Agricultores citam perdas por excesso de chuvas
O agricultor Henrique Eiji Miyasaki não teve um bom ano no sítio de 12 alqueires que mantém na região Norte do Paraná. Produtor de frutas, legumes, milho e soja orgânicos, ele conta que o excesso de chuvas fez com que perdesse boa parte da colheita de caqui e de manga. "Não estou desanimado. Isso afeta outras pessoas também", diz. "Sou aposentado e vou ter o bastante para comer, só não vai dar para investir", completa.
Por ser da religião messiânica, o produtor diz que optou pela agricultura natural há 14 anos, mas não se arrepende da escolha. Miyasaki conta com um fornecedor de sementes orgânicas e é afiliado à Associação dos Produtores Orgânicos de Londrina (Apol), para quem entrega o que colhe, e obtém uma boa renda pelo que vende. "Consigo ainda um preço agregado porque forneço para a merenda escolar", conta. Com o excesso de chuvas, ele estima em 50% as perdas na soja, no caqui e na manga. Mesmo assim, diz que não deve desistir.
Situação diferente vive o presidente da Apol, Lauro Tetsuo Okamura. Depois de 15 anos somente com plantio orgânico, precisou usar agrotóxicos neste ano. Além do excesso de chuvas, ele diz que muitas das propriedades vizinhas usam herbicidas para tratar a lavoura, o que acaba por afetar o tratamento natural que ele dá à própria terra. "E tem a falta de mão de obra no campo que complica, porque com menos gente perco mobilidade e fica difícil fazer o controle de pragas e ervas. Precisei dar um tempo", explica.
Produtor de soja, milho e trigo, Okamura conta que chegou a trabalhar em 72 hectares quando tinha ajuda de trabalhadores, mas que, sozinho com a mulher dele, não consegue mais manter a cultura orgânica. Ele acredita que falta capacitação e treinamento, para agricultores e para técnicos, para que os orgânicos deslanchem. "Falta incentivo. A certificação é muito cara e temos apoio da UEL (Universidade Estadual de Londrina) para elevar a produtividade e a qualidade, mas eles são poucos para cobrir toda a nossa região", diz. "O clima atrapalhou um monte no campo neste ano e não tem como evitar, porque é assim também no plantio convencional", completa. (F.G.)





