Agricultores esperam prorrogamento das dívidas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Mara Vitorino<br> Especial para a Folha Rural 
Agricultores e pecuaristas que passaram pelo 18º Show Rural da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), em Cascavel, disseram que as perspectivas para 2006 não são nada animadoras. Para vencer a crise do setor, agravada com as perdas nas lavouras, a queda livre do dólar frente ao real e os problemas fitosanitários, eles esperam o alongamento imediato das dívidas, linha de crédito especial e liberação de sementes para os pequenos produtores.
Com a escassez de chuva no Paraná, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) estima uma queda de R$ 1,39 bilhão em rentabilidade bruta do campo R$ 716,60 milhões para a soja e R$ 412,80 milhões para o milho. O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, disse que a cooperativa irá esperar a conclusão da colheita em curso para tomar as providências em conjunto com a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Segundo ele, a prorrogação de financiamentos de custeio e de investimento, que vencem em 2006, como também de dívidas bancárias, devem ser pedidas não só pela Coopavel, mas por todas as cooperativas do Paraná.
De acordo com Grolli, a partir do levantamento, as entidades e organismos que representam os agricultores devem solicitar uma atitude de emergência, que consiste, entre outras medidas, na renegociação de dívidas. ''O que temos até agora são as previsões do Departamento de Economia Rural (Deral), que apontam uma quebra de 3 milhões de toneladas de grãos, mas precisamos de um levantamento mais apurado'', defende.
O último levantamento realizado pelo Deral apontou perdas de 3,8 milhões de toneladas na produção de grãos do Estado, número que representa 17,4% do potencial produtivo desta safra. O departamento esperava uma produção de 21,8 milhões de toneladas de grãos, mas o volume deverá ser 18,05 milhões de toneladas. Conforme os cálculos iniciais, só de soja, o Paraná deveria produzir 11,73 milhões de toneladas, mas o volume sofreu uma redução de 14,3%.


