A necessidade levou os produtores a criar adaptações para a plantadeira, facilitando o plantio direto da mandioca
A necessidade levou os produtores a criar adaptações para a plantadeira, facilitando o plantio direto da mandioca | Foto: Gustavo Carneiro



"Vinha brigando com o fato de ter de usar os mesmos implementos que eram do meu pai, do meu avô, de 40 anos para trás, para plantar mandioca. Isso me incomodava porque ainda tinha de me mudar, sair daqui para procurar terras novas." Foi esse o incentivo que o mandiocultor Fernando Muncio Compagnoni Neto a buscar formas de agredir menos a terra e tornar o processo mais sustentável.

O plantio direto foi a solução. "Tinha de sair da nossa região para procurar terra longe, levar os equipamentos para lá e depois trazer a mandioca para cá, porque não conseguia plantar duas ou três vezes no mesmo lugar. Agora vou conseguir", conta Compagnoni Neto.



Ele formou uma dupla de produtores líderes, ou inovadores, com Marcelo Boeing, do Sítio Alvorada, em Planaltina do Paraná, para testar e desenvolver o plantio direto da mandioca, com apoio da Embrapa. Os dois optaram por adotar o plantio direto em 41 hectares e o convencional em outros 55, para comparação. Os primeiros resultados da colheita sairão no fim de julho.

Boeing diz que ele e o pai trabalham há 15 anos com plantio direto, mas de forma profissional e com assistência somente desde o ano passado. A diferença, conta, é visível. "Era comum no passado passarmos de 100 toneladas por alqueire, mas ao longo dos anos passamos a comemorar quando chegamos a 70. Mesmo fazendo curva de nível e terraço, perdia produtividade com o plantio convencional", conta.

Para Boeing, a forma como se desenvolvia a mandiocultura no Noroeste do Estado lembrava o extrativismo, sem qualquer sustentabilidade. Por isso, optou por buscar o desenvolvimento do plantio direto e, nesta safra, participa ao lado do parceiro de quatro experimentos, com três variedades de mandioca entre convencionais e adaptadas, além de dois tamanhos de maniva diferentes.

Os dois até mesmo promovem alterações e encomendam alterações no maquinário em tornearias mecânicas da região, de acordo com necessidades identificadas durante o plantio e orientações de pesquisadores. Boeing lembra que o chassi da plantadeira precisa ser mais longo, para caber as adaptações.

Por isso, não basta tentar mexer no equipamento tradicional, mas buscar um mais espaçoso. "Tivemos mudanças na parte de disco de corte, porque o tradicional não conseguia cortar a palhada, então é um disco maior na frente. Temos uma haste sulcadora para fixar a plantadeira no chão, mudamos o sistema de rodas para uma articulada, para copiar o terreno, que no plantio direto é irregular", explica Compagnoni Neto.

Ainda, foi instalado um tipo de calota com pontas, criado para cravar a roda no chão e evitar que a máquina patine ou deixe espaços sem manivas. "Dizem que existem kits de plantio direto, mas é pouco. Precisa mexer bem mais", conta Boeing. (F.G.)

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