais afastadas do centro da propriedade. ''O plantio de floresta deverá estar espalhado por toda a fazenda para trazer um equilíbrio na biodiversidade do local'', sublinha. Adriana acrescenta que já existem exemplos de sucesso dessa conciliação entre floresta e a produção de cacau na Bahia. Segundo a especialista, diversos produtores, com a inserção do sistema de agrofloresta, conseguiram melhorar a produção e a qualidade dos frutos devido ao aumento da retenção de umidade no solo.
Ela afirma que muitas culturas existentes no Paraná como café, banana e abacaxi, têm grande possibilidade de implantação da permacultura. ''A técnica além de respeitar o meio ambiente e melhorar a qualidade de vida do produtor, também traz benefícios econômicos, pois o agricultor pode ter um aumento de produtividade e também pode comercializar biomassa e créditos de carbono''.


