Agricultura & Natureza
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de junho de 2000
Da Redação 
Em milhões de anos o trigo foi-se adptando à natureza e, uma mudança aqui, outra ali, desenvolveu condições que o tornaram uma lavoura de inverno. O centeio, a cevada, todos desenvolveram-se assim: adaptaram-se as peculiariedades de regiões amenas. O café adaptou-se à realidade quente e seca do Norte da África. Ficou intolerante ao frio, a ponto de alguns graus negativos apenas serem capazes de exterminar toda a cafeicultura de uma região. Foi um longo tempo de adaptação, os seres amoldando-se às exigências naturais, para não desaparecer. É assim que a natureza cria, recria e se adapta.
Os seres interagem com a natureza, pois são na verdade ela mesma. Têm suas próprias escalas de tempo, dispensam interferência humana, a não ser quando o homem tem pressa. Aí dá um jeitinho, acelera rsultados como variedades de soja aptas a todas as latitudes do Mundo; lavouras adensadas de café; bovinos e similares precoces, para produção de carne melhor, em menos tempo...Porém, ele não pode mudar certas regras como o tempo e o clima. A natureza tem suas próprias leis, como a seca que perdura, mesmo quando todos olham para o céu e pedem: Preciso de chuva...Plantei no pó; se não chover, perco tudo... Assim há de ser...,enquanto a natureza achar que a seca inconveniente aqui é importante em outras regiões do País ou do mundo.
O homem pode agir, sim, mas quando atua na natureza, nem sempre o faz com sabedoria. Pelo contrário, são desastrosos os resultados de muitas ações humanas.
Vejam o desequilíbrio que o ser humano provoca na natureza, o efeito estufa, a poluição dos rios, lagos e minas; a destruição da fauna e da flora, geralmente de fauna e flora, pois quando uma floresta chega ao fim, já terão desaparecido espécies animais que habitavam ali. Nesta edição está um exemplo da ação humana no meio natural: o erro ecológico que leva um bando de macaquinhos a invadir e destruir pinheiros na região de Curitiba. Os macacos-pregos vão aos pinheirais em busca de um alimento precário, porém agradável ao paladar dos macacos: a seiva das árvores. Os dentes afiados acabam seccionando a casca, por onde corre a seiva, por onde entram doenças e pragas; de onde o sangue da planta escorre e a árvore morre.
O macaco é um predador de insetos e comedor de frutinhas que já não se mais na região, porque os homens acabaram com elas. Porém, eles não se acham em extinção: o homem, seu inimigo, também é seu protetor, pois acabou com a onça-pintada que gosta muito de macaco; com a onça-parda e outros predadores da espécie.
Quase sempre o homem interfere na natureza, para ganhar dinheiro, ou (minoria dos casos hoje em dia) somente para garantir seu sustento e o sustento de sua família. Assim como faz o macaco-prego e os pinheiros. Assim como os pesquisadores procuram produzir alimentos fora de época (vejam caso da poncã, nesta edição), entre vários assuntos que selecionamos nesta semana.


