Agricultores esperam apoio financeiro
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Cláudia Barberato Reportagem Local 
Quarenta e sete famílias da Vila Rural Barão Alexandre de Paiquerê, distrito de Londrina, devem inicar a colheita do milho e arroz nos próximos dias e não têm onde guardar a produção ou perspectivas para quem vender. Algumas famílias passam dificuldades porque tiveram que investir em plantios dentro dos lotes na expectativa de receber uma ajuda financeira inicial do governo do Estado.
Há exatamente um ano, quando a Vila Rural foi inaugurada, havia uma promessa de que cada família receberia recursos no valor de R$ 1 mil para iniciar a produção agrícola nos lotes de 5 mil metros quadrados. Mas o dinheiro não chegou até hoje. Esse dinheiro serviria como um impulso para iniciar a produção agrícola.
Mesmo sem receber o recurso, quem tinha algum dinheiro conseguiu plantar com a sementes doadas pela Embrapa e repassadas pelos técnicos da Emater e da Secretaria de Agricultura. Mas agora os agricultores não têm onde guardar a produção da safra para negociar melhor os produtos. O dinheiro serviria para construção de paióis e outras pequenas obras de infraestrutura nos terrenos. Serviria ainda para pagar outras despesas que eles tiveram com os cultivos.
Falta de projeto
Segundo o gerente geral do Programa Paraná 12 Meses, da Secretaria de Agricultura do Paraná, que engloba o Programa de Vilas Rurais no Paraná, Humberto Malucelli Neto, o dinheiro de fomento que seria destinado às famílias de Paiquerê não chegou por falta de um projeto agrícola que deveria ser apresentado à direção do programa.
Malucelli disse que para liberar o recurso de fomento quando uma vila rural é instalada é preciso apresentar e ter aprovado um projeto do que será cultivado no local. As famílias devem se instalar e buscar sua subsistência e podem aproveitar parte do terreno para conseguir uma fonte de renda extra e esse dinheiro inicial ajudaria nesse ponto.
Das quatro vilas rurais de Londrina (Lerrovile, Guairacá, Paiquerê e Guaravera) já entregues e uma em fase final de construção (Irerê), nenhuma recebeu o dinheiro de fomento agrícola porque os projetos não foram apresentados.
Falta de profissionais
De acordo com Malucelli, no caso da Vila Rural de Paiquerê, a falta do projeto se deu pela ausência de profissionais mais específicos na área da assistência social que pudessem elaborar junto com técnicos da Emater e os moradores do local um projeto do que seria cultivado nos lotes. Malucelli garantiu que profissionais da área de assistência social estão sendo contratados, em regime de terceirização, pelo governo, para solucionar o problema.
Malucelli acredita que com a contratação de assistentes sociais será possível agilizar a liberação desse dinheiro. Novos recursos deverão ser liberados a partir de março. Mas ele lembra que os próprios moradores, no caso de Paiquerê ou de outras vilas rurais que ainda não receberam o fomento, devem tentar buscar alternativas para armazenar a safra que vão colher e discutir junto com técnicos do município, da Emater e da assistência social qual o melhor caminho.
Em algumas vilas rurais a comunidade conseguiu achar sua vocação. Segundo estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) a renda média nas vilas rurais cresceu 18% nos últimos anos porque as pessoas têm menor custo de vida, qualidade de vida melhor do que tinham antes e ainda podem trabalhar em lavouras na região onde estão instaladas e vender parte do que produzem para obter outra fonte de renda, comenta Malucelli.
Apoio e orientação
Segundo o coordenador regional das vilas rurais, Ildefonso Haas da Emater de Londrina, hoje as famílias teriam direito a R$ 1.400,00 cada uma para implantação de estruturas básicas de produção. Além de tulhas ou armazéns os agricultores necessitariam de dinheiro para compra de insumos a serem usados nos próximos plantios e construção de instalação para suínos, frangos ou outra criação como alternativa de consumo dentro da vila.
No caso de Paiquerê, de acordo com Haas, os moradores da vila rural deverão apostar no cultivo de olerícolas como forma mais lucrativa de explorar os lotes. Já foi discutido o projeto de irrigação e os agricultores estão esperando a ajuda financeira inicial para iniciar o cultivo. Hass disse que a Emater fez pedidos junto ao Instituto Agronômico do Paraná para conseguir sementes de feijão e de batata.
Mesmo que o dinheiro seja liberado em março os agricultores não terão mais tempo de construir os paíois. Com relação a essa safra Haas acredita que a solução será usar um barracão comunitário que existe na vila, utilizado como igreja pelos moradores ou pedir um apoio da cooperativa instalada no distrito. Ele garantiu que os técnicos deverão também orientar na comercialização dos produtos.


