Agricultores familiares têm novos desafios
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sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local
Responsável pela produção de cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a agricultura familiar tem conquistado seu espaço no mercado nos últimos anos graças à profissionalização dos pequenos produtores. Hoje, esse grupo já representa 84% dos estabelecimentos rurais do País. No Paraná, conforme dados da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), cerca de 80% das propriedades paranaenses possuem até quatro módulos fiscais, unidade de medida estabelecida em cada município que leva em conta o tipo de exploração predominante na região.
No Estado, a agricultura familiar foca na produção de feijão, milho, frutas, leite, hortaliças e fumo. Também há a participação do pequeno produtor na avicultura e suinocultura. Como é o caso da agricultora Vanda Aparecida Bispo, da região de Londrina, que cultiva verduras. A produção dela é toda comercializada na Ceasa do município. Ao todo ela possui 14 estufas, construídas com o apoio dos programas de incentivo do governo federal. "Nos últimos cinco anos, a agricultura familiar melhorou muito", comemora a agricultora.
Por causa dessa representatividade e da importância do setor para promover a segurança alimentar da população, 2014 foi eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Uma forma de homenagear os esforços daqueles que, mesmo em pequena escala, ainda conseguem competir em um mercado cada vez mais acirrado.
Apesar do crescimento e da profissionalização que o setor tem registrado nos últimos anos, a agricultura familiar ainda possui muitos desafios pela frente para manter-se competitiva e ganhar espaço. O segmento precisa ter mais acesso a serviços de assistência técnica, conquistar novos nichos de mercado e investir no processo de agroindustrialização.
José Carlos Castilho, secretário de política agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), afirma que nos últimos anos houve um avanço muito grande da agricultura familiar paranaense, mas muitos produtores ainda precisam de ajuda para crescer. Segundo ele, alguns deles já encaram a propriedade como uma empresa, mas outros ainda não aceitaram o desafio. Na opinião de Castilho, há recursos disponíveis ao produtor, para que ele possa trabalhar novos projetos e melhorar sua atividade, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Porém, o secretário ressalta que muitos não encaram o desafio de mudar e otimizar a forma de atuação porque há uma carência da assistência técnica para orientá-los. "Alguns agricultores não têm condições de pagar um técnico", lamenta. O representante da Fetaep destaca que aqueles agricultores que possuem algum tipo de assistência estão bem à frente dos demais. Ele afirma que no Paraná, por exemplo, há um assessor técnico para cada 250 famílias. O ideal, na opinião dele, seria um para cada 150. "O movimento sindical tem trabalhado por mais apoio do poder público", completa.