Produtores de grãos da região de Londrina olham para a lavoura, analisam as condições da soja plantada e com segurança conseguem diminuir o número de aplicações de fungicidas e inseticidas. Para que façam isso com tranquilidade, sem riscos e com economia, eles contam com o suporte da assistência técnica do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que colhe informações acerca das doenças por meio de coletores instalados em propriedades modelos (unidades de referência), pelo Programa Plante Seu Futuro, que envolve vários órgãos e instituições parceiras.
Dados da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), entidade que coordena o programa, apontam que a safra 2014/15 fechou com redução de 50% no uso de inseticidas nas lavouras de soja, com média de 2,3 aplicações nas propriedades assistidas, contra cinco na média estadual.
Até agora, na safra 2015/16, as 17 propriedades acompanhadas em 19 municípios da região de Londrina haviam realizado pouquíssimas aplicações, média menor de uma por unidade. A base é o Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD), plano de medidas voltadas para diminuir o uso de agrotóxicos na produção convencional, buscando promover o equilíbrio nas plantas e monitorar as pragas.
O produtor do distrito de Paiquerê Walter Aparecido Chico plantou soja numa área de 32 alqueires, sendo que sua propriedade é referência do Plante Seu Futuro, contando com um coletor de esporos na área. Ele relata que até agora fez apenas uma aplicação de inseticida e nenhuma de fungicida. Na safra 2014/15, ele fechou a área de oleaginosa com uma aplicação de fungicida e duas de herbicida, mesmo número para o milho. "No final, dá uma diferença muito grande nos custos de produção e este ano quero economizar. Uma aplicação preventiva pode custar até R$ 600 por alqueire", relata.
Ele comenta que, em anos anteriores, chegou a fazer três aplicações de inseticida e três de fungicida em apenas uma safra. "Os agrônomos das revendas vêm correr a roça e querem vender. Muitas vezes o produtor fica inseguro e acaba acreditando em todas as informações que eles passam. Por isso, a importância do conhecimento para evitar este tipo de gasto desnecessário. Nesta safra, não apliquei quase nada na soja e, com os preços bons e menor investimento em agrotóxico, vou economizar bem. Minha expectativa é de uma produção de 150 sacas por alqueire", complementa Chico, que no ano passado colheu, em média, 110 sacas de soja por alqueire porque uma de suas áreas teve problemas com granizo.
Sérgio Blanco, que tem uma área de 27,5 alqueires também em Paiquerê, está satisfeito com a diminuição do uso de agrotóxicos. Desde a safra passada, quando ingressou no Plante Seu Futuro, as aplicações tanto para ferrugem quanto para insetos caíram drasticamente. "Minha média era de três a quatro aplicações de fungicida e três de inseticida, principalmente antes do surgimento da soja transgênica, que combate a lagarta. No ano passado, a diminuição dos meus custos com fungicida foram de 50%", relata.
Na época em que aplicava agrotóxicos indiscriminadamente em suas terras, Blanco conta que tinha contato apenas com um engenheiro agrônomo de uma revenda. "Agora, pego opinião de até três profissionais e só aplico quando realmente necessário. Até o momento, fiz apenas uma aplicação de fungicida e espero colher pelo menos 140 sacas por alqueire."
O coordenador regional de projetos do Instituto Emater, Ildefonso Hass, comenta que quando a assistência técnica imparcial está presente, com critérios técnicos de manejo e controle, o produtor sente segurança e só aplica os defensivos se de fato forem necessários. "Do ponto de vista sustentável, o programa mostra que é possível fazer algo diferente. Com a economia desta forma, acredito que as aplicações podem até diminuir. Além disso, vale dizer que o pessoal deve zelar pela qualidade da aplicação, utilizando o bico correto e controlar a velocidade do pulverizador", elenca Hass.

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